“A rádio que ouviu Portimão” está de volta sob a forma de livro

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As chamadas ‘rádio piratas’ foram um dos grandes fenómenos da comunicação social surgidos na década de 1980.

Algumas tornaram-se grandes fenómenos de popularidade, como a Rádio Portimão, que funcionou de 1985 a 1988, altura em que, como todas as outras, foi obrigada a desligar os seus emissores para que tivesse lugar o processo de legalização.

Acabou por não conseguir obter o ambicionado alvará, não voltou a emitir, mas ficou para sempre na memória de muitos algarvios.

Na próxima Terça-feira, pelas 11 horas da manhã, é lançado na Casa Inglesa, em Portimão, um livro que recorda esses tempos, com testemunhos de muitos os que lá fizeram programas. Chama-se “A Rádio que Ouviu Portimão” e aqui fica a 1ª parte de uma entrevista a Paulo Jorge Correia, o principal responsável pela obra.

Leia AQUI a 2ª parte da conversa

Algarve Marafado (AM) – O que te levou a avançar com este livro?

Paulo Jorge Correia (PJC) – É uma ideia que já tenho há muito tempo. Eu fiquei com uma série de cassetes da Rádio Portimão e, em determinada altura, pensei que ou jogava aquilo fora ou tinha de fazer alguma coisa com elas que valesse a pena. Primeiro pensei em pedir a alguém que me digitalizasse o som, de forma a fazer um CD que ofereceria ao Museu de Portimão e às pessoas que colaboraram na rádio.

Depois pensei no livro, mas é complicado uma pessoa sozinha, 30 anos depois, fazer a história da rádio. No ano passado, o Armando Santana, o Carlos Carrelo, o Adriano e o Ilídio Poucochinho lembraram-se de fazer um jantar com o pessoal que fez parte da rádio.

Na altura comecei a olhar para aquelas pessoas todas e pensei: está aqui o livro. O Emanuel Valente tinha muitas fotografias, que eram outro dos ingredientes fundamentais para o projecto. Disse-lhes, então, que ia fazer o livro, com base nas memórias que eles tinham da rádio. Em vez de ser eu a escrever tudo, cada um deles lembrou uma parte da história, recolhi os seus depoimentos e transcrevi para o livro.

AM – Foi difícil e levou muito tempo recolher as histórias de todos?

PJC – Foi. Aliás, fazer o livro dava outro livro…  Levei um mês e tal para recolher o depoimento do Ilídio Poucochinho, por exemplo.

O processo iniciou-se em Fevereiro de 2017, aquando do jantar. Em Maio pedi ajuda ao Armando Santana para me arranjar os contactos de muita daquela malta, falei com alguns e aí em Julho/Agosto isto começou a ganhar forma e comecei a pensar como é que ia financiar o livro.

Passei pela Junta de Portimão e fui ter com o Álvaro Bila [presidente da Junta], falei-lhe do projecto e perguntei-lhe se achava que tinha pernas para andar, se as autarquias poderiam apoiá-lo. Ele disse-me que Portimão tem falta de memória, precisa deste tipo de documentos, motivou-me a ir em frente e que, apesar da Junta não ter grande folga financeira, haveria algum apoio para um projecto com estas características.

A partir daí fiquei convencido que havia possibilidade de conseguir o dinheiro necessário para levar o projecto a bom porto. Entretanto, surgiram, também, algumas empresas privadas, o Armando Santana  conseguiu o apoio da Masterrent, o que deu um bom ‘empurrão’. E à medida que ia conseguindo estes apoios, comecei a pensar que já não podia voltar atrás, mas ainda não tinha o dinheiro todo nem sabia como é que o iria conseguir.

Fui à Junta de Alvor e o seu presidente, Ivo Carvalho, também se disponibilizou para ajudar. Depois surgiu a Câmara de Lagoa, cujo presidente, Francisco Martins, que se chegou imediatamente à frente, devido ao facto de ter havido pessoal do concelho, em especial de Ferragudo e Estômbar, a colaborar na rádio. E, naturalmente, também a Câmara de Portimão apoiou o livro.

AM – A Rádio Portimão mexeu, realmente, com o concelho, teve grande impacto no final dos anos 1980. Ao fim destes anos todos, a que achas que isso se deveu?

PJC – Acho que resumo isso no título: “A rádio que ouviu Portimão”, foi isso que fez a diferença. Era uma rádio que tinha o telefone e o microfone sempre abertos. Todos os dias havia programas feitos na rua, num bar ou num café, com pessoas que o cidadão comum conhecia.

AM – Havia um radialista, em especial, que era muito popular, um pescador…

PJC – Sim, o Álvaro Rocha, que ia de Ferragudo, de barco e até, algumas vezes, a nado.

Ele conta no livro que, quando chovia muito, chegava à Fortaleza de Sta Catarina e a PSP dava-lhe boleia até aos estúdios da rádio, instalados no edifício Squash, a Praia da Rocha.

Era alguém com quem as pessoas se identificavam, provavelmente o maior trunfo da rádio era ele, movimentava toda a gente e de todos os estratos sociais.

Era curioso que ele fazia, no programa, um concurso de poesia e quem mais participava eram quadros das grandes empresas que, na altura, tinham actividade em Portimão.

AM – Para além do livro, também há um CD onde se podem ouvir sons de programas da rádio?

PJC – Sim, tem um CD e uma App com sons. Mas antes que me esqueça deixa-me dizer que isto é uma homenagem a 10 antigos colegas que já morreram: o Gonçalo Barata, a Malú, o Calita, o Mário Jorge, a Célia, o João Santos, o Alberto Boto e o Herlander, o Henrique Calapez e o Álvaro Rocha…

AM – Que faleceu pouco depois de te dar o depoimento para o livro…

PJC – Sim, faleceu 4 ou 5 dias depois de ter falado com ele. Andei aí uns dois meses a tentar encontrá-lo, mas já estava doente e era complicado, mas, felizmente, houve um dia que fui a Ferragudo e lá falámos.

Leia AQUI a 2ª parte da conversa

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