“A Câmara de Portimão não vai fazer nem mais um teste à Covid-19”

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“Um castigo injusto, revoltante e inaceitável”.

Foi desta forma que a presidente da Câmara de Portimão reagiu, há instantes, em conferência de imprensa, à decisão ontem anunciada pelo 1º ministro do seu concelho dar um passo atrás no plano de desconfinamento.

Isilda Gomes garante que o vírus não está disseminado na comunidade, tendo a esmagadora maioria dos resultados positivos sido detetados na área da construção e em estabelecimentos escolares.

A autarca refere que os infetados e as pessoas com que contactaram e às quais poderão ter transmitido o vírus foram colocados, de imediato, em isolamento. Portanto, os focos “estão bem identificados e o vírus não está espalhado nas casas e nas esplanadas”.

Ao dia de hoje, referiu, “há 129 casos ativos no concelho e nos últimos 14 dias foram registados 185 casos”.

Isilda Gomes quer que, agora, “o Governo assuma as suas responsabilidades” e avance com o reforço das vacinas em Portimão. A autarca lembrou que já desde o início do mês de março tem disponível um Centro de Vacinação que a Administração Regional de Saúde não está a usar, optando por outras soluções e espaços que, na sua opinião, têm menos condições e exigem maiores estruturas de apoio.

Outra das medidas que constam do seu ‘caderno de encargos’ é o aumento do número de elementos das forças de segurança para que possam fiscalizar se as pessoas – em especial, as que têm obrigação de ficar em confinamento – estão ou não a cumprir. Também exige “apoios extraordinários à economia local, em especial à da restauração e ao pequeno comércio que agora têm de fechar”.

A presidente da Câmara de Portimão quer, igualmente, que haja reforço dos profissionais de saúde e que o número de testes feito seja valorizado nos critérios usados para avaliar quais os concelhos que avancam e recuam. A autarca referiu que gostaria de saber quantos testes foram feitos noutros concelhos.

No caso de Portimão foram recentemente levadas a cabo ações de testagem que envolveram 4187 pessoas, das quais apenas 12 foram registadas como positivas. Portanto, conclui, não foi por esta razão que o concelho regrediu no processo de desconfinamento.

De qualquer forma, garante que, a partir de agora, “a Câmara não vai fazer nem mais um teste”, pois entende que deve ser o Governo a chegar-se à frente.

Caso as suas exigências não sejam cumpridas, “retirarei daí as devidas ilações”. Às perguntas dos jornalistas sobre que pretende fazer, optou por não dar uma resposta direta, mas ficou no ar a hipótese de ter em cima da mesa as possibilidades de se demitir ou de acabar por não se recandidatar ao cargo que exerce pelo PS.

A autarca confessa ter “ficado em choque” ao saber da decisão, tal como muitas pessoas que lhe têm telefonado, em especial, empresários que tinham preparado os seus estabelecimentos para reabrir na segunda-feira.

Isilda Gomes diz que “os portimonenses e os algarvios merecem respeito” e lembra que o seu concelho foi solidário com o país, quando teve em funcionamento um hospital de campanha que recebeu pessoas de concelhos do centro e até do norte, deixando subjacente a ideia de que essa solidariedade não funcionou agora em sentido contrário.

Mas o ponto principal prende-se com “o atraso no processo de vacinação na região, que ninguém percebe”. Na sua opinião, e tendo em conta a importância que o turismo algarvio tem para a economia nacional, “é necessário que se avance rapidamente com esse processo”.

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