A língua é nossa e é única, não a podemos perder

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FALAR ALGARVIO por Sérgio Brito
Dialecto Algarvio
por Sérgio Brito

“ O dialete algarvie, é um patrimóine imaterial que nos foi dêxáde. Como fiéis depositáires compete à gente transmitir esta herança coletiva, como valor da nossa memóira e entidade deste valiôse e vaste patrimóine que representa a cultura algarvia. “

É esta a descrição resumida sobre o dialecto algarvio, no grupo criado na rede social Facebook, com a designação de Fássebuque algarvie, criado em finais de 2013 e que conta já com 9.200 seguidores.

Durante muitos anos descrevia-se o falejar do povo algarvio, como um falar de características únicas, sendo algumas palavras intensamente pronunciadas como o marafado, o môçe o tem avonde etc. Por quem nos visitava, muitas das vezes, estas palavras eram pronunciadas com algum tom depreciativo, em muitas outras situações, despertava o interesse desta fala ficando a vontade de quererem saber mais desta fala.

Quantas das vezes, não éramos repreendidos na escola por não sabermos falar e escrever? Ainda me dói a reguada que apanhei na primária por escrever num texto o tem avonde. Doía- me a alma, quando os meninos de Lisboa em férias nos gozavam pelo nosso modo de falar, o que em criança me fazia sentir constrangido, hoje é um motivo de enorme orgulho.

O que há pouco tempo, muitos tentavam disfarçar, hoje, observo com enorme alegria um revivalismo da nossa fala. Hoje! Verifico a utilização de elementos do nosso dialecto em múltiplas expressões, desde jornais à música, estabelecimentos comerciais e muitas outras.

A crescente curiosidade manifestada pelos algarvios e por quem nos visita hoje, nacionais e estrangeiros é bem visível. Protegendo o que é nosso e o que nos caracteriza, para além da preservação destes valores, traz consigo uma componente económica, que não podemos ignorar. Aos órgãos oficiais da nossa região, que têm estas funções, apelo que não virem as costas a esta realidade.

Não sou letrado em filologia ou na língua padrão, sou apenas um elemento de difusão do dialecto. Tive a ousadia, de escrever o primeiro livro totalmente escrito em algarvio, uma experiência que tem ajudado a levar além-fronteiras a nossa forma de falar, a nossa algarviada que todos querem compreender.

Este será um dos primeiros artigos, os quais espero ter arte e engenho, de poder apresentar as características únicas do nosso dialecto. Verifico que muitos se orgulham do que falam e como falam. A língua é nossa e é única, não a podemos perder.

Leia também: Livros do Algarve

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