O acordeão algarvio em forma de livro

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Nunca a apresentação de um livro terá tido uma ‘banda sonora’ com tantos  – e tão bons – sons de acordeão. Ainda por cima, produzidos por executantes como os campeões mundiais Julien Gonzalez, Petar Maric e Pietro Adragna; o vice-campeão José Dias; o campeão nacional, Francisco Monteiro; o  vencedor da primeira edição do ‘Troféu de Acordeão João César’, Luís Mira e o grupo de acordeonistas da Academia de Música de Lagos e Conservatório de Música de Portimão.

Todos eles – e mais alguns – subiram, no Sábado, 23 de Abril, ao palco do auditório do Museu de Portimão, para ‘apadrinharem’ a apresentação, na cidade, do livro «O Acordeão no Algarve – Um Século de Histórias e Memórias», escrito por Nuno Campos Inácio e lançado pela editora algarvia ‘Arandis’.

Segundo revelou um dos sócios da editora, Sérgio Brito, a ideia e o impulso inicial foram dados por Francisco Sabóia, um grande divulgador deste instrumento musical, organizador de 25 galas internacionais, e director da Casa-Museu do Acordeão, situada em Paderne. Em face do interesse demonstrado, Sérgio Brito desafiou Nuno Campos Inácio, que, imediatamente, aceitou o repto por, admitiu, estar convencido que “seria um livro pequeno, aí de umas 100 páginas, pois não imaginei que o acordeão algarvio tivesse matéria para mais do que isso”.

Uma ideia que teve de abandonar assim que se deslocou à Casa-Museu do Acordeão e viu o enorme espólio que ali é mantido por Francisco Sabóia. Com essa documentação à disposição e os elementos, informações, fotografias e depoimentos que, entretanto, lhe foram chegando, acabou por escrever em tempo recorde – cerca de dois meses – uma obra de mais de 400 páginas.

NunoInacioConforme o título indica, o livro documenta a evolução do acordeão no Algarve, lembra os grandes acordeonistas que alegraram  várias gerações, através das actuações em festas e bailes, em tempos bem mais difíceis do que os actuais. Hoje, o acordeão é um instrumento respeitado e quem o quer tocar é visto como um músico como qualquer outro, mas nem sempre foi assim.

Conforme vários dos oradores recordaram, o acordeão foi, durante muitos anos, visto como um instrumento musical menor, de segunda, associado aos pobres e ao folclore, que não era levado muito a sério pelas chamadas ‘elites’ e pela população mais urbana e jovem. Rodrigo Maurício, um dos acordeonistas convidados, por exemplo, lembrou que “era gozado pelos meus colegas por tocar acordeão”.

Hoje, esse estigma está ultrapassado e há muitos jovens portugueses e algarvios a aprender acordeão. Alguns deles estiveram em palco, integrados no grupo de acordeonistas da Academia de Música de Lagos e Conservatório de Música de Portimão, do professor Gonçalo Pescada, e demonstraram que a história do acordeão algarvio ainda vai ter muitos episódios para contar.

A seguir: A presidente de Câmara que tinha o sonho de aprender a tocar acordeão

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