Este empreendedor quer pôr os algarvios a poupar muita água… e dinheiro

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(Texto originalmente publicado no Portimão Jornal, que pode ler na versão impressa ou online aqui)

Todos os dias, ao puxar o botão do autoclismo atiramos pela sanita abaixo uma enorme quantidade de litros de água potável. O mesmo acontece quando tomamos um duche ou banho de imersão.

Pelos cálculos do empreendedor Pedro Glória, estas simples tarefas são responsáveis por “cerca de 25 a 30% da água que consumimos em nossas casas”. Numa altura em que a chuva raramente aparecer e em que os níveis das barragens estão assustadoramente baixos “isto não faz qualquer sentido”.

Depois de muito pensar e pesquisar sobre esta matéria, resolveu avançar com um sistema que permite a reutilização da água dos duches e banhos, que depois é canalizada para a sanita, permitindo que, dessa forma, se consiga uma substancial poupança deste cada vez mais precioso líquido. As primeiras ideias e ‘sketches’ “surgiram no ano passado, com o incentivo e apoio de alguns amigos”. Ao ver que o projeto poderia ter pernas para andar resolveu instalar-se na StartUp Portimão, onde tem vindo a desenvolvê-lo e aperfeiçoá-lo.

Construção de protótipo

O processo encontra-se, nesta altura, na fase de construção de um protótipo e de uma equipa mais especializada que “trate dos detalhes técnicos”. Ao mesmo tempo, Pedro Glória está a verificar quais são as peças que podem ser patenteadas, de forma a proteger a sua invenção.

Basicamente, o que se propõe desenvolver é um kit através do qual “se faz a recolha automática da água do duche ou do banho de imersão, a qual é enviada para um reservatório ou para um autoclismo sem a necessidade de fazer obras na casa de banho”. Isso vai permitir que a água que tem atualmente, apenas uma utilização passe a ter duas.

O empreendedor pretende que a versão que vai desenvolver para uso doméstico seja bastante simples, de forma a que “qualquer pessoa possa proceder à sua instalação”, sem necessidade de ter de contratar alguém para isso.

Mas para que, uma vez em fase de comercialização, o produto seja um sucesso de vendas, é preciso que o seu preço não afugente os potenciais compradores. Pedro Glória está bem ciente disso e garante que “o objetivo é que o investimento fique pago com o que as pessoas vão poupar na conta da água ao fim de cerca de 3 anos”. E não tem dúvidas que vai ser perfeitamente possível conseguir isso, uma vez que “os materiais necessários – sobretudo, bombas e sensores – são relativamente baratos quando comprados em grandes quantidades”.

Produto pode ser utilizado em hotéis, escolas e piscinas

O consumidor doméstico será um dos seus principais públicos alvo, mas o empreendedor antecipa que a sua invenção possa ter aplicações a outros níveis. Uma das suas atuais tarefas é estudar os consumos do aparthotel de um amigo, de forma a que possa criar uma versão especialmente direcionada para o setor turístico. Mas “o equipamento também pode ser usado nas casas de banho de escolas, piscinas municipais e ginásios, por exemplo”.

Todas estas possibilidades levam-no a perspetivar que não lhe faltarão clientes, o que é preciso é trabalhar a todo o ‘vapor’ para conseguir concluir e ter o produto disponível o mais rapidamente possível. Naturalmente que para isso é necessário dinheiro e Pedro Glória gostaria de envolver investidores no projeto. No entanto, mesmo que ninguém se chegue à frente “há atualmente formas alternativas de financiamento através de plataformas de crowdfunding”, que tenciona utilizar.

Outra vertente que tenta explorar é a dos incentivos e apoios nacionais ou comunitários, uma vez que a questão da poupança de água é considerada estratégica, quer pelo Governo, quer pela União Europeia.

Da música para o empreendedorismo

A atividade habitual de Pedro Glória não tem nada a ver com a que, nesta altura, desenvolve. É músico, uma das profissões que mais sofreu com os efeitos da pandemia, pois, praticamente, deixaram de existir concertos e atuações.

Logo no início de abril percebeu que, pelo menos durante uns tempos, essa vertente profissional ia ficar de lado, pelo que precisava de mudar de vida. Resolveu, então, dedicar-se a sério a este projeto que uns meses antes tinha começado a germinar na sua cabeça. Foi por essa altura que se instalou na StartUp Portimão, onde tem encontrado importante apoio, sobretudo “ao nível da mentoria, da disponibilização de pequenas ações de formação, do marketing, da diversificação da rede de contactos”.

Passou também a ir a todos os encontros e seminários sobre esta temática e a investigar tudo o que existe sobre o assunto, ao mesmo tempo que procura transformar em realidade o seu projeto, a que deu o nome de SWRS – Shower Water Recycling System.

Mas a sua paixão pelas questões da sustentabilidade e a reutilização já é antiga, pois considera-se “um ambientalista nato e convicto”. Para além do muito que entende ter de ser feito na casa dos portugueses para evitar o desperdício de água – colocação de torneiras e autoclismos mais eficientes – também a nível mais geral há substanciais mudanças que devem ser feitas.

No que às florestas diz respeito, por exemplo, “fala-se sobre a questão dos incêndios, mas muito pouco sobre a da água e há especialistas que sabem o que se deve fazer a este nível”, Apesar de, ultimamente, a chuva ser escassa, “a verdade é que pouco ou muito, todos os anos chove, mas as infraestruturas que temos não estão minimamente preparadas para sequer aprovisionar essa água”.

Pedro Glória considera que esta é uma questão fulcral para o nosso futuro, pelo que se deve ter um outro olhar e atitude para a forma como se gere um líquido tão precioso. Da sua parte procura dar um contributo através deste projeto.

(Texto originalmente publicado no Portimão Jornal, que pode ler na versão impressa ou online aqui)

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