“O Serviço Nacional de Saúde do Algarve está em coma profundo”

Na próxima segunda-feira vai ter lugar, à porta do Hospital de Faro, um «Encontro em defesa do Serviço Nacional de Saúde no Algarve».

Um dos elementos participantes nesta iniciativa é o deputado do PSD Cristóvão Norte, que se mostra muito crítico em relação à qualidade da prestação de cuidados de saúde na região. Na sua opinião, a situação que se vive é mesmo de “estado de sítio”.

Artigo relacionado: Horários do comércio tradicional precisam de alterações

Que iniciativa é esta e quais os seus objetivos?

Esta iniciativa é, ao fim e ao cabo, a tradução da insatisfação dos utentes com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no Algarve e, em particular, com um conjunto de episódios que têm vindo a suceder-se com cada vez maior frequência, que traduzem uma perda de oferta assistencial.

Por exemplo, ainda hoje a ministra da Saúde esteve no Algarve e não trouxe qualquer tipo de respostas, não percebo sequer o que é que ela veio cá fazer. Pensava que visse dizer que tem um pacote de medidas de natureza excepcional porque estamos confrontados com uma situação de estado de sítio no SNS do Algarve, que está em coma profundo, mas nada disso aconteceu.

Acho que é fundamental que a região se mobilize no sentido de, independentemente de visões mais ou menos partidárias, exercer pressão para que este e o próximo Governo, seja ele qual for, tomem medidas decisivas para que o Algarve seja elevado a prioridade nacional, pois o SNS no Algarve tem um prognóstico muitíssimo reservado, diria mesmo que está nos cuidados intensivos e as pessoas encontram-se desesperadas.

A grande maioria dos problemas no SNS algarvio resulta do facto de muitos médicos não quererem vir para a região. Como é que o Governo pode fazer com que mudem de ideias?

É preciso lançar mão de mecanismos para garantir a fixação de médicos na região. Uma possibilidade é a criação de um conjunto de fortes incentivos. Contudo, esta solução tem um problema grave que é levar a que os profissionais que, por escolha própria, estão sediados na região vejam que outros, por vezes de hierarquia mais baixa, passam a ter remunerações mais aliciantes. Isso pode minar o espírito de grupo e de equipa, a exemplo do que acontece com os tarefeiros, um recurso que subiu assustadoramente ao longo dos últimos anos.

Outra possibilidade é, no limite, encontrar-se um mecanismo de natureza coerciva ou semelhante em que, por exemplo, seja possível obrigar aqueles que frequentam universidades públicas a ficarem vinculados ao Estado, durante um determinado período de tempo. Esta é uma opção que entendo só deve ser tomada caso todos os outros mecanismos falhem.

Há médicos que também se queixam de não terem grandes opções de carreira no Algarve, daí justificando a recusa em virem para a região. De que forma isso pode ser ultrapassado?

Essa é outra das vertentes essenciais para garantir a fixação de médicos no Algarve. A ideia era haver um novo hospital central, de feição universitária, que oferecesse condições de valorização aos profissionais, seja através dos equipamentos, seja ao nível da investigação.

Acontece que este Governo ignorou um despacho de 2006, com base num estudo encomendado, e bem, no ano anterior, pelo ministro Correia de Campos, que estabelecia a hierarquia de prioridades, a nível nacional, no que a novas unidades hospitalares diz respeito.

Em 2017, o Governo anunciou ir fazer 4 novos hospitais, mas o do Algarve, que tinha ficado em 2º lugar, desapareceu dessa lista, tendo sido ultrapassado por outros, por razões que não têm qualquer fundamento, a não que seja por motivos político-partidários.

LEIA TAMBÉM:

Horários do comércio tradicional precisam de alterações

Uma centena de trotinetas elétricas a caminho de Portimão

Hotel de 120 quartos previsto para o Rossio da Trindade


OS NOSSOS VÍDEOS

(Visited 698 times, 1 visits today)
pub
pub
pub
ViladoBispo_Banner_Fev
pub