“Até às eleições autárquicas ninguém toca em Passos Coelho”

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Iniciamos hoje um ciclo de grandes entrevistas a protagonistas políticos da região. O primeiro é Hélder Renato, presidente da secção de Portimão do PSD, que faz o balanço do Congresso do PSD e diz que David Santos é o líder ideal do PSD/Algarve para esta fase.

Na segunda parte da entrevista (a publicar de seguida), Hélder Renato fala da situação política de Portimão.

Algarve Marafado (AM) – Por que razão resolveram os social-democratas algarvios levar o tema da regionalização ao Congresso do PSD?

Hélder Renato (HR) – A regionalização continua inscrita na Constituição e o Algarve é a região em que se torna mais fácil aplicar um modelo piloto, pelo que entendemos ser imprescindível marcarmos uma presença forte junto do Congresso, trazendo outra vez à discussão para as propostas do PSD para o país, este tema.

Temos de pensar como é que vamos organizar o conceito do Estado e a nossa proposta de regionalização não encarece a despesa de funcionamento do Estado, pelo contrário. Para além de que permite maior autonomia e mais agilidade na busca da solução dos problemas das pessoas.

Levamos o tema ao Congresso e mais de metade dos delegados aprovaram-no, portanto, esta não é apenas uma questão do Algarve.

AM – Do ponto de vista do PSD/Algarve correu bem o Congresso? Foram eleitos cinco algarvios para os órgãos nacionais, é um número que vos satisfaz?

HR – Sim. O PSD/Algarve mantém o seu membro eleito na Comissão Política Nacional, neste caso cabe à Ofélia Ramos essa tarefa. Pela primeira vez conseguiu também pôr na Mesa do Congresso um elemento, o Bruno Inácio. Na lista oficial, foi eleita a Isabel Soares, para o Conselho Nacional, e noutras listas tivemos a eleição directa do Rui Cristina e do Luís Gomes. Para além disso, na lista em que ia o Rui André foram eleitos três e ele era o quarto, o que significa que vai participar em muitos Conselhos Nacionais, porque há sempre impedimentos e ausências de elementos e, nesses casos, sobe o próximo da lista.

Também estou muito satisfeHelderRenatoAlto01ito por, pela primeira vez, Portimão ter levado 27 militantes a um Congresso. Em resumo, posso dizer que foi um bom Congresso, foi uma jornada muito boa.

AM – Ficou com a ideia de que há um apoio genuíno dos militantes a Passos Coelho ou mantêm-no como líder por conveniência porque os seus potenciais adversários entendem que ainda não é tempo de avançar?

HR – Neste momento, Pedro Passos Coelho controla muito bem o partido. E controla, não só em termos da sua personalidade, mas também por entender o que é ser líder. Quase toda a gente que foi ao Congresso estava muito preocupada com as eleições autárquicas e o presidente do partido falou durante 15 minutos sobre o tema.

O que se deve tirar deste Congresso é que o partido está organizado para ir às autárquicas, foram feitos os reptos que deviam ter sido feitos às pessoas, passou essa mensagem para dentro do partido e todos os presidente de secção e das distritais percebem que esse é o desafio.

Ao mesmo tempo, falou das reformas do Estado e aí o PSD disse claramente quais eram os seus objectivos, mas também que se deve discutir este tema com mais gente, porque pode haver outras ideias igualmente válidas.

Eu acho que a questão das pessoas que podiam ser hipotéticos candidatos alternativos não terem ido ao Congresso é por entenderem que não é para eles o próximo combate. O próximo combate dessas pessoas tem muito a ver com a necessidade de serem candidatos a presidente do partido para serem candidatos a primeiro-ministro. E é muito difícil face a um primeiro-ministro que ganhou dois actos eleitorais alguém aparecer e dizer que está presente porque quer ser candidato a primeiro-ministro de Portugal indicado pelo PSD.

Tenho muita consideração, por exemplo, pelo dr. Rui Rio, que não foi porque entendeu que iria, se calhar, ofuscar o líder porque teria a comunicação social sempre em cima. Acho que o dr. Pedro Santana Lopes foi um bocadinho excessivo na crítica. A atitude de Passos Coelho foi diferente, mais uma vez mostrou que é um estadista, nem sequer tocou nestas questões.

Portanto, até às eleições autárquicas ninguém toca em Passos Coelho. Ele colocou a fasquia muito alta: a conquista da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) e da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Se não ganharmos essas associações muita gente vai pedir-lhe a cabeça, não tenhamos dúvidas nenhumas. Mas isso foi uma opção política e uma opção política corajosa.

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SITUAÇÃO PROFISSIONAL DE DAVID SANTOS NÃO CAUSA DESCONFORTO

AM – No que ao Algarve diz respeito, o PSD tem condições para ajudar a atingir
esse objectivo de ganhar a ANAFRE e a ANMP?

HR – Se fizermos o paralelismo, aqui o objectivo é ganhar a Associação de Municípios do Algarve. Penso que é possível recuperar algumas câmaras municipais que perdemos para o PS e ganhar novas autarquias. Nomeadamente, das três que nunca ganhámos, gostávamos de, pelo menos, ganhar duas delas e a aposta vai ser nesse sentido.

AM – O líder distrital, David Santos, é a pessoa ideal para organizar o PSD/Algarve de forma a atingir esse objectivo?

HR – Precisamos de reorganizar o PSD/Algarve, de pôr todas as estruturas a funcionar, se calhar voltar a colar cartazes, ir buscar as pessoas mais antigas, ter a perspectiva de que só é possível ganhar se estivermos todos juntos. E, neste momento, David Santos é mesmo a pessoa certa para isso, é um excelente organizador, é metódico. Aliás, a forma como fomos para o Congresso mostrou que o PSD/Algarve já tem outro tipo de atitude. Lembro que há dois anos, o PSD/Algarve não levou nenhuma moção.

AM – A situação profissional de David Santos não causa problemas? Enquanto presidente da CCDR Algarve, no horário de expediente trabalha para levar à prática a política do Governo e quando sai do escritório torna-se o principal crítico dessa política…

HR – E como é que trabalhou o actual deputado do PS António Eusébio, enquanto secretário-geral da Associação de Municípios do Algarve, que recebia ordens de presidentes de Câmara do PSD? Para além de que David Santos não ocupa aquelas funções por nomeação política.

AM – Portanto, não causa nenhum desconforto ao PSD esta situação?

HR – Penso que não e até acho que é vantajoso. Temos de começar a pensar que os partidos políticos não podem estar fechados dentro de si próprios. Temos que, cada vez mais, perceber o que é essencial e o que são os ‘amendoins’. Acho que está na altura de olharmos para as regiões, para os concelhos, para o país, assumindo que há assuntos em que temos de ter acordos de regime. Está dado o mote para perguntar ao PS regional se quer ou não a regionalização. Se a quer, temos de começar a trabalhar em conjunto.

AM – Os elogios a David Santos, enquanto líder do PSD/Algarve têm implícitas críticas ao seu antecessor, Luís Gomes?

HR – Não, muito sinceramente, não. O Luís Gomes foi presidHelderRenatoAPrincipal06ente da distrital quando o PSD estava no Governo. E, ainda por cima, um Governo que não podia aplicar o seu programa eleitoral, mas o da troika. Liderar uma estrutura partidária de um partido que está na oposição é muito mais fácil do que de um que está no poder.

AM – Portanto, agora estar na oposição dá maior margem de manobra para fazer exigências, inclusivamente da diminuição do valor das portagens…

HR – O deputado Cristóvão Norte já o tinha pedido na anterior legislatura e o PSD, ainda sob a liderança de Luís Gomes, também fez isso. Aliás, isso está no programa eleitoral do PSD/Algarve.

AM – De forma muito vaga, no programa eleitoral passaram muito por cima disso.

HR – Mas é o que está lá. Os programas eleitorais são o que são…

 

GOVERNO ESTÁ EM CAMPANHA ELEITORAL PERMANENTE

AM – Como é que tem visto a governação do PS no que ao Algarve diz respeito?

HR – Resumidamente: o dr. João Soares já cá veio mais vezes enquanto ministro do que enquanto deputado eleito pelo Algarve. Isso significa que o Governo está muito mais próximo do Algarve. Tal como está muito mais próximo do Minho, de Trás-os-Montes, porque está em plena campanha eleitoral permanente.

AM – Em termos concretos, vê só aspectos negativos ou também positivos?

HR – Nem tudo se fez mal. Por exemplo, ao nível da Saúde, eu não me interessa onde tenho a consulta, desde que a tenha. Se calhar este acordo da ortopedia [com hospitais de Lisboa e Setúbal] é um bocado interessante pois vamos ter ortopedistas cinco dias por semana no Algarve e só em dois é que teremos de ir aos outros hospitais. Mas também corroboro a opinião dos que perguntam: mas, agora, nenhum autarca socialista falou pelo facto das pessoas irem para fora para serem tratadas?

Há outra coisa que acho positiva. Considero que não se deveriam ter encerrado tribunais em Portugal. Hoje em dia, não é preciso ter uma grande estrutura para poder servir as pessoas. Se a actual ministra da Justiça reabrir os tribunais que fecharam acho que é uma medida positiva.

Negativo: a questão das portagens. O Algarve é prejudicado pelas portagens. Aliás, na Assembleia Municipal de Portimão votei favoravelmente todas as moções contra as portagens, com excepção de uma que tinha um considerando errado, pois dizia que tinha sido o PSD a colocar as portagens. Não foi, foi o Governo de José Sócrates que fez o despacho para colocar os pórticos. Claramente, as portagens no Algarve são um erro.

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