“Já digo há bastante tempo aos hoteleiros para subirem os preços”

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Segunda parte da entrevista ao presidente da Câmara de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, em que se fala do projecto que visa impedir a ocorrência de cheias como as de 2015, da estratégia turística para o concelho e de videovigilância.

(Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 3ª)

AM – As cheias que fustigaram o concelho, causando grandes prejuízos e, de alguma forma, afectaram a sua imagem por ser o principal responsável da Câmara não pode ter consequências negativas nas autárquicas?

CSS – Em relação a isso, estamos a desenvolver o Plano de Drenagem de Albufeira, para o qual tivemos a preocupação de contratar aquele que consideramos um dos melhores gabinetes nesta área, o do professor universitário Saldanha Matos, em conjunto com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), num processo que também envolve a Universidade do Algarve e a Agência Portuguesa do Ambiente.

Temos a perspectiva de fazer um plano de drenagem que assenta fundamentalmente na construção de um túnel que desvie o curso da ribeira de Albufeira directamente para o mar. Nesta primeira fase, o investimento ascenderá a 15 milhões de euros.

Não obstante que o saber científico nos diga que o período de repetição de uma cheia como a de 2015 é, em média, de 100 anos, a verdade é que nenhum cientista se atreveu a dar uma garantia sobre isso. Todos têm consciência de que, face às alterações climáticas, uma situação daquelas pode acontecer em qualquer altura. Daí que a nossa atitude tenha de ser preventiva e não reactiva.

AM – Qual é o prazo de execução da primeira fase da obra?

CSS – Eu gostaria que já tivéssemos começado a obra. Mais: gostaria que já a tivéssemos acabado, mas não posso dar prazos concretos, pois não dependem de mim.

O projecto está a ser feito, há, também, uma fase a cargo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), no sentido de fazer prospecções no terreno para evitar surpresas no decurso da obra. Portanto, há uma série de trabalho que não cabe ao município fazer, temos as entidades competentes contratadas.

A minha ideia é que os projectos estejam acabados, eventualmente, até ao final deste ano, seguindo-se o lançamento do concurso público internacional. Em relação à intervenção no terreno, não penso que seja muito demorada, pois é uma intervenção muito especializada, feita à base de máquinas muito pesadas, por perfuradoras que farão o trabalho avançar muito rapidamente.

AM – Mas, neste momento, estamos a falar de uma primeira fase. O que se segue depois e qual é o valor total do investimento?

CSS – A segunda fase será de recolha das águas pluviais em meia encosta, aproveitando as infra-estruturas que temos ao máximo. Em termos de custos, o valor será mais ou menos igual ao da primeira fase, portanto, no total deverá chegar a cerca de 30 milhões de euros.

“Albufeira é um destino turístico seguro”

AM – Albufeira é considerada a capital do turismo, mas, nos últimos tempos, têm-se registado algumas situações menos positivas e que têm, de alguma forma, manchado a imagem do concelho. Acha que estas situações devem levar a uma profunda reflexão por parte dos agentes do sector sobre o tipo de turismo que se quer para o concelho ou foram casos pontuais a que não se deve dar grande importância?

CSS – Penso que foram casos pontuais, mas nunca devemos descurar este tipo de situações, devemos ter uma atitude preventiva.

Estamos a falar de uma noite. Após uma reunião que tive com o comandante distrital e o de Albufeira da GNR, na noite seguinte, a de despedida, que, supostamente, poderia ser a pior, acabaram por não haver casos nenhuns dignos de registo.

É evidente que são situações novas, a que nós não estávamos habituados. Há liberdade de movimentos, o ser humano goza de uma série de direitos e não cabe a um município entrar nessa esfera. Isto não é estar a desculpar, a sacudir a água do capote, até porque não gosto nada desse tipo de coisas, mas, havendo uma situação que nós conhecemos e que pode ter repercussões, o caminho é imediatamente termos um efectivo policial que garanta a segurança, a tranquilidade e a ordem pública.

AM – E acha que Albufeira tem os meios de segurança necessários para isso?

CSS – Penso que sim, mas nunca é de mais. Penso que temos policiamento adequado mas para prevenir este tipo de situações inesperadas convém ter um reforço. De qualquer forma já temos cá um reforço.

Por outro lado, temos a vertente privada. Já há muito tempo que digo aos hoteleiros que eles devem primar por obedecer apenas a uma coisa que é a lei da oferta e da procura, não é preciso muito mais, não é preciso grandes discursos, nem grandes coisas.

Essa lei, neste momento, diz-nos que a procura aumentou bastante e quando isso acontece e a oferta se mantém, normalmente, o que normal é haver uma subida de preços. Já digo há bastante tempo aos hoteleiros para subirem os preços, sem, evidentemente, entrarem em loucuras, e subam também a qualidade, porque a batalha que estamos a travar é uma batalha concorrencial.

Nós temos qualidade, mas há áreas em que entendo que se pode melhorar. Uma delas é a qualificação da mão-de-obra, deve haver cada vez mais formação, os empresários têm que investir mais na formação e não recorrerem, quase permanentemente, a trabalho sazonal ou temporário e investirem nos salários. Se querem ter bons profissionais, e a qualidade começa nos bons profissionais, têm que pagar de uma forma condigna. Por aí também se faz logo uma selecção e depois têm que corresponder em termos da qualidade dos serviços.

E têm igualmente que saber que o empresário e as empresas têm como um dos seus objectivos o lucro, mas também têm uma função social. Deve-se saber investir a pensar no futuro e não querer o lucro todo só de uma vez.

Estes são aspectos que são importantes. Pelo nosso lado, temos, de alguma forma, regulamentar toda esta actividade, no sentido de que possamos primar pela qualidade, quer no investimento público, e estamos a fazê-lo, mas também no lado empresarial, temos tido diálogo com os empresários que também têm de pensar, fortemente e em conjunto, em arranjar mecanismos que previnam não termos cá pessoas indesejáveis, como foi o caso desse conjunto de indivíduos que vieram cá com o mote “Portugal Invasion”.

Eu dispenso essa gente, já o disse publicamente, não tenho problemas nenhuns em assumir que não quero cá gente dessa. Se eles vieram, tiveram de ser alojados em algum lado, alguém os alojou e alguém lhes organizou festas.

O nosso turismo não deve ir por aí. Ele está, essencialmente, assente no turismo familiar e é por aí que queremos ir sem prejuízo de termos animação nocturna e uma Albufeira alegre e bem disposta.

AM – Não equaciona solicitar videovigilância para as zonas mais frequentadas pelos turistas como a Rua dos Bares?

CSS – Não é a zona mais frequentada pelos turistas. À noite há muita afluência mas não é a mais frequentada. Ali concentra-se uma pequena franja do turismo de Albufeira, se falar em 5% se calhar estou a exagerar.

É evidente quer nos interessa que toda a gente esteja tranquila e em segurança, e aquela é uma zona em que, por regra, as pessoas se sentem bem. A noite de que se fala foi má e as autoridades souberam reagir.

AM – Portanto, não está a pensar pedir a instalação de videovigilância aí ou noutras zonas do concelho?

CSS – Não é uma decisão que caiba ao município. Entendemos que há que ter alguma cautela nessa área porque também há direitos de personalidade que têm de ser protegidos, não obstante a videovigilância poder fazer-se dentro dos estabelecimentos, das áreas privativas.

Externamente, não o podemos fazer, não posso pôr videovigilância nas ruas, é uma área de protecção dos direitos de personalidade. Não sou contrário a isso, posso equacionar a hipótese de solicitá-la pontualmente aqui ou ali.

Mas a regra não é essa, ninguém tem nada que andar a fazer das nossas vidas um reality show. Albufeira é um concelho seguro, não queiram dar destaque a uma situação que se deu numa noite, num local muito específico e com reacção imediata das autoridades. Albufeira é um destino seguro e não terá necessidade de videovigilância, excepto, eventualmente, num ou outro sítio muito pontual, mas isso terá de ser muito ponderado.

(Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 3ª)

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