Os heróis que têm de usar a EN 125

2017 foi o ano da ‘requalificação’ de parte da Estrada Nacional (EN) 125. Uma ‘requalificação’ única no país e, se calhar, no mundo. Não percebo como ainda ninguém se lembrou de candidatar esta fantástica obra de arte a Património da Humanidade ou, pelo menos, ao livro dos recordes, o Guiness, na qualidade de estrada com mais traços contínuos e rotundas.

A seguir aos bombeiros, tenho para mim que os grandes heróis do nosso tempo são os automobilistas que têm, com frequência, de palmilhar a EN 125, por exemplo, entre Portimão e Faro.

São uns 60 e poucos quilómetros, em muitos casos, sempre a pisar o travão porque há um carro à frente a 50 à hora, depois aparece uma fila de viaturas paradas ou quase, a seguir uma rotunda e umas dezenas de metros à frente há outro carro a 40 à hora. Tudo isto sem que os desgraçados dos condutores que precisam de chegar ao seu destino tenham hipótese de ultrapassar por causa dos traços contínuos e pinos.

É bem provável que levem perto de 2 horas para fazer o trajecto, o que dá uma média louca de para aí 30 e poucos quilómetros à hora. É claro que perdem bem menos tempo de vida se optarem pela Via do Infante e pagarem a correspondente portagem. E, se calhar, é mesmo essa a ideia.

Inclusivamente, aquela sementeira de separadores colocados na EN 125 para além de colocar o trânsito a circular à velocidade de caracol complica até o socorro em caso de acidente, como já foi assumido, por exemplo, numa ocasião, pelos Bombeiros de Lagoa.

O que é facto é que grande parte das obras feitas são um autêntico aborto. E o ano está a chegar ao fim sem que se veja uma posição coordenada e de força dos autarcas para obrigar a –  sem colocar em causa a vertente da segurança – acabar com as muitas situações fundamentalistas que estão a ser deixadas para trás. Houve uma ou outra voz desgarrada a mandar umas bocas antes das autárquicas, mas praticamente nada minimamente coordenado ou consistente.

Recorde-se que a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, que reúne os 16 presidentes de Câmara da região, vai ficar com competências alargadas ao nível do transporte. Inclusivamente, fez este Verão um grande show-off sobre soluções de transporte inteligente e parece que anda entretida a elaborar planos e mais planos  XPTO sobre esta área.

Devem ser planos para jogar para o lixo, pois não estou a ver que haja uma solução a sério para os transportes e as acessibilidades no Algarve tendo uma EN 125 basicamente para turistas e condutores de fim-de-semana e uma Via do Infante só para gente rica.

Às vezes, pergunto-me para que raio serve a AMAL.

(Opinião, Jorge Eusébio)

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