Câmara de Lagoa acusa Comissão Vitivinícola de apropriação indevida do Concurso de Vinhos do Algarve

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Parece não ter fim à vista a autêntica ‘Guerra do Vinho’ que opõe a Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) à Câmara de Lagoa.

Depois daquela entidade ter decidido não colaborar mais com a autarquia lagoense, agora é esta que coloca em causa a legitimidade da CVA levar para Albufeira a edição deste ano do Concurso de Vinhos do Algarve, que, tal como sempre tem acontecido, estava previsto realizar-se em Lagoa.

Em resposta a deputados municipais, o presidente da Câmara de Lagoa, Francisco Martins, acusou, ontem à noite, no decorrer de uma sessão da Assembleia Municipal, a Comissão Vitivinícola do Algarve de se ter “apropriado indevidamente” do certame.

O autarca lembrou que foi a Câmara de Lagoa que teve a iniciativa de avançar com o concurso, tendo, na altura, como parceira a Direcção Regional de Agricultura do Algarve, só anos mais tarde entrando a CVA no ‘barco’. Este é um assunto que, garante, já entregou ao gabinete jurídico da câmara.

Esta questão foi levantada pelo deputado do Bloco de Esquerda, David Roque, que se mostrou surpreendido pelo tom do comunicado da CVA em que, na prática, corta relações com a Câmara de Lagoa por esta ter registado o título “Lagoa Capital dos Vinhos do Algarve” por, entre outros argumentos, entender que pode colidir com a marca “Vinhos do Algarve”, de que é detentor.

David Roque diz admitir que as expressões “Vinhos do Algarve” possam prestar-se a alguma confusão, mas qualifica como “absurdo” que, em boa medida, na base desta decisão da CVA esteja o facto de Lagoa se assumir como “Capital” dos vinhos da região. Lembrou que por esse país fora há um sem número de concelhos que se intitulam como capitais do Móvel, do Presunto e de vários outros produtos sem que daí venha qualquer mal ao mundo.

Igual argumento foi usado pelo presidente da Câmara, que listou uma série de exemplos. Trata-se, referiu, de situações que decorrem do empenho que cada município coloca em associar a sua imagem a determinado produto. Isso acontece com Lagoa em relação ao vinho, é uma estratégia que foi definida por este executivo e que, por essa via, na sua opinião, muito contribuiu para dar maior “notoriedade aos vinhos do Algarve e não só aos de Lagoa”.

O assunto também foi abordado pelo chefe de bancada do PSD, Cesário Belém que se mostrou menos compreensivo para com a autarquia. Recorde-se que aquele partido político já tinha tomado posição sobre o assunto, através de comunicado, em que se mostra preocupado com esta situação e em que deixa críticas à forma como o executivo socialista com ela lidou, usando, inclusivamente expressões como “arrogância” e “prepotência”.

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