A polémica demissão do Comandante dos Bombeiros Voluntários de Lagos

Os Bombeiros são daquelas corporações que, por norma, têm o carinho e o assentimento das populações. É por isso que são designados e chamados de soldados da paz.

Mas, em Lagos, essa pacificação não tem existido no seio da corporação. Foi o que nos vieram mostrar as eleições que, no final do ano transato, tiveram lugar.

Mais do que uma disputa salutar de listas concorrentes e com propostas diferentes, começaram a surgir ameaças de impugnação, desconformidades e irregularidades entre os concorrentes e demais acusações que foram desaparecendo após as respetivas eleições.

Apesar da lista da continuidade ser acusada de primar pela ausência, de gerar insatisfação e de deixar os bombeiros entregues a si próprios em autogestão, o certo é que viria a ganhar e a prolongar o actual estado de coisas.

E, como lista da continuidade, fazia questão de apoiar o Comandante cessante e dele fez o garante da sua estabilidade. Nada, por isso, fazia prever a crise que se tem vindo a estalar e a invadir a praça pública. Mas ela aí está com o Comandante a ser afastado ou, de uma forma mais eufemística, convidado a demitir-se. 

E, por contraditório que pareça, agora o Comandante apoiado pela atual direção é o que a lista concorrente tinha como seu e fazia toda a questão, se viesse a ganhar, de proceder a essa substituição. E, assim, o Segundo Comandante, Márcio Regino, que era apoiado pela lista da oposição, passa, agora, a comandar os destinos da corporação.

Processo longo

Paulo Jorge dos Reis que, ao longo de anos a fio, acumulava as funções de Vereador com as de Presidente da Proteção Civil e Comandante dos Bombeiros Voluntários de Lagos, começa a perder posição e deixa forçado os destinos da corporação. A proteção civil já há tempos que não era tutelada por si.

E como é que tudo acontece quando Paulo Jorge era unha e carne com os homens fortes da actual direcção?

Segundo nos afirmaram, porque o Comandante tinha perdido a confiança dos homens da corporação. E porque é preciso fazer opções, não iriam ficar com um comandante que tem os seus homens de costas voltadas e a ameaçarem sair se, porventura, teimassem em continuar a apostar em Paulo Jorge à frente da corporação.

Por isso, a direção, com o impedimento legal de remover o Comandante, forçou-o a sair e a pedir a sua demissão. E, para darem corpo a esta sua pretensão, deitaram mão a um argumento de peso: o de ser removido de Vice-Presidente da Câmara de Lagos caso teimasse em continuar e fizesse questão de não renunciar.

Paulo Jorge Reis sai mas… devagar

Paulo Jorge dos Reis, com uma versão diferente, afirma que continua a ser comandante. Neste momento, em tempo de férias, quer descansar e, com todo este burburinho, ter tempo também para pensar.

Para já, pediu a passagem ao quadro de honra, com a consequente demissão do comando da corporação. Mas este é um processo longo que se tem de percorrer.

O pedido é feito ao Comando Distrital que, por sua vez, consulta a direcção da corporação. Todo este processo é depois encaminhado para o Presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Trata-se de um procedimento longo e demorado que tem de percorrer os seus trâmites adequados. 

Durante todo este percurso, Paulo Jorge dos Reis continua a ser Comandante e Márcio Regino o seu Segundo Comandante. E, se assim o decidisse, poderia continuar por, ao contrário do que querem fazer entender, não haver qualquer incompatibilidade entre as funções de vereador e de Vice-Presidente com as de Comandante.

Perda de influência política?

Mas, conforme fez questão de vincar, enquanto este processo não se concluir, continuará, mesmo de férias, a ser Comandante oficial em acumulação com as funções de Vice-Presidente da Câmara Municipal. 

E como a separação das águas entre os Bombeiros Voluntários de Lagos e a política não é muito clara, há já quem comece a alvitrar que Paulo Jorge está em queda e possa vir a ser preterido e substituído por Sara Coelho na Vice-Presidência da Câmara de Lagos.

E outros que fazem questão de ver a uma distância maior falam já que poderá não figurar nas listas autárquicas que o PS irá apresentar no futuro elenco autárquico.

Independentemente das conjeturas e dos jogos de bastidores que se possam fazer, o importante é que as decisões a tomar possam beneficiar os Bombeiros Voluntários de Lagos e, de uma forma geral, que as escolhas futuras venham a ser as melhores em benefício da Câmara Municipal e das populações de todo o concelho. 

Há, no entanto, que reconhecer que esta agitação não contribui para o bem da corporação nem da cidade e do concelho de Lagos.

Espera-se, por isso, que a solução que venha a ser encontrada, para a Câmara e para a corporação, seja alicerçada em prol do bem comum. 

(Opinião, Guedes de Oliveira)

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