O adeus ao velhinho Hospital de Lagos

O velhinho Hospital da rua Castelo dos Governadores, num dos locais onde a história continua a perdurar e a dar rosto à cidade de Lagos, criou uma relação de afetividade e de proximidade com toda a população do território de Lagos.

Mas até a geografia algarvia e até partes do Alentejo como Odemira, de Lagos se aproximaram quando o seu hospital fazia intervenções que iam para lá dos limites das suas confrontações. Foram tempos em que o Hospital de Lagos era procurado devido à fama dos seus cirurgiões e à qualidade das intervenções que no seu interior tinham lugar. 

E, assim, o Hospital foi crescendo e obtendo cada vez mais credibilidade no seio da nossa comunidade e para além das suas fronteiras. Mas, com o tempo a passar, sentia-se que, embora a sua localização fosse privilegiada, os seus acessos eram acanhados e a sua construção não respondiam às necessidades e aos desafios que uma sociedade mais avançada acaba por colocar às suas unidades de saúde.

E, a par dos amigos do Hospital, que o queriam melhorar e que sempre defendiam uma relação mais próxima e mais afetiva com a população, outras alternativas se começaram a equacionar para se dar uma resposta com mais qualidade, com mais eficiência e com outra abrangência à saúde da cidade de Lagos.

Atitude preconceituosa e tacanha

E tudo parecia estar a encaminhar-se no sentido devido quando o projeto de Hospital Privado de São Gonçalo de Lagos começou a equacionar-se e passou de simples efabulação à fase de concretização. Tudo estava a conjugar-se para que o Serviço Nacional de Saúde, em Lagos, pudesse dispor de um hospital moderno, funcional e que, daí em diante, desse resposta cabal às necessidades de saúde das Terras do Infante.

Era, na altura, ministro da Saúde o Professor Correia de Campos. E propunha-se fazer uma parceria com a Associação Intermunicipal Terras do Infante que compreende os municípios de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo. O Hospital Privado de São Gonçalo de Lagos teria mais cerca de dois terços da construção que viria a ter para responder a este desafio ousado e a parecer desenhado para uma saúde pública de qualidade na cidade de Lagos e municípios que fazem parte da sua associação. E, naturalmente, também esta unidade de saúde moderna, bem apetrechada e funcional, beneficiaria toda a região.

Mas, incompreensivelmente, os responsáveis locais da altura, numa atitude de política preconceituosa e tacanha, inviabilizaram este projeto de futuro para a saúde de Lagos e demais municípios que consigo partilham a história desta ponta do Algarve. Cerca de vinte anos depois, o projeto está de novo em cima da mesa. Mas muito mais reduzido e sem a dimensão que viria dar outra razão de ser à saúde da população por estas terras do Algarve.

Agora, o Hospital de Lagos vai fechar. E quem o vem substituir, vinte anos depois, é o Hospital de São Gonçalo de Lagos. Mas com uma diferença. Muito mais diminuído, sem valências que, antes, poderia ter, sem o equipamento devido e sem a dimensão necessária para fazer face à saúde desta sub região.

Negociações avançadas

E tudo porque a parceria de há vinte anos atrás não foi viabilizada e porque a maior dimensão do hospital não foi aprovada. Uma visão tacanha e politicamente desfasada no tempo e no preconceito acabou por prejudicar a população durante os vinte anos passados e durante os muito que se vão abrir com um hospital diminuto que vai substituir o velhinho Hospital da rua Castelo do Governadores

As negociações estão adiantadas e já a decorrer entre o Hospital Privada do Algarve, dono do Hospital Privado de São Gonçalo, e a Ministra da Saúde. Também intervém nesta negociação o Centro Hospitalar Universitário do Algarve. E, pelo que nos é dado a conhecer, Paulo Morgado, Presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, está fora do processo. E, até ao verão, se não houver qualquer interrupção ou problema de última hora, o processo deve estar concluído com o Estado a pagar cerca de 14 mil euros de renda pela entrada do Hospital de São Gonçalo de Lagos na rede pública do Serviço Nacional de Saúde.

Devido à pequena dimensão do Hospital de São Gonçalo é possível que o velhinho Hospital da rua Castelo dos Governadores continue a funcionar, mas sem quaisquer valências para o exterior; apenas como unidade de acamados.

Mas como o Hospital Privado do Alvor não quer deixar o território de Lagos, aqui vai continuar com uma clínica a funcionar. Vai situar-se na rua D. Vasco da Gama, no espaço de um ginásio, defronte da rodoviária nacional.

Com este meio arranjo no panorama da saúde de Lagos, é de esperar que o Serviço Nacional de Saúde possa, o mais brevemente possível, adquirir e ampliar o Hospital de São Gonçalo de Lagos. É fundamental que possa vir a ser dotado das valências que Lagos e as suas Terras do Infante requerem e merecem.

O ideal seria uma nova construção. E para isso já há terreno destinado junto à escola Tecnopolis. Mas Lagos não tem peso político para uma simples reivindicação como esta. E, por isso, o que não se fez há vinte anos atrás, ao menos que se possa fazer nos tempos que vêm a seguir. Assim o requer e o exige a saúde de Lagos.

(Opinião, Guedes de Oliveira)

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