Os segredos do sucesso do ‘Choque Frontal ao Vivo’

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Primeira parte de uma conversa com Ricardo Coelho e Júlio Ferreira, que, mensalmente, apresentam no Teatro Municipal de Portimão (TEMPO) o programa ‘Choque Frontal ao Vivo’.

Começaram na Black Box, uma sala onde só cabem 50 pessoas, mais tarde passaram para o Pequeno Auditório, que tem uma lotação de 125 mas, mesmo assim, na maior parte das vezes, há gente que fica de fora por falta de espaço.

Leia aqui a 2ª parte

AM – O Choque Frontal é um programa da Rádio Alvor que existe já há muitos anos. Como é que surgiu a ideia de fazer uma versão ao vivo?

Ricardo Coelho (RC) – Em determinada altura, eu e o Júlio Ferreira fizemos um programa ao vivo num mercado e gostámos da experiência. No final, o Júlio sugeriu que fizéssemos um espectáculo no TEMPO (Teatro Municipal de Portimão). Respondi-lhe que há uns anos tinha pensado nisso, ainda fiz uns contactos, mas, na altura, acabou por não se concretizar a ideia e nunca mais pensei nela. Ele ofereceu-se para apresentar o programa comigo e concordei. Esta conversa deu-se a num Sábado e na Segunda-feira seguinte começámos a tratar das coisas.

AM – E foi fácil concretizar o projecto?

Júlio Ferreira (JF) – Estávamos conscientes das dificuldades. Fomos falar com os responsáveis do TEMPO e sugerimos fazer o programa na Black Box. Por um lado, porque era uma sala pouco utilizada e, por outro, porque entendíamos ser o espaço ideal para acolher o programa, que queríamos que fosse intimista. Também é verdade que tínhamos algum receio sobre a receptividade do público, nunca pensámos que acabasse por ter o sucesso que tem. E, portanto, ao ir para aquela sala que tem lotação para 50 pessoas, ficávamos ‘defendidos’, se lá conseguíssemos colocar 30 ou 40 espectadores já seria bom, a sala pareceria estar quase cheia.

RC – Começámos a pensar em artistas para lá levar e um dos contactos que fizemos foi com o responsável de uma editora que nos disse que aquilo era um projecto muito giro e começou a dar-nos sugestões de nomes de artistas. A primeira banda de fora da região que cá veio foram os Benshee, curiosamente, dos primeiros a disponibilizarem-se para isso. Só que, acho que estávamos em Novembro, eles queriam vir em Abril e eu tinha dúvidas que o programa durasse esses meses todos.

AM – Trazer ao TEMPO artistas e bandas da região, em princípio, em termos logísticos, não deverá ser muito difícil, mas têm tido gente vinda de Lisboa e de outros pontos do país, o que já é mais complicado. Como é que conseguem isso, tendo em conta que vocês não têm cachet para lhes pagar?

RC – É o grande problema…  Por isso é que, no início, fizemos uma lista constituída, essencialmente, por amigos nossos da região, que seria fácil convencer a alinhar. Mas, quando há uma pessoa de uma editora nacional que acha a ideia gira, abrem-se outras possibilidades. Depois, o que começou a acontecer foi o boca-a-boca. Um artista ou um grupo de outro ponto do país que veio cá e gostou, falou nisso a amigos dele que também são músicos e que ficaram interessados… a partir daí era uma questão de aproveitar uma altura em que viessem ao Algarve.

JF – Nós começámos com o Nanook e e eu, ainda em Novembro, organizei a gala dos Bombeiros onde consegui levar o Sam Alone. Aproveitei a oportunidade para tentar convencê-lo a vir também ao Choque Frontal, ele concordou e foi o segundo a estar no programa. Tudo o resto foi uma questão de aproveitar as oportunidades que iam surgindo.

Aos poucos, começámos também a acrescentar algo mais ao Choque Frontal. Uma das ideias que surgiu foi a de promover produtos regionais algarvios. Eu sugeri o vinho algarvio, através de uma colaboração com a Rota dos Vinhos, e o Ricardo foi falar com o dono das Delícias de Portimão, que já colaborava com a rádio, e que passou a confeccionar os bolos que oferecemos aos espectadores no final de cada espectáculo, juntamente com o vinho.

Depois surgiu a colaboração do pintor João Sena. Combinei um encontro com ele e o Ricardo e quando chegámos ao seu atelier, estava a pintar uma tela que lhe tinha pedido para os Bombeiros. O Ricardo ficou muito agradado com o trabalho dele, que não conhecia bem, e o João alinhou logo na brincadeira e, no fundo, acaba por ser, de nós três, aquele que mais trabalho tem.

RC – O João começou logo por pintar uma tela com aquela que seria a primeira imagem do Choque Frontal… Nesta altura já perdemos a conta dos quadros que ele pintou para o programa, mas são bastantes. Depois, e para além disso, também retratou alguns dos convidados que passaram pelo Choque Frontal ao Vivo, que me deixaram de boca aberta. Ele é fabuloso.

JF – Temos a ideia de, mais cedo ou mais tarde, fazer uma revista em papel ou digital, com textos de todos os artistas que passaram pelo Choque Frontal ao Vivo, com as imagens das telas do João, já com os respectivos nomes atribuídos pelos ouvintes, e também com alguns textos sobre os trabalhos do João escritos por ouvintes e por pessoas que já passaram pelo programa.

AM – Ao fim de alguns programas tiveram que mudar da Black Box para o Pequeno Auditório do TEMPO que, muitas vezes, até já faz jus ao nome e é realmente pequeno para acolher todas as pessoas que querem ir ao espectáculo…

RC – Acho que o primeiro Choque Frontal ao Vivo no Pequeno Auditório foi com o Môce dum Cabréste, porque é uma pessoa da terra, o espectáculo estava inserido no Março Jovem e também porque houve um problema com a mesa de mistura da Black Box, que até acabou por calhar bem e lá fomos experimentar o Pequeno Auditório.

JF – É de referir que, a partir de uma determinada altura, o TEMPO destacou um técnico em exclusivo para o programa, nós só temos de avisar com antecedência quando é que é o programa e ele trata da parte técnica.

Os 50 lugares da Black Box já eram poucos e agora os 125 do Pequeno Auditório também. Por exemplo, antes do programa com o José Cid tivemos algumas noites complicadas porque havia muitas pessoas que queriam ir, nós queríamos que elas fossem, mas não tínhamos forma de as colocar lá e também não queríamos ir para o Grande Auditório, pois havia essa possibilidade, porque aí perdia-se a essência do programa, que é aquela intimidade entre o artista e o público.

No futuro, tencionamos levar artistas que estiveram na Black Box ao Pequeno Auditório…

RC – Pois. Se me perguntarem se gostámos mais de fazer programas na Black Box ou no Pequeno Auditório eu digo que foi na Black Box porque é mais pequeno, proporciona um ambiente mais engraçado, mais acolhedor. Mas, olhando para trás, ficámos com a ideia de que tivemos ali alguns artistas que podiam ter ido ao Pequeno Auditório.

É o caso do Sam Alone e da sua banda, o pessoal do TEMPO ficou até um bocado atrapalhado quando dissemos que ele ia tocar na Black Box, disseram-nos que nunca tinham colocado uma bateria naquele espaço e que íamos rebentar com os tímpanos das pessoas. A verdade é que correu muito bem, mas é um espectáculo que, se calhar, se adequava mais ao espaço do Pequeno Auditório. E quando falo do Sam Alone, posso falar de vários outros artistas que actuaram na Black Box.

Por exemplo, com os Aurora foi complicado porque só tínhamos 50 lugares e havia fãs deles a ligar-nos de todos os pontos do Algarve que queriam vir vê-los e não foi fácil convencê-los a não virem porque diziam que não se importavam de ficar de pé ou sentados no chão.

AM – O nome mais famoso ou com maior currículo que tiveram foi o José Cid. Como é que o convenceram a vir cá?

JF – Quando recebemos o novo disco do José Cid, que a editora nos tinha enviado, reparámos que havia na contracapa um número de telemóvel para marcação de entrevistas. Ao ver aquilo disse para o Ricardo: “como estamos quase a fazer um ano de Choque Frontal ao Vivo, que tal se convidasse o homem para vir cá?” Debatemos a questão, pensámos que a chamada iria parar ao agente dele, que nos colocaria uma série de questões e problemas, mas, mesmo assim, lá acabei por telefonar e foi o próprio José Cid que atendeu.

Disse-lhe que tínhamos acabado de receber o disco, que gostávamos de o entrevistar e expliquei-lhe o conceito do programa. Perguntei-lhe se tinha algum espectáculo na zona, ele foi buscar a agenda e disse que tinha um a 27 de Janeiro em Silves. Sugeri-lhe que fizéssemos o programa no dia anterior ou no dia seguinte e arranjávamos-lhe estadia cá para passar a noite.

Ele respondeu que tinha um espectáculo noutro ponto do país no dia anterior e que também gostava era de dormir na sua cama. Portanto, ficou de vir cedo para o Algarve, trazendo o piano debaixo do braço e de fazer o programa em Portimão à tarde, seguindo, depois, para Silves onde, à noite, tinha o concerto marcado. Foi assim que o José Cid actuou no nosso programa de aniversário e foi das pessoas que nos deu mais gozo entrevistar.

 

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