O Governo deve estar a gozar com o Algarve

Logo_Opiniao_JorgeEusebio_PqDurante cerca de 5 anos trabalhei no Ribatejo e fazia frequentes viagens entre aquela região e o Algarve. Naturalmente que chegava ao fim de cada deslocação cansado e stressado.

Hoje fiz uma viagem que me recordou esses tempos. Acho, até, que fiquei ainda mais stressado e cansado. A pequena diferença é que essas eram tiradas de 400 quilómetros e a que fiz hoje de 40 e poucos, ligando o Parchal a Loulé pela Estrada Nacional (EN) 125.

Ao passar por Lagoa a pessoa fica logo com uma ideia bem realista do que a espera: obras, filas de trânsito a perder de vista e tempo, muito tempo perdido. A partir ali da zona de Albufeira, então, é uma desgraça, há uma rotunda em obras quase de 500 em 500 metros.

Não sei quantas horas depois, ao estacionar o carro e voltar a casa, tinha chegado à conclusão que o Governo anda a gozar com o Algarve e os algarvios. Só pode.

Para quem tem memória curta, lembro que, no arranque da última campanha eleitoral, António Costa deixou a promessa de acabar com as portagens na Via do Infante. Bem, se calhar foi meia-promessa, vá lá, que aquilo foi dito em idioma de político, de forma a que possa agora dizer que não foi bem isso que ele disse.

Mais claro foi o cabeça-de-lista pelo Algarve, e hoje secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, que garantia já haver, naquela altura, condições para cortar o valor das portagens em 50% e que a ideia era, depois, à medida que o défice permitisse, ir baixando até acabar de vez com elas.

Bom, não eliminaram as portagens nem sequer as baixaram em metade. E deixaram as obras na EN 125 a marinar este tempo todo para voltar a elas quando já estamos, na prática, em pleno Verão, causando prejuízos sem fim à carteira, tempo e paciência de residentes e turistas e dando uma machadada na eficiência e rentabilidade das empresas e na imagem da região.

Admito perfeitamente que, ao chegar ao Governo, o PS se tenha deparado com dificuldades com que não contava, nesta matéria. Mas, que diabo, custa assim tanto pagar uma compensação à concessionária da A 22 enquanto decorre esta fase crítica das obras na EN 125 para o pessoal usar essa via sem pagar? Ainda por cima agora, que o défice até caiu bem mais do que se esperava. Ah, esquecia-me, parece que essa proposta demagógica foi feita por deputados do PSD e, portanto, está fora de causa pegar nela.

Mas, se a questão tem a ver com não querer que o Estado entre com dinheiro do Orçamento para financiar a eliminação definitiva ou temporária das portagens, então que se arranje uma fonte alternativa de financiamento para isso.

Há umas semanas, o presidente da Câmara de Monchique veio com a ideia de lançar uma taxa turística de um euro por dormida para financiar a eliminação das portagens. Eu sei que o homem também é do PSD, mas à falta de propostas concretas dos autarcas e deputados socialistas, se calhar não era o fim do mundo se fosse avaliada essa opção.

A não ser, claro, que ao obrigar as pessoas a circularem nestas condições na EN 125, o Governo esteja a pensar na saúde, pelo menos, dos automobilistas que não têm ar condicionado no carro. Eu, por exemplo, com o que suei hoje, devo ter ficado um quilo mais magro e, portanto, passei a estar mais elegante e, sobretudo, mais saudável.

Se for essa a ideia, pronto, já cá não está quem falou.

(Opinião, Jorge Eusébio)

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