Francisco Martins diz que ainda não decidiu se vai recandidatar-se

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Primeira parte de uma entrevista ao presidente da Câmara de Lagoa. Francisco Martins diz que a experiência de gerir a autarquia tem sido enriquecedora, mas, apesar disso, não garante que vá recandidatar-se. Defende a gestão que tem vindo a ser feita e até elogia a postura da oposição. Em relação ao Governo, admite que o relacionamento no passado não terá sido o ideal, mas diz que as coisas estão a melhorar.

Algarve Marafado (AM) – Que balanço faz destes anos à frente da Câmara? Já tinha experiência autárquica, mas imagino que seja muito diferente ser presidente de Câmara do que vereador ou presidente de Junta…

Francisco Martins (FM) – É um clichê dizer que é enriquecedor, mas efectivamente é. Todos os momentos da nossa vida são enriquecedores, sejam eles políticos, profissionais ou familiares.

Na altura em que me apresentei como candidato considerei que estava minimamente preparado para desempenhar o cargo, portanto, não houve surpresas por aí além. Nunca me deixei embebedar pelo cargo, tinha a experiência de ter cá estado como vereador e já tinha tido essa bebedeira, digamos assim.

É um cargo muito trabalhoso, muito exigente e constatamos que há um enorme desconhecimento do que envolve a vida da Câmara. Mesmo com esta proximidade toda, há um enorme desconhecimento de qual é o papel do presidente da Câmara, de qual é o papel da Câmara e quais são as suas competências…

AM – Ou seja, é tudo culpa do presidente da Câmara?

FM – É tudo, é fácil apontar, é ele que está ali. Devia haver da parte de todos os agentes um esclarecimento maior da população, mais pedagógico, sobre qual é o papel de cada um. Mesmo nós, políticos, devíamos estar menos fechados, sermos menos queixinhas, isto não é um bicho de sete cabeças, é importante é que as pessoas venham para cá com algumas ideias para melhorar as coisas. Quem vem para cá à procura de um bom emprego, está muito enganado. Não ganha o suficiente para ser um bom emprego e as dores de cabeça são bem superiores. Mas, obviamente, que é gratificante, disso não há dúvida nenhuma.

Vereadores da oposição têm “atitude muito séria”

AM – Da parte da oposição, não me parece ter grandes razões de queixa. Não tenho visto ou ouvido grandes críticas. Como é que interpreta isso: é porque entendem que este executivo faz tudo bem ou porque não têm alternativas ou capacidade política?

FM – A relação mais próxima que tenho com a oposição é, como calcula, na Câmara, com os vereadores. Dois dos três vereadores da oposição são pessoas que já cá estavam, o presidente e o vice-presidente anteriores, que, por isso mesmo, têm conhecimento da vida interna da Câmara. Têm tido uma atitude muito séria no papel de oposição, não entram por aquele tipo de política rasteira, concordam ou discordam das nossas posições, com a independência que se lhes assiste, mas com uma vantagem muito grande, que é terem conhecimento de causa e isso, de facto, é muito bom.

Muitas vezes, as pessoas não são justas na análise que fazem da oposição, o que acontece ali, sinceramente, é que há um conhecimento de como as coisas funcionam. Agora, não se pense que estão a dizer sempre que sim ou que não há discussão sobre assuntos que são estruturantes.

Quanto  à Assembleia Municipal, aí é diferente, já não há esse conhecimento tão vincado. Nós apresentamos o trabalho que estamos a fazer, do ponto de vista económico, e que era uma grande bandeira da governação anterior. Essa vertente era usada muitas vezes contra mim, de que seria muito gastador, mas os resultados económicos demonstram precisamente o contrário, temos cada vez melhores índices, em termos de governabilidade…

AM – Vocês fecharam 2015 com cerca de 12 milhões de euros em caixa, um valor substancial. Isso deve-se a quê?

FM – Não me refiro apenas a isso. No Anuário dos Técnicos Oficiais de Contas ficámos em 1º lugar ao nível dos municípios com melhor gestão financeira, em função dos 10 índices de avaliação que eles têm. Isso deixa-nos, naturalmente, bastante satisfeitos, significa que estamos a fazer um bom trabalho.

Na parte da receita, tivemos, realmente, um aumento do IMT – Imposto Municipal sobre a Transmissão Onerosa de Imóveis, porque houve mais casas a serem vendidas e isso dá sempre uma sustentabilidade muito grande. 

Depois, houve princípios de gestão que não eram habituais e nos trouxeram poupanças significativas. Por exemplo, na parte dos seguros, temos uma poupança anual superior a 100 mil euros. O contrato que foi feito agora com as comunicações móveis vai fazer com que se gaste em 3 anos aquilo que se gastava apenas num ano. Houve uma diminuição muito grande no valor das aquisições. 

Relação com o Governo está a melhorar

AM – Há quem diga que esses bons resultados se devem também ao facto de não terem feito grande obra nos primeiros anos, deixando-a para o final do mandato, por razões eleitoralistas.

FM – Não. Isso é a tal desinformação que é engraçado dar. Quando cheguei, não tinha projectos nenhuns. E uma coisa que sempre foi a minha bandeira é não fazer investimentos avulsos, não fazer só para dizer que se faz. Gastar dinheiro é fácil, como disse, temos 12 milhões, fazia-se uma piscina em cada freguesia e gastava-se o dinheiro. Mas pergunto: estruturava o concelho, melhorava-o ou estava a hipotecá-lo?

Tínhamos um Plano Director Municipal (PDM) com 20 anos, que está agora a ser revisto. Não tínhamos um Plano de Mobilidade, que está a ser concluído. Fizemos um Plano Estratégico, mal eu cheguei. Portanto, houve, de facto, um investimento nos primeiros anos em projectos e em planos a longo prazo. Daqui a um ano, depois das eleições, venha quem vier, quando chegar certamente vai encontrar um concelho muito mais estruturado, pensado e planificado do que aquele que eu encontrei,  porque comecei do zero, a esse nível.

É certo que já tínhamos uma boa rede viária, boas infra-estruturas, a rede escolar estava coberta e por aí fora, mas toda essa estruturação, estabelecer prioridades, tudo isso demora o seu tempo. Esse foi um dos factores.

Outro foi adaptar a máquina da Câmara àquilo que era a nossa mentalidade.

E o outro factor que justifica o atraso das obras é que só agora é que estão a sair os regulamentos do Quadro Comunitário, ao qual estamos a candidatar muitos projectos.

AM – Apesar de ser do mesmo partido do Governo, dá, às vezes, a sensação de que o relacionamento com o Governo não é um mar de rosas. Pelo menos, a mim, causou-me alguma estranheza de não ter aparecido nenhum ministro na abertura da Fatacil, por exemplo. Foram vocês que não convidaram ninguém ou foram eles que não quiseram vir?

FM – No ano passado, ainda com o anterior Governo, também não esteve nenhum ministro. Na altura, lançámos uma série de convites e ninguém teve disponibilidade para vir. Este ano só convidámos uma pessoa, não teve disponibilidade, tudo bem, a feira realizou-se e tivemos lá pessoas de outras forças partidárias que acharam importante marcar presença.

Mas, ultimamente, as coisas até têm estado um bocadinho diferentes no relacionamento institucional entre o município e o Governo. Nunca estivemos de costas voltadas, mas agora há um diálogo muito mais próximo.

AM – Estamos na fase final do mandato, já toda a gente está a pensar nas próximas eleições autárquicas. Vai recandidatar-se?

FM – Em Janeiro tomarei a decisão, ainda não está tomada. E não estou a fazer bluff ou tabu.  Quando me apresentei há 3 anos atrás, fui muito sincero e disse que o projecto da equipa que eu encabeçava era para três mandatos. Foi também assumido que este mandato era para lançar as sementes, isso foi feito e começámos a colher frutos até muito mais cedo do que eu esperava.

Mas são decisões, do ponto de vista pessoal, familiar e até político, que exigem alguma ponderação. Obviamente que quem chega ao fim do primeiro mandato, é quase lógico que se vá recandidatar, mas nem sempre a lógica funciona. Em Janeiro, que foi a data que apresentei à estrutura concelhia do meu partido, tomarei a minha decisão.

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