“Há muitos bons músicos e bandas no Algarve”

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Segunda parte da conversa com Ricardo Coelho e Júlio Ferreira, que, mensalmente, apresentam no Teatro Municipal de Portimão (TEMPO) o programa ‘Choque Frontal ao Vivo’.

Leia aqui a 1ª parte

AM – O formato do Choque Frontal ao Vivo que inclui actuação musical, entrevista, apresentação de vinho e de quadros, para além do convívio final com o público, não deve ser muito comum no país… 

Júlio Ferreira (JF) – Não é, não. Quando alguém com a experiência e a carreira que o José Cid faz grandes elogios ao programa e ao formato, isso faz-nos ver que não é assim tão comum. O programa tem uma filosofia que até nos leva a recusar artistas que achamos não se enquadrarem nela…

Ricardo Coelho (RC) – E isso não tem a ver com o facto de se tratar de alguém que é ou não é muito conhecido, não estamos a medir a fama de ninguém, o que por vezes acontece é que achamos que alguns não encaixam no formato do programa.

AM – Nesta altura já há um bolo e uma piza com o nome do programa. Há mais produtos na calha para os próximos tempos?

JF – São situações que surgiram a partir de uma brincadeira. Sugerimos o bolo com o nome do programa e o pessoal da Delícias achou engraçado e confeccionou-o. Quanto à piza, um amigo nosso, que é assíduo ouvinte e que tem ido a quase todos os programas ao vivo, abriu uma pizzaria e até partiu dele a ideia de fazer uma piza com o nosso nome.

São, de alguma forma, sinais da popularidade crescente do Choque Frontal ao Vivo. Aliás, no programa de 28 de Fevereiro pensámos em voltar às origens, ou seja, à Black Box do TEMPO, mas em praticamente 10 horas, esgotaram os 50 lugares disponíveis e meia-hora depois já tínhamos mais 20 pedidos suplementares e tivemos que decidir fazer o programa com o Ricardo J. Martins no Pequeno Auditório.

RC – Acho que, depois dessa situação, muito dificilmente vamos voltar à Black Box.

JF – O que constatamos é que há cada vez mais pessoas que gostam do programa, que entendem o seu formato e, às vezes, até já nem interessa saber quem é o convidado porque o selo de qualidade do Choque Frontal ao Vivo é de tal forma que garante que qualquer artista que lá vá é de qualidade.

AM – Isso terá também a ver com o facto de não se tratar de um concerto, é um programa que tem mais do que isso. A pessoa até pode não apreciar particularmente um dos artistas que lá vai e, provavelmente, não iria a um seu concerto, mas vai por causa do ambiente, da conversa e de todas as outras envolventes do programa…

RC – A nossa preocupação foi sempre explicar isso e ficamos felizes por verificar que as pessoas entendem que vão a um programa de rádio e não a um espectáculo. Não vão lá porque o artista é o A, o B ou o C, vão porque experimentaram uma vez e gostaram… no fundo o que fazemos ali é o que fazemos em estúdio quando entrevistamos um cantor ou uma banda. A única diferença é que, em vez de pelo meio, irmos passando música de cd’s, ali é o artista que toca e canta.

AM – O primeiro ano de emissões ao vivo já lá vai, começaram o segundo e imagino que o programa não tenha certidão de óbito agendada.

JF – Não tem… É claro que sabemos que tudo tem um começo, um meio e um fim, mas queremos deixar esse fim para o mais tarde possível.

Temos convites para sair de Portimão, inclusivamente, fizemos um programa em Armação de Pêra, que foi um grande sucesso, com mais de mil pessoas ao ar livre. Temos contactos de muitos artistas que querem vir ao programa, outros que queremos que eles venham, mas, por vezes, sentimos alguma dificuldades em marcar porque não temos apoios para pagar sequer as portagens e viagens de quem vem de fora da região e fica caro fazer uma viagem de Lisboa ao Algarve só para vir, de borla, a um programa de rádio.

Por isso é que, nesses casos, procuramos conciliar as datas dos programas com as de concertos que esses cantores ou bandas tenham na região algarvia e aí já conseguimos – através das empresas e entidades que apoiam o programa – facultar-lhes refeições e alojamento para o caso de terem de cá ficar de um dia para o outro.

AM – Entretanto, agora lançaram mais um CD do Choque Frontal. Já são quantos?

RC – Este é o quinto, embora, pelo meio, tenhamos lançado mais alguns, mas que não têm o nome de Choque Frontal. Lançamos agora este porque já estava cansado de ouvir o pessoal perguntar quando é que editava um novo CD, porque já há alguns anos que não o fazia. Saiu no início de 2018 e não vou dizer que tem mais qualidade do que os outros, até porque as condições técnicas são diferentes do primeiro, que foi lançado há 22 anos, mas tem músicas muito boas.

AM – Todas as bandas que entram no CD são algarvias?

RC – Sim, os CD’s do Choque Frontal marcam exactamente por serem compostos por temas de pessoas que vivem no Algarve, não sendo todas necessariamente algarvias. Um aspecto engraçado é que apesar do CD ter 18 faixas, provavelmente, este ano ainda vou ter de fazer outro e sem repetir bandas.

AM – Há assim tantas bandas no Algarve?

RC – Há. Isso pode parecer estranho porque as pessoas podem ter a ideia de que aquele boom das bandas já passou, mas, efectivamente, continuamos a ter muitas.

Antes eram bandas de garagem, de pessoal que se reunia para tocar umas coisas, e agora são projectos com grande nível, que até já aparecem a nível nacional e as pessoas não os identificam como sendo algarvios. Quem ouça o CD do Choque Frontal chega ao fim e fica, realmente, a pensar: mas esta gente é toda do Algarve?

AM – As bandas têm um circuito para tocar no Algarve? Tenho a ideia de que os espaços para isso são bem poucos.

RC – Pois são e isso é um problema… Por não haver cá um circuito é que muitas não andam a tocar no Algarve, vão para outras zonas do país e até do estrangeiro.

JF – Para além de músicos, temos, também, técnicos de som muito bons no Algarve.

RC – É verdade, temos muitos bons músicos, muito bons técnicos, também excelentes estúdios e muito boa produção de videoclips.

AM – Se há isso tudo e imagino que também exista público porque é que acham que não há esse circuito para actuações ao vivo?

RC – Não sei dizer se haverá público, se calhar, não há assim tanto para este tipo de bandas, que têm os seus próprios originais e não são muito conhecidas. Dá-me ideia que as pessoas, de uma forma geral, só vão a espectáculos de músicos e bandas que conhecem, que já sabem o que podem esperar.

E por isso fico satisfeito por saber que no Choque Frontal, ao meio da semana, conseguimos que apareçam 120 pessoas. Vão ver artistas que conhecem, como o Mário Mata, o José Cid, os Íris, mas depois também vão ver alguns de que nunca ouviram falar. Esse é o trabalho mais importante que estamos a fazer: dar a conhecer às pessoas bandas e músicos da região que tocam e cantam muito bem, que, em alguns casos, até já têm algum reconhecimento a nível nacional, mas que não são conhecidos dos algarvios.

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