“A intervenção na Ponta da Piedade é essencial para preservar e dar ainda mais realce à beleza de um espaço tão emblemático como aquele”

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A 2ª parte da entrevista com Joaquina Matos é, em boa medida, dedicada ao projecto da Ponta da Piedade, mas também ao futuro que se apresenta para os edifícios do hotéis Golfinho e São Cristóvão e da Adega Cooperativa. Tudo temas a não perder para melhor se ficar a conhecer a face do município de Lagos.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 3ª

AM – Uma questão que tem motivado muitas críticas e polémicas é a da intervenção na Ponta da Piedade. É sensível a alguns dos argumentos das pessoas que contestam esta obra?

JM – Temos perfeita noção de que a Ponta da Piedade constitui um dos mais importantes locais do Algarve, quer pelos seus valores naturais, quer pelos seus valores histórico-culturais. Não é por acaso que é um dos locais mais visitados de toda a região.

Mas, no que à intervenção diz respeito, é essencial preservar para dar ainda mais realce à beleza de um espaço tão emblemático como aquele. É por isso importante dizer que este processo tem um percurso com alguns anos em cima. É uma preocupação que já vem de longe. E nele estão implicadas várias entidades.

Começou em 2009/2010, promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade com competência sobre a área do domínio público marítimo, em parceria com o Município de Lagos e a Espaço Dois Mil e Duzentos, Sociedade Imobiliária S.A., anterior proprietária dos terrenos abrangidos por esta intervenção. E, como não poderia deixar de ser, contou com o acordo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Algarve (CCDR). Teve por base estudos como os de geologia, de fauna e flora.

E, por motivos de ordem financeira, este processo esteve parado alguns anos. Quando, em 2016, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) propôs que fôssemos nós a apresentar a candidatura do projecto da 1ª fase, após ter obtido parecer favorável por  parte de todas as entidades, aceitámos esse desafio. E aceitámo-lo com satisfação, primeiro, por termos consciência de que a Ponta da Piedade não pode continuar sem se valorizar e, segundo, porque a APA não tinha condições de garantir o financiamento.

Lançámos, por isso, aquela empreitada que tem como principal objectivo ordenar a passagem das pessoas por aquela zona, proceder a alguma renaturalização da própria vegetação e proteger as pessoas em relação àquela arriba. O projecto provocou, desde logo, alguma controvérsia. É sinal de que as pessoas estão atentas e querem participar em questões com um simbolismo tão grande como o é a Ponta da Piedade. Vi como um factor positivo esse poder de intervenção e de exercício de cidadania. Se pudesse voltar atrás, tê-lo-ia apresentado e explicado à população. Mas, por se tratar de um projecto já com alguns anos, considerámos que era uma ideia já perfeitamente consensual e consolidada dentro da comunidade lacobrigense.

Em face de tudo isto, avançámos com a obra e penso que, hoje, já muitas pessoas que contestaram e manifestaram a sua discordância dizem que afinal é um projecto interessante e que resolve a questão do ordenamento do percurso pedonal e ciclável. Na altura, uma das críticas mais divulgadas dizia que se deveria fazer passadiços. Mas optou-se por não os utilizar por terem de assentar em estacarias que têm por suporte sapatas de betão. E esta seria uma solução que não mereceria aceitação por parte da CCDR. Como as rochas são frágeis, esta não seria a solução ideal ou sequer aceitável.

Estive em várias reuniões com a CCDR, com a APA, com o arquitecto paisagista responsável por este trabalho e estou absolutamente convicta que este é o projecto indicado para aquela parte do nosso território. Proporciona um percurso pedestre e ciclável, feito de material 100% poroso, muito discreto, que disciplina o acesso, que dá segurança às pessoas e proporciona uma óptima observação daquela paisagem através dos dois miradouros de madeira.

Entretanto, o projecto foi também sofrendo algumas alterações. Por exemplo, foi implantada uma pequena ponte de madeira sobre uma linha de água. Em determinadas zonas iremos também avançar com uma solução mais leve de passadiços, de dimensão reduzida, de forma a não causar os problemas e possíveis impactos que os passadiços, digamos, normais, poderiam criar. Plantámos ainda 460 pinheiros. Penso, assim, que a solução encontrada protege aquele belíssimo espaço do nosso território. E esta, poderemos dizer, é a nossa preocupação essencial.

“A 2ª fase da intervenção na Ponta da Piedade vai ligar esta jóia do nosso território à praia do Pinhão”

AM – Que intervenção teve o Cascade neste projecto?

JM – Na altura, o projecto também foi consensualizado com o Cascade por a área abrangida integrar algum terreno deste empreendimento e por ser também um dos financiadores da obra.

AM – Esta é a 1ª fase de um projecto mais abrangente. Quando é que a avança a 2ª fase?

JM – Esta fase estará concluída em Abril ou Maio. A 2ª fase vai ligar a Ponta da Piedade ao Pinhão. Está contratado, para lhe dar prossecução, o arquitecto que, desde a primeira hora, acompanhou todo este processo. Vamos ter que dar resposta ao estacionamento, à circulação, à defesa das arribas e a muitos outros problemas que se estendem ao longo da Costa´Doiro.

Trata-se de um grande desafio a que queremos deitar mãos. E logo que tivermos o programa e o projecto dessa intervenção, dá-los-emos a conhecer à população. Como Sophia de Mello Breyner era uma apaixonada por Lagos e por aquela costa, que serviu de pano de fundo a algumas das suas obras, lançámos um repto ao arquitecto para inserir no projecto alguma referência a esta escritora do nosso universo cultural e sentimental.

Esta 2ª fase tem muitos outros desafios a ultrapassar como o de passar por vários terrenos privados.

AM – Quando é que o projecto desta 2ª fase estará concluído?

JM – Conto que esteja pronto até final deste ano. Estamos empenhadíssimos em que a requalificação da Ponta da Piedade se faça e lhe traga outra qualidade e outra preservação. Quem lá vai, sobretudo no Verão, fica com a consciência que aquela situação não se pode prolongar por muito mais tempo. Há muita gente a percorrer aquele espaço sem qualquer ordenamento e até sem a segurança devida.

AM – O Hotel Golfinho há anos que se encontra em total estado de degradação. Vai apanhar a boleia da recuperação e preservação da Costa´Doiro ou vamos continuar a assistir à sua ruína contínua?

JM – Temos informação de que foi transacionado e está agora na posse de uma cadeia internacional de hotelaria. A Câmara recebeu a informação de que irão avançar com trabalhos de limpeza.

AM – A ideia do grupo é recuperar o edifício ou deitá-lo abaixo e construir um novo?

JM – Todas as questões técnicas relacionadas com a obra terão o devido acompanhamento técnico municipal. De qualquer forma, reafirmo que foi com enorme satisfação que recebemos a notícia da possível recuperação do Hotel.

AM – E as torres da Torraltinha vão prolongar por mais algumas décadas o seu estado de agonia?

JM – Foi-nos pedida uma informação prévia por parte de um grupo. Estamos a avaliar a situação bem como o que lá poderá vir a ser feito. Quer num, quer noutro caso, faremos o que nos for possível de forma a contribuir para que sejam encontradas as melhores soluções para os edifícios em causa. Esta é mais uma situação que estamos a acompanhar com entusiasmo, a da sua possível resolução.

AM – Que tipo de projecto foi aprovado para o espaço onde funcionou o Hotel S. Cristóvão e a Adega Cooperativa?

JM – No lugar do edifício onde funcionou o Hotel S. Cristóvão há projecto para a construção de uma nova unidade hoteleira. No espaço da adega e de outros imóveis adjacentes, será feito um condomínio habitacional.

AM – E quanto ao espaço do ex-Ciclo Preparatório?

JM – É nossa intenção demolir o que resta da antiga escola preparatória e construir naquele espaço uma nova escola EB 2,3. Embora a nossa população escolar não tenha aumentado tanto quanto desejaríamos, entendemos ser necessária mais uma EB 2,3 para dar resposta às necessidades educativas do concelho. Se, naquele espaço, não for construída uma nova escola, o terreno servirá para acolher qualquer outro equipamento público.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 3ª

(Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio)

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