“O prejuízo das portagens na Via do Infante é superior à vantagem económica que o Estado tira delas”

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Terceira parte da entrevista ao presidente da Câmara de Albufeira. Carlos Silva e Sousa defende que o Estado deve acabar com as portagens na Via do Infante, pois a Estrada Nacional (EN) 125 não passa de uma rua, agora repleta de rotundas e traços contínuos.

(Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 2ª)

AM – Nesta altura, já se começa a ver o resultado das obras de requalificação da Estrada Nacional (EN) 125, que tem suscitado algumas queixas de autarcas e empresários. Do que vê no seu concelho que opinião tem dessa intervenção?

CSS – Acho que a EN 125 é uma rua comercial, muito perigosa e quanto mais tráfego dela for retirado, melhor. Daí que tenha olhado sempre para a Via do Infante como uma alternativa, pelo que não devia ter sido portajada.

Hoje, buscando-se assegurar ou criar alguma segurança, temos, na EN 125, quilómetros de estrada com traço contínuo, em que quase não se consegue ultrapassar em lado nenhum, assim como não se pode fazer inversão de marcha ou ir a um estabelecimento. Isto são incongruências de uma rua que, de facto, não deve estar convertida numa estrada porque não é, de facto, alternativa.

Isto deve ser muito reflectido, sem quaisquer demagogias. Devemos ter em consideração que a Via do Infante foi, inicialmente, pensada e construída para ser uma via meramente alternativa à EN 125. Recordo aqui que o prof. Cavaco Silva parou as obras em Albufeira por uma razão: não havia mais dinheiro. O troço que estava feito foi financiado por dinheiro do Estado e de fundos comunitários. Portanto, de forma alguma se podia prever que esta via algum dia seria portajada.

Depois veio o tempo do socialismo e da engenharia financeira, em que se fazia obras sem dinheiro e até se deu a designação pomposa de SCUT à Via do Infante, que significa “sem custos para o utilizador”. Essa engenharia financeira está hoje a custar-nos porque não só vimos ser portajado todo o troço até Lagos, mas também se concessionou tudo o resto que já estava feito.

São actos que não considero de boa gestão, que prejudicaram e continuam a prejudicar bastante o Algarve. A EN 125 está cada vez pior, congestionada, com cada vez mais estabelecimentos à volta e é muito perigosa, daí se sentindo a necessidade de fazer uma via alternativa.

AM – Há algum tempo, o  seu colega de Monchique veio com a ideia de que, se o Governo não quer utilizar verbas do Orçamento de Estado para acabar com as portagens, então que o Algarve aplique uma taxa turística que sirva para isso. Acha que é uma boa opção?

CSS – Conheço essas declarações do meu colega. A boa opção seria acabar com as portagens, mas não me compete dizer onde é que o Estado vai buscar o dinheiro.

Arranjar forma de participar numa despesa do Estado Central, que não se tem portado à altura e delegar custos para os municípios e para os empresários hoteleiros, enfim, não sei, à partida, não concordo com ela, sem prejuízo de ponderar melhor sobre isso.

Eu olho para as delegações de competências como uma forma de transferir não responsabilidades mas apenas despesas do Estado para os municípios. Há que discernir o que são responsabilidades do poder central e dos municípios.

Na base de tudo isto está a concessão de obras públicas, que acho que deviam manter-se no quadro público, até porque a concessão acaba por nos sair muito mais cara e todos nós. Não concordo também com a ideia de que o Estado é mau gestor, acho que pode ser um bom gestor e a coisa pública deve ser gerida de forma pública.

Tal como não concordo com a privatização das águas em baixa, enquanto eu aqui estiver, esqueçam isso, podem vir as empresas que vierem a acenar com fortunas para o município. Também estive contra que tivessem privatizado a Algar, por exemplo. Há que separar muito bem o público do privado.

AM – Olhando para o resultado das obras da EN 125, constata-se que são só rotundas e traços contínuos, se apanhar um carro a 50 kms à hora à frente, a pessoa leva tempo sem fim para fazer uma viagem de 100 ou 200 quilómetros porque não consegue ultrapassar. Em função disso, não seria uma boa altura para resolver de vez a questão das portagens na Via do Infante?

CSS – Eu penso que sim. Julgo que o futuro terá de passar sempre pela não cobrança de portagens, até porque estou convencido que o prejuízo das portagens é superior à vantagem económica que o Estado tira delas. Basta pensar nos acidentes, na má imagem, na demora e no consumo excessivo de combustível.

As portagens não são, portanto, uma boa solução. Admito que, numa altura de crise, em que temos de apertar os cordões à bolsa, se tivesse tomado, de forma excepcional, essa medida, a qual devia ter acabado logo que essa fase mais complicada estivesse ultrapassada.

De alguma forma, foi o que aconteceu com o IMI em Albufeira, em que já esteve no máximo e agora está no mínimo. São medidas excepcionais e as pessoas até percebem isso.

(Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 2ª)

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