Francisco Martins espera que o ‘cemitério de carros’ da GNR seja relocalizado

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Terceira parte da entrevista ao presidente da Câmara de Lagoa, Francisco Martins, em que, entre outros temas, se fala dos projectos para Ferragudo, do caso do ‘cemitério dos carros’ no Parchal e da aposta feita no vinho do concelho.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 2ª

Algarve Marafado (AM) – Quando é que avançam as obras que estão previstas para Ferragudo?

Francisco Martins (FM) – Vamos iniciá-las em 2019. Mais do que do ponto de vista de requalificação urbana, a grande complexidade daquela obra é a a parte hidráulica, uma vez que vamos mexer no canal, alterar a sua fisionomia, manter ali um espelho de água permanente, tudo isso joga com as marés, as linhas de água e esse é um trabalho técnico a aprofundar.

É uma intervenção que vai ser desenvolvida em três fases por isso e também pelo facto de estarmos no Algarve, em que só temos seis meses para levar este tipo de obras por diante, nos outros seis meses, em zonas turísticas não se pode estar a esventrar estradas. Portanto, se tudo correr bem, no início do próximo ano aquela obra é lançada.

AM – Para além do espelho de água, o que mais envolve as intervenções que vão ser levadas a cabo em Ferragudo?

FM – É o espelho de água e a requalificação de toda a zona envolvente ao canal até ao edifício do Salva-vidas.

AM – E os parques de estacionamento?

FM – Os parques de estacionamento, quer o de Ferragudo, quer o de Carvoeiro, vão ser também lançados. Este ano já iremos lançar um deles e o outro avançará no próximo ano. Em termos de qual é que vai ser primeiro, isso depende de vários factores, do ponto de vista económico e da complexidade do processo. O projecto de Ferragudo, em termos arquitectónicos, já está feito e o de Carvoeiro está a ser elaborado.

AM – Relativamente aos projectos que têm para a Praia da Angrinha já chegaram a acordo com as entidades que intervêm naquela zona?

FM – Vamos ter agora uma reunião com essas entidades (Capitania, Associação Portuguesa do Ambiente, Administração dos Portos de Sines e do Algarve e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve) para continuar a desenvolver esse processo.

AM – Em concreto, o que é tencionam fazer ali?

FM – Vai ficar com três estacionamentos, passadiço, um centro náutico – actualmente o que há lá é um contentor. A zona das barracas dos pescadores vai ser demolida e vamos criar condições para eles. Temos aqui uma situação em há 20 barracas mas os pescadores são só 4.

AM – Naquele processo de descentralização de competências para as autarquias que o Governo está a preparar, aquele tipo de espaços não passa para a Câmara?

FM – Algumas dessas competências irão passar, por aquilo que conheço do documento. Prevê-se que toda a gestão da zona ribeirinha passe para as câmaras.

Autarca não tem conhecimento da impermeabilização do terreno ter sido feita

AM – Relativamente ao chamado ‘cemitério dos carros’ que a GNR instalou ao lado do porto de pesca e em frente do Centro de Congressos do Arade, como está o processo? A Câmara tinha disponibilizado um terreno alternativo, houve reuniões, as coisas pareciam estar bem encaminhadas, mas a verdade é que os carros continuam no mesmo sítio. Não vão sair dali?

FM – Houve muito boa vontade de toda a gente, a Câmara de Lagoa apresentou alternativas, não foram aceites, temos tido vários contactos, várias conversas, até hoje ainda não se conseguiu resolver o problema, mas acredito que, mais dia, menos dia, isso vá acontecer.

Requalificámos a zona envolvente, desde a ponte ‘velha’ do Arade até à vila do Parchal e vamos continuar até Ferragudo, também acho que acabará por ser feita a Marina, vai ser uma zona cada vez mais requalificada e não faz sentido, como eu disse desde o primeiro dia, termos ali aqueles monos expostos.

AM – Por aquilo que é público, parecia haver abertura da parte do Governo para aceitar o terreno alternativo apresentado pela Câmara. Os obstáculos vieram da parte da GNR?

FM – Pelo que me foi dado a conhecer, terá sido isso que aconteceu.

AM – Aquela é uma zona sensível, está junto à Docapesca e ao Rio Arade. Por aquilo que tem conhecimento, terá havido impermeabilização do solo para evitar infiltrações de óleos e combustíveis até ao rio?

FM – Tenho alertado para isso desde o primeiro dia. Daquilo que tenho conhecimento, essa impermeabilização não foi feita. Qualquer particular que queira fazer um parque daqueles tem, obrigatoriamente, do ponto de vista legal, no mínimo, de fazer essa impermeabilização e, pelo que sei, aquele não tem, o que é um risco acrescido. O Estado, muitas vezes, actua, infelizmente, quando acontece alguma situação grave e depois obriga a gente a ir atrás a lamentar e a dizer que temos de intervir…

AM – O Porto de pesca fica no concelho de Lagoa mas é conhecido como o porto de Portimão. Há alguma relação conjunta entre as duas Câmaras em relação a ele?

FM – Trata-se do porto do Arade, que é conhecido por algumas pessoas como porto de Portimão. É aceitável que as pessoas façam essa associação, já não é tão aceitável quando são as entidades que, umas por desconhecimento e outras por aproveitamento, não consigam repor a verdade. O porto fica no concelho de Lagoa e e as chatices, digamos assim, são todas para o Município de Lagoa. Quem tem de limpar e dar uma ajuda somos nós.

A gente tem consciência que Portimão é uma cidade que teve durante muitos anos uma exposição muito forte, era muito mais conhecida que Lagoa. Aconteceu-me perguntarem-me de onde é que era, dizia que era de Lagoa e depois tinha que acrescentar que se tratava de uma cidade que ficava ao pé de Portimão para que as pessoas dissessem “já estou a ver”. Era um ponto de referência do Algarve, tal como Albufeira.

Aposta na promoção do vinho vai continuar

AM – A aposta que a Câmara de Lagoa tem feito na promoção e divulgação do vinho do concelho é para continuar neste mandato?

FM – É para continuar. Trata-se de um produto relativamente ao qual temos um laço de identidade muito forte, desde há muitos anos. Continuamos a ser procurados por alguns produtores que para cá querem vir, alguns até já se instalaram, recentemente veio mais um, da África do Sul e, portanto, é uma aposta de crescimento.

A Câmara de Lagoa é um parceiro, em termos de apoio, promoção e divulgação, e os produtores sabem disso, temos uma relação óptima e trabalhamos todos no mesmo sentido.

AM – Olhando para o mandato anterior, em termos concretos e objectivos, entende que essa aposta valeu a pena?

FM – Valeu a pena. Levámos Lagoa a todo o lado, a nível nacional e internacional. Essa promoção que fizemos do nosso concelho, essa afirmação, em termos de destino e de qualidade do produto que estávamos a apresentar como nosso embaixador valeu a pena. Ainda hoje temos muitos contactos e relações que fizemos ao longo dessas acções de promoção.

AM – Ao nível da educação, um dos maiores investimentos que a autarquia prevê realizar é na Mexilhoeira da Carregação. Que projecto é esse?

FM – Este ano em Lagoa, o ano é exactamente dedicado à educação. Em termos de obra física, temos duas principais intervenções. O procedimento de uma delas já saiu, trata-se da ampliação do refeitório da Escola Primária e Jardim de Infância de Lagoa, que implicará um investimento à volta de 800 mil euros.

A outra é o Centro Escolar da Mexilhoeira da Carregação, relativamente ao qual o primeiro passo é a aquisição do terreno ao lado, o que será feito em Fevereiro. O projecto de arquitectura está elaborado, estão a ser desenvolvidos os das especialidades. Será uma intervenção ao nível da cantina, novas salas de aula e outros espaços, em termos físicos. Depois, em termos de funcionamento, será uma chamada ‘escola do futuro’, que irá aliar todas as novas linguagens que há na educação, ao nível das novas tecnologias. Será uma espécie de tubo de ensaio para o que queremos fazer em todo o concelho.

AM – Em determinada altura falou-se muito da falta de médicos no concelho. Nesta altura, como é que estão as coisas, nesta área?

FM – Temos tido um trabalho de insistência junto das entidades responsáveis. Têm vindo novos clínicos para cá, a cobertura está mais perto das necessidades que o concelho tem, ainda não completamente, mas está muito melhor do que esteve até há dois ou três anos.

(Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio)

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