É urgente a relocalização do Hospital de Lagos

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Na 3ª parte da entrevista com Joaquina Matos são abordados temas como as das obras na EN 125, a reivindicação de um novo hospital para Lagos, a intervenção na antiga estrada da Luz e a obrigatoridade de limpeza de terrenos por causa dos incêndios florestais. 

Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 2ª

AM – A Câmara tomou, já há algum tempo, posições críticas sobre algumas situações deixadas pelas obras na Estrada Nacional (EN) 125. Tem tido contactos com a Infraestruturas de Portugal para que as correcções pretendidas possam vir a ser executadas?

JM – Tivemos, recentemente, uma reunião com esse objectivo. E, no seu decorrer, tanto eu como o Sr. Vice-Presidente, acompanhados pelos técnicos desta área, apresentámos diversas situações que, em nosso entendimento, precisam de ser revistas. E, nessa sequência, esperamos que algumas intervenções e correcções ainda venham a ser executadas.

Em concreto, apresentámos a reivindicação de construção de duas rotundas: uma a nascente e outra a poente de Odeáxere. A variante de Odeáxere também foi uma das nossas reivindicações. E continuaremos a bater-nos pela sua construção.

AM – Os traços contínuos em série vão ficar como estão ou também vão sofrer alguma correcção?

JM – Os responsáveis pela Infraestruturas de Portugal fazem questão de os manter tal como estão. E, para isso, alegam questões de segurança.

AM – A Câmara vai levar a cabo uma intervenção de alguma dimensão física e financeira para reabilitar a antiga estrada da Luz. Há mais algumas intervenções equiparadas a esta a avançar nos próximos tempos?

JM – Para já, é o único projecto do género que temos e vai avançar muito rapidamente. Trata-se de uma obra que implica um investimento de cerca de 1.250.000€. Estamos perante uma obra essencial para aquele percurso. Com ela dar-se-á mais segurança, quer aos peões, quer aos automobilistas. Além da melhoria no pavimento viário, os trabalhos vão também incidir sobre a rede pluvial, iluminação pública, remodelação da rede de distribuição em baixa tensão e rede de telecomunicações.

Iremos intervir, na sua continuação, também na estrada de ligação a Burgau.

Nova Unidade de Saúde Familiar veio permitir que mais 9 ou 10 mil cidadãos tenham médico de família

AM – Foi lançada uma petição a favor da construção de um novo hospital em Lagos. Esta é, para si, uma ideia que tem mesmo pernas para andar?

JM – As petições e reivindicações pela relocalização do Hospital de Lagos têm já  longos anos em cima. É uma pretensão da qual nunca se desistiu. E, este ano, mais uma vez, o tema veio ao de cima.

De facto, a sua necessidade é mais do que urgente, estamos empenhadíssimos em resolver este problema. Para o efeito, temos, inclusivamente, espaço junto do Centro de Saúde. Sentimos a necessidade urgente de dotar o Hospital de Lagos das condições indispensáveis para poder proporcionar aos seus utentes os níveis de qualidade e conforto que o Serviço Nacional de Saúde deve proporcionar.

E esta é uma causa que engloba os concelhos de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo. A ela se juntam também as suas populações e todos os que querem ver, entre nós, a saúde mais dignificada e mais bem servida.

AM – Que avaliação faz, então, da forma como são prestados os cuidados de saúde em Lagos?

JM – Agora, estamos bem melhor. Desde que foi criada uma nova Unidade de Saúde Familiar, que veio permitir que mais 9 ou 10 mil cidadãos tenham médico de família, a situação sofreu uma franca melhoria. E está prestes a melhorar ainda mais com a criação de uma outra Unidade de Saúde Familiar.

Lagos era dos piores concelhos do Algarve em termos de cuidados primários de saúde. Mas, felizmente, com a criação desta Unidade de Saúde Familiar as coisas melhoraram. Mas para que essa melhoria prossiga, o passo a dar a seguir é o da construção do novo Parque de Saúde de Lagos.

AM – Tem havido ligação entre os municípios de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur, no âmbito da Associação Terras do Infante?

JM – Temos vindo a realizar um trabalho de conjunto muito válido em vários domínios. Até no campo da saúde.

Mas onde a Associação tem trabalhado muito, e desde início, é na protecção da floresta, um tema que, agora, está muito na ordem do dia. E mesmo quando não se falava tanto, esse trabalho conjunto e sistemático seguia o seu caminho. Agora, quando se olha para as Terras do Infante e se analisa o trabalho que aqui tem sido desenvolvido, considera-se mesmo que se trata de um bom trabalho.

Para se ficar com uma ideia de que já tem uma longa história neste domínio, diria que, logo em 2003, a Associação apresentou o primeiro plano de intervenção na floresta. Candidatou-se depois ao programa Agris em 2006/7. E, para lhe dar sequência, fez-se um investimento de 2,2 milhões de euros. Foi, então, feita uma faixa primária de gestão do combustível e continuou-se a trabalhar no terreno, todos os dias, com os nossos sapadores florestais, que têm desempenhado um trabalho muito bom.

“Estamos em guerra com os fogos”

AM – A obrigatoriedade, determinada pelo Governo, de os proprietários limparem uma faixa de 50 metros à volta das casas, veio responsabilizar também as câmaras  municipais, que terão de avançar com esse trabalho caso os proprietários não o façam. Também é da opinião, expressa por muitos colegas seus, que o Governo está a atirar a “batata quente” para cima das câmaras municipais?

JM – De facto, a batata é quente demais, disso não temos a menor dúvida. E recai também sobre as câmaras municipais.

No âmbito da Associação de Municípios Terras do Infante, estamos a fazer aquilo que achamos que devemos fazer.

Lançámos no terreno uma campanha de sensibilização dos proprietários através de outdoors, de distribuição de panfletos e já preparámos um concurso público para, no caso de haver proprietários que não consigam limpar essa faixa de 50 metros à volta das suas casas, sermos nós a substituí-los nessa tarefa e no cumprimento da lei agora em vigor. A valorização da floresta e o reforço na prevenção dos fogos é, desde 2006, uma prioridade nos três Municípios da Associação.

AM – As regras que estabelecem essa limpeza, numa área de 50 metros à volta das casas, parecem muito confusas. Devido a essa confusão, as pessoas, à cautela, não irão, dentro desse perímetro, abater árvores de fruto, sobreiros e outras árvores protegidas?

JM – Depois do que aconteceu em 2017, teremos de dizer que estamos em guerra contra o fogo. E em tempo de guerra não se limpam armas. Por isso, reforçámos a informação de forma a prevenir e acautelar que não são feitas leituras erradas.

É verdade que algumas medidas, devido à habituação que se criou, até podem ser difíceis de aceitar. Mas, depois de tudo o que aconteceu e com tantas vidas perdidas, alguma coisa teria de ser feita. Não se poderia cair no risco de deixar tudo como estava.

AM – As obras de consolidação e renovação da Ponte de D. Maria ficaram a marcar o mandato anterior. Qual ou quais são as que vão ficar a marcar o presente mandato?

JM – Muitas delas têm já sido abordadas ao longo desta entrevista. Acabamos, por exemplo, de falar na intervenção da primeira e segunda fase para requalificar e modernizar o Museu Municipal.

Também a primeira fase da requalificação e preservação da Ponta da Piedade constitui uma grande obra. Esta tem lugar entre o Canavial e esta nossa jóia costeira. A que vem a seguir, entre a Ponta da Piedade e o Pinhão, é uma obra de grande dimensão.

Gostaria também de frisar a 3ª fase do anel verde a que vamos deitar mão. Vem melhorar as nossas acessibilidades ao centro histórico e completar o embelezamento da frente poente das nossas muralhas. A nossa intervenção na rede viária, como na antiga estrada da Luz, é uma preocupação do nosso dia-a-dia. E teremos que voltar a referir o amplo programa de habitação que estamos a desenhar para proporcionar possibilidades a quem não tem facilidade de aceder aos preços de mercado.

A par destas obras e destes projectos que vão, em parte, melhorar a face do nosso concelho, está a nossa preocupação com um maior investimento na higiene e limpeza, no ambiente, em áreas sociais e na promoção das nossas actividades económicas com particular destaque para o turismo.

Continuaremos a trabalhar, através de grandes e pequenas realizações, para afirmar Lagos como Município onde apeteça viver, trabalhar, visitar e investir.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 2ª

(Entrevista conduzida por Guedes de Oliveira e Jorge Eusébio)

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