Os projectos que Álvaro Viegas tem para a ACRAL

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Álvaro Viegas voltou à liderança da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL). No seu regresso, quer recuperar projectos que tentou implementar e dinamizar na sua anterior passagem pela associação, como o Sistema Colectivo de Segurança e a criação de uma escola profissional.

Algarve Marafado (AM) – Quais são os principais projectos e objectivos que tem para colocar em prática ao longo do mandato?

Álvaro Viegas – Vamos continuar com os projectos que, no nosso ponto de vista, são positivos e, eventualmente, corrigir outros. Temos em mão projectos muito interessantes, como o de instalação, em todo o Algarve, de 49 TOMI [espécie de quiosques digitais] e oito painéis LED. São painéis informativos e interactivos que vão ajudar a actividade dos nossos associados.

Queremos também reactivar dois projectos pelos quais tenho um carinho muito especial, pois foram lançados por mim, quando, há cerca de 17 anos, estive na presidência da ACRAL. Um deles é o Sistema Colectivo de Segurança que permitiu, na altura, ligar mil alarmes de estabelecimentos comerciais à GNR. Queremos agora reactivar o projecto e alargá-lo, sobretudo a zonas que são patrulhadas pela PSP, para assim conseguirmos que o Algarve fique muito mais seguro.

AM – Esse projecto não teve seguimento, nos últimos anos, por quem dirigiu a ACRAL?

AV – Não teve, certamente por opções estratégicas quem liderou a ACRAL não entendeu que seja um projecto interessante. Do meu ponto de vista, é, vem aumentar a segurança e fazer diminuir os assaltos.

AM – Qual é o outro projecto que pretende reactivar?

AV – É um projecto na área da formação, que prevê a criação de uma escola profissional ligada ao comércio e serviços. Vamos, outra vez, encetar um diálogo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) no sentido de termos um pólo de formação vocacionado para esta área.

AM – Onde é que vai ficar instalado esse pólo?

AV – Inicialmente, teremos um em Faro e, depois, numa segunda fase, um outro na zona do Barlavento.

AM – Em termos financeiros, de que meios vão jogar mão para colocar em prática os vossos projectos?

AV – Há sempre a possibilidade de se recorrer a programas de apoio. No caso específico deste projecto, o próprio IEFP tem, no seu orçamento, verbas destinadas à formação.

AM – Quantos sócios tem, nesta altura, a ACRAL?

AV – Neste momento, devemos ter à volta de dois mil sócios.

AM – Creio que há relativamente pouco tempo foi feito uma alteração, digamos que estatutária, que leva a ACRAL a abarcar mais áreas do que apenas o comércio e serviços, não?

AV – Sim, foi há cerca de um ano que fizemos uma alteração estatutária de forma a que o objecto social da ACRAL não se resuma apenas ao comércio e serviços, mas que abarque também as áreas da agricultura, da pesca e do turismo. No entanto, a estratégia desta direcção não é, claramente, apostar nessas áreas, as quais terão de ser complementares e que só deverão ser utilizadas para alavancar o comércio e serviços.

ProtocoloACRAL02AM – Lembro-me que, da última vez que esteve à frente da ACRAL, já se queixava que, sobretudo devido à concorrência dos grandes espaços comerciais, o comércio tradicional vinha a perder gás. Imagino que, agora, está a encontrar uma situação muito pior.

AV – Sim. Desde os anos 90, quando começaram a aprovar-se as grandes superfícies, mudou-se radicalmente o figurino do comércio. Naturalmente que isso teve um impacto negativo junto do pequeno comércio. Mas não se conseguiu travar o processo, e aquilo que existe já é, claramente, exagerado para a nossa região e para o número de consumidores que temos.

Não tendo uma posição fundamentalista contra os grandes formatos, acho que teria sido possível encontrar-se um ponto de equilíbrio, mas o poder político – autarquias e poder central – permitiu um desequilíbrio a favor do grande formato.

Por isso, hoje, o comércio das zonas históricas, das nossas baixas comerciais, está numa situação mais complicada. O comércio tem vindo a perder potencial, vendas e os empresários têm cada vez menor capacidade de investimento. Agora, se as autarquias e o poder central entenderem que aquilo que a estratégia foi prejudicial, o que há a fazer é uma discriminação positiva a favor do pequeno comércio, fazendo com que haja investimento público nessas zonas para atrair mais pessoas. Naturalmente que se as zonas comerciais forem mais atractivas, se o edificado urbano estiver recuperado, se houver bolsa de estacionamento, se os preços do estacionamento tarifado não for exagerado, se for oferecida a primeira hora de estacionamento aos consumidores, com certeza que isso são situações que vão ajudar a que venha mais gente ao comércio tradicional.

AM – Começa agora a arrancar mais um quadro comunitário de apoio. O actual figurino vai permitir que a ele acorram os empresários do comércio e serviços que queiram investir?

AV – Este quadro comunitário tem linhas de apoio e, cada vez mais, a filosofia é menos obras e mais apoio apoio para a formação e as empresas. Apesar disso, defendo que deveria haver da parte do Governo mais instrumentos facilitadores, que impliquem uma carga burocrática muito mais leve para que seja possível que o pequeno comércio possa investir.

Mas não chega isso, a velha receita de ‘vamos dar dinheiro ao comerciante para que invista’. Isto tem de ser encarado como uma estratégia global que passa por o comerciante modernizar a sua loja, por o espaço urbano estar arranjado, por o edifício onde a loja se encontra estar recuperado. Portanto, há aqui um investimento que só vale a pena se for um projecto global, se, pelo contrário, for algo desgarrado, não vai ter efeito.

Este foi o primeiro acto do novo presidente da ACRAL, Álvaro Viegas, que também vê neste projecto grandes vantagens para os comerciantes e, por isso mesmo, quer estendê-lo a todo o Algarve.

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