Isilda Gomes sai vencedora do confronto com Pedro Nunes

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A presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes, está em vias de ver cumprido um dos seus desejos: o afastamento do homem-forte do Centro Hospitalar do Algarve e a consequente reversão do modelo de cuidados de Saúde hospitalares pelo qual Pedro Nunes tem dado a cara.

O anúncio de que esse objectivo está a poucos dias de ser atingido foi-lhe feito, pessoalmente, pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, no decorrer de uma reunião em que também estiveram presentes os deputados António Eusébio e Luís Graça, igualmente grandes críticos do modelo hospitalar implantado no Algarve.

O ministro assumiu aquilo que parecia estar escrito nas estrelas desde que o PS formou Governo: que a equipa de Pedro Nunes vai brevemente ser substituída. Quanto às mudanças que daí irão resultar na organização hospitalar da região, não terá adiantado nada de concreto. Apenas que o Algarve é uma “prioridade política para o Governo” e que está a ser levada a cabo uma “avaliação rigorosa e transparente sobre os constrangimentos, dificuldades e problemas que enfrenta o Serviço Nacional de Saúde no Algarve” e só depois de concluído esse processo ”serão definidos caminhos” e qual o modelo a seguir.

Por seu lado, Isilda Gomes voltou a defender que é fundamental que “o Hospital do Barlavento volte a disponibilizar os serviços e a desempenhar o papel central nos cuidados de saúde junto das populações dos concelhos de Portimão e do Barlavento que vinha assegurando até Julho de 2013, data da criação do Centro Hospitalar do Algarve”. Daí para cá houve, na opinião da autarca, um “propositado esvaziamento de valências e especialidades” quer naquele, quer no Hospital de Lagos.

Guerras e polémicas antigas

Os desentendimentos entre Isilda Gomes e Pedro Nunes começaram em plena campanha eleitoral para as autárquicas. Nessa altura, a então candidata à presidência da Câmara de Portimão acabou mesmo por avançar para tribunal com uma providência cautelar a exigir a reposição dos serviços retirados do Hospital do Barlavento.

Daí para cá foram muitas as vezes em que levantou a voz contra a política seguida nos hospitais da região e deixou bem claro que um dos principais responsáveis é Pedro Nunes. O visado dava gás à polémica e respondia que a autarca não sabia do que falava.

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No decorrer da campanha eleitoral para as legislativas, os socialistas fizeram questão de trazer ao Algarve o então coordenador da área da Saúde do PS, Adalberto Campos Fernandes para lhe mostrar o que estava mal nesta área, na região. Depois de realizadas algumas visitas, fizeram uma sessão temática, na qual procuraram convencer o agora ministro de que para as coisas mudarem Pedro Nunes e a sua equipa teriam que sair.

Ao longo dos últimos meses têm sido aprovadas em diversas assembleias municipais moções a criticar a forma como a Saúde está a ser dirigida, algumas das quais mereceram até apoio de eleitos social-democratas. No Parlamento, há propostas do PCP e do Bloco de Esquerda a exigir mudanças que passam por acabar com o Centro Hospitalar do Algarve e devolver a autonomia ao Centro Hospitalar do Barlavento. A Comissão de Saúde da Assembleia da República, por proposta do deputado socialista Luís Graça, fez questão de vir ao Algarve na sua primeira incursão fora dos muros do Parlamento.

Há, portanto, um grande movimento político (e não só) a exigir mudanças profundas. Resta agora saber se a saída de Pedro Nunes vai resolver os problemas. É que o principal argumento que utilizou para justificar as mudanças realizadas é que elas eram determinadas pela dificuldade em contratar médicos que assegurassem todas as valências e especialidades dos hospitais de Faro e Portimão. Em face disso, entendia que era preferível ter serviços a funcionar a 100% numa dessas unidades do que ter uma amostra nos dois.

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