Jovens de Portimão em campanha por mais espaços verdes nas cidades

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(O artigo também pode ser lido no Portimão Jornal, na sua versão impressa ou online, aqui)

Os alunos da turma 10º L da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes estão a desenvolver uma campanha com o objetivo de que o dia 25 de maio seja institucionalizado como o Dia Nacional dos Jardins.

A escolha da data é uma forma de homenagem ao arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles que nasceu nesse dia, no ano de 1922, e que ao longo da sua vida apresentou inúmeras ideias e propostas para tornar as cidades mais verdes.

Este projeto dos jovens portimonenses está bem encaminhado, uma vez que a petição que lançaram já ultrapassou as mil assinaturas. Isso implica que vá ter que ser debatida numa comissão da Assembleia da República que, depois, enviará um relatório para o Governo. Tendo em conta que há um grande consenso, a nível político e ambiental, sobre a importância da figura e a obra de Gonçalo Ribeiro Telles – que faleceu no ano passado – e que há cada vez mais uma forte consciencialização de que as cidades não podem ser autênticas selvas de betão, os estudantes estão convencidos de que esta proposta vai ter um fim feliz.

Através do documento, defendem a relevância dos jardins, enquanto “síntese da cidade e do campo, do urbano e do bucólico, da ordem geométrica das árvores e sebes desenhadas e da irreverência surpreendente das flores campestres”. O grupo acrescenta que devem, também, ser essencialmente “lugares de encontro” entre pessoas de diversas idades, culturas, proveniências e ideias.

A proposta que fazem é que 25 de maio seja um ‘pontapé de saída’ para humanizar mais aqueles espaços e se transforme “num dia especial, em que os idosos saiam dos lares e de suas casas para apanhar sol e conversar entre si, em que as crianças mais novas vão passar a manhã a brincar à apanhada, a andar de baloiço ou a jogar à bola”.

Petição já conta com mais de mil assinaturas

Uma das alunas, Maria Lapa, conta que “foi o professor Carlos Café que, em janeiro passado, nos apresentou a ideia, que foi bem acolhida por todos”. Confessa que, na altura, a maioria não tinha um grande conhecimento sobre quem tinha sido e o que tinha feito Gonçalo Ribeiro Telles, mas foi uma lacuna que rapidamente ficou preenchida após levarem a cabo algumas pesquisas na internet.

A partir daí, ficaram entusiasmados e criaram um grupo para dinamizar o processo. Ainda assim, uma das suas colegas, Jéssica Mendes, confessa que “não esperávamos grande coisa, em termos de projeção, pensávamos que ia ser uma ideia que não teria qualquer consequência prática”.

A maior parte da promoção da petição e do projeto, diz Francisco Nunes, “foi feita através da internet, com a criação de uma página no Facebook (a que foi dado o nome de Jardins do Telles) e usando também outras redes sociais, como o Instagram”.

O esfoço resultou e, quase de imediato, começaram a ser visíveis os resultados sob a forma do aumento diário do número de assinaturas. Isto apesar de, refere Carlos Café, “ser obrigatório que nas petições a enviar para a Assembleia da República, as pessoas coloquem dados como o número do cartão de cidadão e um email e há muita gente que sente relutância em facultar essas informações”. Trata-se de “um constrangimento com que nos deparamos, se ele não existisse já teríamos um número muito maior de assinaturas”.

A petição vai continuar disponível até ao final de setembro, altura em que será, então, enviada para a Assembleia da República, onde merecerá análise por parte de uma comissão, que deverá ouvir os peticionários.

Nesta fase, o professor ainda não sabe se terão de se deslocar à capital para o efeito ou se isso será feito através de videoconferência. Mas é certo que, no próximo ano letivo, a turma irá a Lisboa, em visita de estudo, para apreciar alguns dos trabalhos do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, de que se destacam, entre outros, os jardins da Gulbenkian, o espaço verde que ladeia o Castelo de São Jorge e o Jardim Amália Rodrigues.

Melhorar os espaços verdes de Portimão

A nível local já está garantido que, no próximo ano, será instituído o Dia Municipal dos Jardins, o qual contará com a participação empenhada daqueles alunos, que pretendem promover diversas iniciativas, como a promoção de concertos em jardins ao fim da tarde ou a realização de aulas ao ar livre.

Isso mesmo, refere o grupo, foi-lhes garantido pelo vice-presidente da Câmara, Filipe Vital, numa reunião, no decorrer da qual lhe foi apresentar o projeto.

Os alunos presentes na reunião aproveitaram a oportunidade para expressarem a ideia de que há muito por fazer em termos de jardins e espaços verdes em Portimão, o que foi reconhecido pelo autarca, que lhes deu a conhecer alguns projetos que vão ser desenvolvidos, como o do Parque da Juventude.

Na altura ficou também assumido que o parque urbano que está a ser criado entre a Escola Manuel Teixeira Gomes e o Mercado Municipal receberá o nome de Gonçalo Ribeiro Telles.

Carlos Café mostra-se entusiasmado com a recetividade que a iniciativa tem tido, não apenas por parte da Câmara como de todos os partidos políticos. Inclusivamente, “alguns deles aproveitaram, e muito bem, a oportunidade para mandar umas farpas ao executivo municipal”.

Isso faz com que considere que “estes jovens já conseguiram colocar a temática dos jardins e dos espaços verdes na agenda política”. Tendo em conta que nos encontramos em pré-campanha eleitoral, está convencido que isso fará com que as diversas forças políticas deem um maior enfoque a estas matérias, o que terá consequências no próximo mandato, seja quem for que ganhe as eleições.

A preocupação de professor e alunos começa logo no espaço verde da escola que frequentam, para cuja melhoria também contam apresentar sugestões. Mostram-se, igualmente, muito críticos pelo facto de ainda não terem sido realizadas no estabelecimento de ensino, as intervenções que há muito são prometidas.

Carlos Café desabafa que “temos dos melhores alunos do país, mas, ao mesmo tempo, uma escola que é um espaço medieval, a internet cai com frequência, há fissuras e problemas diversos nos edifícios e ainda algum amianto que, ao que parece, vai ser finalmente retirado”. Também nesta vertente ele e os seus alunos prometem “pressionar para que as obras avancem, de uma vez por todas”.

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