Pandemia faz disparar pedidos de ajuda

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A pandemia faz com que haja cada vez mais pessoas a precisar de ajuda. Por esta altura, são, em média, 80 as famílias às quais a Associação Cultural e Recreativa Alvorense (ACRA) 1º de Dezembro presta apoio social.

Pelas contas da tesoureira da instituição, Ascensão Marques, trata-se de “cerca do dobro do que era habitual” e a tendência continuará, seguramente, a ser de aumento deste número, caso o combate ao vírus não seja bem sucedido a curto prazo, levando ao regresso do país à normalidade possível.

Naturalmente que uma das vertentes essenciais desse apoio é o alimentar. Através do seu Refeitório Social são confecionadas diariamente (de segunda a sexta-feira) à volta de quatro dezenas de refeições. Para além disso, todas as terças-feiras a instituição entrega 87 cabazes, uma parte deles no âmbito do programa do Banco Alimentar e outros resultam de “muitas doações de pequenas empresas não só de Alvor e Portimão, mas também de outras zonas do Algarve”.

Com uma equipa pequena, de apenas quatro pessoas, responder a este grande acréscimo de trabalho só é possível graças ao empenhamento de um grupo de voluntários. Entre eles estão pessoas que, diz a diretora técnica, Mafalda Ramos, “recebem apoio da instituição e que fazem questão de retribuir com o seu trabalho sempre que é preciso”.

Igualmente importantes, destaca Ascensão Marques, “são as parcerias que temos com a Junta de Freguesia de Alvor e com a Câmara de Portimão, que permitem responder às solicitações que vão surgindo, para que não haja fome na freguesia”.

Ligação com a Segurança Social

Outra parte do trabalho da equipa é fazer uma espécie de ligação entre as famílias e a Segurança Social, o Instituto do Emprego e Formação Profissional e outras instituições públicas.

É frequente as pessoas não saberem a quem e de que forma recorrer quando há algum problema burocrático ou é necessário preencher e entregar formulários e nesses casos são preciosos os serviços da associação, que dá o encaminhamento correto às situações que aparecem.

Os pedidos de apoio que, com maior frequência ali chegam, para além do alimentar, têm a ver com questões relacionadas com o desemprego e a dificuldade que muitas famílias sentem em pagar a renda da casa.

Por esta altura praticamente toda a atividade da ACRA é canalizada para o apoio social, mas assim que as condições pandémicas o permitirem, a direção pretende voltar a ativar as outras valências habituais, como sejam o centro de convívio, a apresentação de espetáculos e a realização de aulas de ginástica, yoga e sapateado, para além de, eventualmente, outras novas, que já estão a ser pensadas.

Mais pedidos, menos receitas

A Associação Cultural e Recreativa Alvorense 1º de Dezembro funciona no Centro Comunitário de Alvor, um edifício com cerca de duas dezenas de anos.

Naturalmente que, “ao longo desse tempo, o imóvel foi-se degradando e precisa sempre de intervenções de manutenção e reparação”. Trata-se de um trabalho contínuo, que, diz Ascensão Marques, “temos vindo a fazer à medida das possibilidades”, ao mesmo tempo que são resolvidos “uma série de problemas que vinham do passado”.

Esta responsável desabafa que “tem sido um desafio grande”. Uma parte das dificuldades e problemas “já sabíamos que íamos encontrar quando nos candidatámos”, mas as circunstâncias excecionais que atravessamos vieram complicar ainda mais a tarefa.

Até ao início do ano passado “as coisas estavam a correr bem, tínhamos muitas atividades, muita dinâmica e o número de associados estava a aumentar”, o que fazia com que a direção, que é liderada por Maria da Conceição Rodrigues, estivesse convicta de que seguia o caminho certo.

Entretanto surgiu a pandemia e as dificuldades aumentaram substancialmente. Se, por um lado, aumentaram os pedidos de apoio, por outro diminuíram as receitas, quer as que decorriam de iniciativas próprias, quer as que resultavam de dádivas.

Mas, ainda assim, conclui Ascensão Marques, “tem continuado a haver uma grande vontade por parte de empresas e particulares, inclusivamente da comunidade estrangeira, em ajudar-nos dentro daquilo que é possível, o que nos tem surpreendido e que muito agradecemos, pois sabemos que estes são tempos de grandes dificuldades para toda a gente”.

(Reportagem originalmente publicada no Portimão Jornal, que pode ler na edição impressa ou online, aqui)

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