“Este vai ser o mandato mais difícil”

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Primeira parte de uma entrevista ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, em que se abordam temáticas de âmbito político.

Leia aqui a 2ª parte da entrevista

Algarve Marafado (AM) – A vitória tão expressiva que conseguiu nas autárquicas surpreendeu muita gente. Também o surpreendeu a si?

Adelino Soares (AS) – Para ser sincero, não me surpreendeu porque trabalhámos para isso, embora saibamos que nunca tinha acontecido uma vitória tão esmagadora (4 eleitos para a Câmara num universo de 5). É o culminar de uma série de anos de trabalho que teve o reconhecimento das pessoas do concelho.

AM – Essa vitória ficou mais a dever-se à personalidade do Adelino Soares, à obra realizada ou a algum demérito dos seus adversários?

AS – Quando se ganha, se calhar é um bocadinho de tudo, mas acima de tudo tem a ver com a forma honesta como temos vindo a trabalhar, mesmo sem fazer grandes obras físicas, as pessoas reconhecem o quanto nos empenhamos.

AM – Os conflitos que teve no mandato passado com pessoas que eram seus apoiantes tiveram a ver com questões políticas ou incompatibilidade pessoais?

AS – Quando há conflitos também é um bocadinho de tudo. Houve pessoas que, numa determinada altura, se concluiu que não não se reviam no nosso projecto que visa, essencialmente, o apoio à comunidade.

AM – Agora, com maioria absoluta, vai contar com o contributo da oposição ou impor as suas posições?

AS – Vamos continuar a fazer como até aqui. Continuaremos a acolher tudo o que sejam projectos interessantes, embora tenhamos alguma dificuldade em perceber que projectos interessantes a oposição tem, uma vez que desconheço qualquer programa eleitoral, exceptuando o nosso.

AM – O facto de ter agora maioria absoluta nos órgão autárquicos é uma situação confortável para si ou até já é tranquilidade a mais a que não está habituado, tendo em conta os conflitos e as dificuldades políticas que enfrentou nos mandatos anteriores?

AS – Para mim vai ser o mandato mais difícil de todos porque é o último, porque vem na sequência de algum destaque que tivemos a nível nacional, com prémios atribuídos. Somos dos melhores municípios do país em termos do índice de transparência, somos dos melhores municípios do país a nível informático, temos respondido muito bem às necessidades dos cidadãos e isso só nos dá mais responsabilidades neste mandato.

Isto é quase aquele tipo de situação de que quando se está no topo, a tendência é de queda, não queremos que isso aconteça e quem quer sair a bem, com uma governação marcante, não pode alguma vez pensar que isto está tudo ganho, que já não há mais nada a fazer.

Sabendo que reduzimos muita dívida e havendo agora liquidez para investir e a oportunidade de aproveitar este novo quadro comunitário de apoio, é nossa ideia agarrar essas oportunidades…  este será o mandato mais difícil, mas provavelmente o de maior visibilidade. Tivemos, no início, algumas dificuldades a nível financeiro, hoje isso não acontece, mas a responsabilidade é a mesma.

AM – Foi difícil convencer o PS, a nível nacional, a apoiá-lo contra os elementos que, na altura, estavam à frente da comissão política local?

AS – A nível local não me quiseram, a nível regional também foi assumido que apoiavam a estrutura que liderava a concelhia e a decisão veio de Lisboa. Fiquei satisfeito, trabalhei para que isso acontecesse, mas se não tivesse acontecido teria sido candidato na mesma.

AM – Ficou magoado com a Federação do PS por não o ter apoiado? Como é que está o seu relacionamento com os órgãos regionais do PS?

AS – Na minha vida não costumo guardar mágoas. Defino aquilo que são as prioridades para mim, para o município – e por isso disse sempre que iria ser candidato, independentemente de ter ou não o apoio do partido, porque tinha esse compromisso com a população – e acabei por ter o apoio do PS, a nível nacional, que é quem tem a última palavra.

Não há mágoa nenhuma, houve diferentes visões políticas e quem tomou a decisão [a nível regional] será responsabilizado por isso na altura em que, eventualmente, for chamado a eleições no próprio partido. Aliás, as eleições a nível regional vão ter lugar brevemente e já decidi apoiar o Luís Graça, que foi uma pessoa que sempre esteve ao meu lado.

Ser deputado? Porque não? Já vi muitos com menos capacidade do que eu ocuparem esse cargo

AM – Algumas concelhias do PS foram a votos em Janeiro, outras, como a de Vila do Bispo, ainda não foram, creio que isso vai acontecer em Março. Consta que vai avançar para a presidência da concelhia. Confirma isso?

AS – Confirmo, vou concorrer. Não sou muito defensor de que quem é presidente de Câmara seja também presidente da estrutura partidária local, mas tendo em conta o que aconteceu nos últimos anos em que assumi esse princípio e não me dei muito bem, acho que é a melhor decisão, até porque não vou decidir nada para mim no futuro, uma vez que já não posso ser candidato à presidência da Câmara. Mas quero criar condições para que haja estabilidade partidária e para que ela se mantenha quando eu sair. Portanto, vou envolver-me a nível partidário, vou concorrer e se ganhar vou trabalhar para que o processo de candidaturas aos próximos órgãos autárquicos decorra de forma tranquila.

AM – A nível nacional, como é que vê a governação socialista apoiada por PCP e Bloco, uma realidade nova na política nacional?

AS – Quem, como eu, governou a fazer negociações e a ultrapassar dificuldades, sabe que não é uma situação fácil, seria melhor que o PS tivesse maioria para implementar determinadas políticas.

Pessoalmente, faço uma avaliação muito positiva, o país está melhor, tem vindo a crescer, tem-se restituído alguns direitos aos trabalhadores e aos próprios município.

É certo que parte dessa melhoria depende da conjuntura internacional, mas há muito mérito da parte do Governo e sobretudo do 1º ministro, que tem sabido ultrapassar situações complicadas, tem um grande poder negocial, tem sido um excelente governante e um grande estratega político.

AM – Pensa que Rui Rio vai ser um adversário mais ou menos difícil do que Passos Coelho para António Costa?

AS – Acho que isso vai ter a ver sobretudo com o mérito ou demérito do Governo e de António Costa. Se continuar a governar assim, ganhará por mérito, independentemente de quem for o adversário. Acho que o PS vai merecer, novamente, a confiança dos portugueses devido ao excelente trabalho que está a fazer.

AM – Está a cumprir o seu último mandato. Já pensou o que vai fazer depois?

AS – Não sei se irei ou não cumprir os 4 anos do mandato. Mas, independentemente disso acontecer ou não, é legítimo que queira ter outro cargo, a fazer algo que me motive e me faça sentir realizado, dentro da política ou no sector privado. E sei que quanto melhor for o meu mandato, quanto mais empenhado aqui estiver, mais possibilidades terei de que isso aconteça.

AM – Vê com bons olhos, por exemplo, a possibilidade de ser deputado?

AS – Porque não? Já vi muitos com menos capacidade do que eu ocuparem esse cargo. Mas se não for no plano político será no privado, porque acredito nas minhas capacidades, no trabalho que tenho vindo a fazer num território que não é fácil.

Uma coisa é ser presidente de Câmara de uma capital  de distrito ou de um município com grandes capacidades financeiras e com grande visibilidade, outra coisa é ser presidente de um território com dificuldades económicas, com muito menos visibilidade e conseguir fazer com que seja reconhecido em todo o país… acho que isso deve-se também a alguma capacidade autárquica.

Leia aqui a 2ª parte da entrevista

(Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio)

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