A rota do peixe desde o mar até ao prato – Parte 3

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Reportagem originalmente publicada na edição nº6 do Portimão Jornal, que ser lida, na íntegra, aqui. Pode também ler a Parte 1 aqui.

Para quem não tem grandes dotes culinários ou muito tempo para ficar enfiado na cozinha, a alternativa que resta para comer um peixinho bem confecionado é ir a um restaurante. E, no que toca à sardinha assada, muito consumida nesta altura do ano, uma das opções que se coloca são os estabelecimentos situados na zona entre pontes de Portimão, com larga experiência e fama na matéria.

E, entre eles, pelo menos em termos de longevidade, destaca-se a Casa Bica. Abriu do outro lado da ponte ‘velha’, no longínquo ano de 1946, mas, “inicialmente, funcionava como tasca” contam dois dos atuais proprietários, João Agrela e Carlos Vicente – o outro sócio é José Barreira.

Começou a ser um local muito frequentado pelos pescadores que vinham da faina. O fundador do estabelecimento, António Bica, alugava-lhes o fogareiro para assarem o peixe que traziam e vendia-lhes pão e vinho.

Com a chegada do boom do turismo, aquela zona passou a ser a mais concorrida e fotografada de Portimão, para isso muito contribuindo o facto de ficar junto ao local onde os homens do mar descarregavam, à mão, as canastras de peixe. A sardinha assada tornou-se a imagem de marca da cidade, pode mesmo dizer-se que se transformou na “rainha de Portimão”, título que nunca mais perdeu.

João Agrela recorda com alguma nostalgia “aquele cenário pitoresco e muito característico”, que se perdeu quando a descarga de peixe passou a ser feita na nova docapesca, situada no Parchal. Entretanto, os restaurantes foram transferidos para a zona entre pontes, para edifícios construídos de raiz e que dão outro tipo de condições a quem ali se desloca.

Uma longa jornada de trabalho

Ele e os seus sócios agarraram no negócio em 1980 e têm continuado a honrar a tradição da boa sardinha na brasa, que é muito procurada por gente de todas as nacionalidades, línguas e sotaques.

Assar sardinhas à algarvia parece fácil, mas tem muito que se lhe diga. Este empresário explica que “há que fazer uma boa moura, depois preparar a brasa e sobre a grelha colocar as sardinhas no momento certo”. Um restaurante deste género vive muito de “quem está no fogareiro e neste como noutros aspetos, a nossa casa tem funcionado como uma escola, ao longo destes anos”.

Atualmente, diz Carlos Vicente, devido ao período atípico que vivemos, “estamos a funcionar apenas a cerca de 50% do que era hábito”, o que faz com que o número de funcionários seja de 15, menos do que num ano normal.

Pelas contas destes empresários, quem ali se desloca faz uma refeição por um valor médio de “17 a 20 euros”, dependendo, obviamente do que escolher. Sendo a sardinha assada o grande cartão de visita do restaurante, é esse o prato mais apreciado e pedido pelos clientes. Mas há muitas outras opções, como robalo, dourada, choco ou polvo à lagareiro.

O peixe, acabado de pescar, é entregue a partir das 7 horas da manhã por uma empresa externa que foi comprá-lo à lota. A partir de cerca das 10 horas, os funcionários começam a azáfama diária de preparar os cerca de 200 lugares existentes, colocar o peixe na vitrina e a preparar mil e um pequenos pormenores, de forma a que tudo esteja perfeito para receber os clientes, que começam a chegar por volta do meio-dia.

Os almoços não têm hora certa para acabar, dependendo da afluência que, em cada dia, o restaurante registe. Uma vez servido o último cliente, há umas horas para descomprimir e depois é preciso recomeçar a labuta e preparar tudo outra vez, agora para receber quem aparecer para jantar.

A jornada de trabalho é longa, não sendo raro os sócios saírem dali por volta da 1 hora da madrugada, já depois de terem começado a planear o dia seguinte.

Tal como a generalidade dos negócios no Algarve que dependem do turismo, também este sofre os efeitos da sazonalidade. Apesar de manter as suas portas abertas ao longo de cerca de metade do ano, basicamente “vivemos do lucro dos três meses do verão”.

Reportagem originalmente publicada na edição nº6 do Portimão Jornal, que ser lida, na íntegra, aqui. Pode também ler a Parte 1 aqui.

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