Leitura dos contadores da água dos lagoenses vai ser automática

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Segunda parte da entrevista ao presidente da Câmara de Lagoa, Francisco Martins, em que se fala do museu, da mudança do parque de máquinas do interior da cidade para a zona da Fatacil, do Centro de Congressos do Arade e das mudanças que vão ocorrer no âmbito do projecto das cidades inteligentes.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 3ª

Algarve Marafado (AM) – Recentemente, abriu a discussão sobre o que deverá ser o futuro Museu de Lagoa e pediu contributos aos munícipes. Isso significa que não tem ideias para aquele equipamento?

Francisco Martins (FM) – Não, a ideia está criada. Nós não caímos no facilitismo de fazer um mero museu do território, em que a gente só lá vai uma vez na vida e, a partir daí, aquilo vai definhando, pretendemos trazer aqui para Lagoa um centro de conhecimento, um centro de documentação, um centro de investigação e lançámos a temática da Cidadania, vai ser um museu único no país.

O apelo que fiz é para que todos os lagoenses participem, de forma a construirmos e dinamizarmos o projecto lançado. A ideia está criada, o mote está dado e a partir dele vamos é todos juntos trabalhá-la.

AM – O que é que tem previsto, em termos de timing? Quando é que o museu poderá ser uma realidade? 

FM – No último ano do actual mandato. Ao longo deste ano vamos cimentar este projecto, ele vai ter dinâmica e distribuição por todo o território do concelho…

AM – Vamos ter pólos do museu nas freguesias?

FM – Sim, vamos ter pólos, inclusivamente, na cidade de Lagoa. O antigo edifício da Câmara será a casa-mãe e ao longo de todo o concelho teremos uma série de apontamentos.

Por exemplo, a vertente conserveira poderá ser instalada na Mexilhoeira da Carregação, a das pescas em Ferragudo, a da natureza e orla costeira em Carvoeiro, a da olaria em Porches e a do vinho em Estômbar. Queremos que quem venha a Lagoa possa tirar o dia para conhecer o concelho no seu todo, tendo sempre por mote esta leitura territorial que é criada pelo museu.

AM – Tem ideia de quanto é que o museu poderá custar?

FM – Não tenho ainda. Para já temos o edifício que, apesar de ter de ser recuperado, fica mais barato do que construir um de raiz.

AM – As obras de adaptação vão ser de monta ou vai tratar-se de uma intervenção simples, de cosmética?

FM – Vai ser preciso um grande trabalho porque, independentemente de ir ou não para museu, o edifício teria sempre de ser alvo de intervenções, sobretudo ao nível da cobertura, porque tem problemas de infiltrações de água.

Estou convencido que em Maio ou Junho já conseguirei ter o valor preciso do custo do museu, que não se esgota na arquitectura, há o equipamento, o audiovisual, toda a dinâmica que ali tem de ser criada, todo o projecto e sustentabilidade, o quadro de pessoal a afectar, tudo isso são contas que vamos ter de fazer, no sentido de sabermos quanto vai custar não só na fase de arranque, mas numa projecção de de 5 a 10 anos e sabermos também qual o retorno que possamos ter.

Parque de máquinas vai sair do centro da cidade

AM – A Câmara, nesta altura, ainda tem lá serviços a funcionar. Para onde é que irão passar?

FM – Esses serviços vão passar para o espaço onde, actualmente, estão os armazéns municipais e o parque de máquinas. É uma zona situada no centro da cidade, o que obriga a uma movimentação constante de autocarros e camiões dentro de Lagoa. Vamos tirar daí estes armazéns e toda aquela zona vai ter uma intervenção em termos de requalificação urbana e vão, então, passar para ali os serviços que se encontram no antigo edifício da Câmara.

AM – O parque de máquinas vai para onde?

FM – Vai para uma zona situada perto da FATACIL, onde estão outros armazéns da Câmara. Ao longo dos anos foram-se construindo armazéns em vários sítios, temos os armazéns das obras, das águas, do saneamento e vamos, agora, começar a juntá-los.

AM – Os equipamentos culturais de que dispõem, que serão enriquecidos com o museu, são suficientes para a dinâmica que, a esse nível, quer dar ao concelho?

FM – Temos bons equipamentos culturais mas, para além do museu, também teremos de construir um novo edifício para o Arquivo Municipal porque o actual é muito pequeno e está completamente lotado e temos material de arquivo espalhado por vários edifícios. De resto, temos uma boa rede de equipamentos culturais.

AM – Que papel tem o Centro de Congressos do Arade, a esse nível?

FM – O Centro de Congressos do Arade é um equipamento da região ou da sub-região, foi assim que ele foi concebido. Mas como nós, aqui no Algarve, acabamos por ter ainda uma visão muito regionalista para a fotografia, mas, no dia-a-dia, muito individualista, e o Pavilhão do Arade, pelo facto de estar sediado em Lagoa, é o nosso Município que, efectivamente, aguentou, ao longo dos últimos quatro anos, aquela estrutura, que está numa situação difícil.

Temos feito muitos eventos no Centro de Congressos do Arade para o dinamizar e até numa perspectiva de o publicitar. É um equipamento que tem como donos quatro Câmaras, a Região de Turismo do Algarve e várias empresas privadas, mas, em termos financeiros, quem o tem suportado é a Câmara de Lagoa.

AM – Nos últimos tempos dá-me a sensação de que se têm realizado lá mais eventos promovidos por outras entidades que não a Câmara. Isso significa que, de alguma forma, se está a conseguir dinamizá-lo e resolver os seus graves problemas financeiros?

FM – Temos conseguido dar uma nova dinâmica ao espaço – havia muita gente que até pensava que aquilo já estava fechado – e levado a que outras entidades também ali realizem muitos eventos.

Quanto à situação financeira, espero que consigamos resolvê-la, mas é difícil porque a dívida é grande, como é sabido está em Processo Especial de Revitalização (PER), mas se todos pensarmos que aquilo é um equipamento regional e não de Lagoa, com o envolvimento de todos, a possibilidade é maior. A partir do momento em que as pessoas se demitam dessa leitura, torna-se mais difícil, mas vamos trabalhando para que se consiga inverter o rumo.

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Leitura dos contadores da água vai ser feita de forma automática

AM – Nos próximos dias vai ser apresentado o projecto de Lagoa, Cidade Inteligente. O que é isto e de que forma vai mudar a forma de gestão da Câmara e a vida do cidadão comum?

FM – Começámos a trabalhar nesta área no início do mandato anterior, temos um Centro Operacional, que é isso que vai ser inaugurado, onde se tem uma monitorização sobre todo o concelho e que vai trazer muitas vantagens.

Vai ser lançada uma aplicação, que os lagoenses podem carregar nos seus telemóveis e quando se deparam com situações no espaço público, como um buraco no passeio, tiram uma fotografia , que automaticamente fica geo-referenciada, enviam-na através dessa aplicação e ficamos a saber que naquele espaço há um buraco que precisa de ser tapado. O sistema encaminha o caso para o serviço respectivo, a pessoa que detectou o problema recebe uma notificação e em qualquer altura pode saber em que ponto de resolução aquilo está.

AM – Creio que esse sistema também vai provocar alterações ao nível dos contadores da água…

FM – Temos feito uma aposta grande ao nível da redução das perdas de água. Quando chegámos tínhamos cerca de 46%, se não me falha a memória, e hoje já conseguimos estar na casa dos 30/34%, mesmo assim, muito acima do que queremos. Vamos ter esse sistema de contadores inteligentes na rega, com controlo do nível de humidade e de exposição solar, o que permite saber que quantidade de água é, efectivamente, necessária em cada espaço.

Na  gestão de frotas da recolha de lixo vai haver um sensor em cada ilha ecológica que indica qual é a carga que têm, o que vai ter consequências ao nível do circuito de recolha, de combustível, de horas de trabalho, de barulho… jogamos com duas coisas: melhor gestão, do ponto de vista financeiro, e melhor eficácia, do ponto de vista ambiental.

AM – Mas ainda no que diz respeito aos contadores da água na casa das pessoas, julgo que esse sistema vai fazer com que, a médio prazo, a sua leitura passe a ser automática…

FM – Exactamente.

AM – Vão ter que substituir os contadores ou os que estão montados permitem a leitura automática?

FM – Os da primeira geração não dão. Estes são investimentos que têm de ser feitos porque nos vão trazer retorno do ponto de vista financeiro e ambiental.

(Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio)

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