Presidente da Câmara de Lagoa reivindica mais uma Unidade de Saúde Familiar para o concelho

O «Algarve Marafado» inicia hoje uma série de entrevistas de fundo a presidentes de câmara algarvios. O primeiro convidado é Luís Encarnação, que, nas últimas eleições autárquicas, obteve uma vitória absoluta em Lagoa, levando de vencida o anterior líder da autarquia que, desta vez, concorreu como independente. É exatamente por este tema que arranca a primeira parte da entrevista, onde também se fala da Covid-19 e do que é preciso fazer no concelho para melhorar a prestação dos cuidados de saúde à população.

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Algarve Marafado (AM) – As últimas autárquicas foram muito ‘animadas’ em Lagoa, com dois candidatos da área socialista a defrontarem-se. Devido a essa circunstância, pouca gente apostaria que o PS conseguisse uma vitória com a dimensão que acabou por ter. Também foi uma surpresa para si?

Luís Encarnação (LE) – Sempre acreditei que o projeto que lidero pudesse vir a ser vencedor, fruto do trabalho que fomos capazes de desenvolver, sobretudo a partir de 2019, após ter assumido o cargo de presidente da Câmara.

É bom lembrar que apanhámos uma situação inédita, de grande gravidade, provocada pela pandemia da Covid-19. Postos à prova, fomos capazes de tomar as decisões necessárias e de gerir o concelho e cuidar dos lagoenses da forma que era necessária. Julgo que o trabalho desenvolvido foi premiado pelos lagoenses.

Sempre acreditei que iríamos ganhar, mas confesso que os resultados que acabámos por alcançar foram uma agradável surpresa, pela dimensão que tiveram.

AM – Que impacto financeiro nas contas da Câmara tiveram as medidas de apoio que foi necessário tomar durante estes anos?

LE – Foi um impacto considerável e a demonstração de resultados do ano 2020 é um pouco o espelho disso. Ao contrário do que vinha a ser habitual nos últimos anos, em que apresentávamos resultados líquidos positivos e até com saldos muito confortáveis, nesse ano tivemos, pela primeira vez desde que o PS está à frente da gestão da Câmara, um resultado negativo de cerca de 1,6 milhões de euros.

Tivemos que reforçar os apoios às instituições de apoio social, que investir mais nas limpeza das ruas, que proceder à aquisição de máscaras comunitárias para oferecer à população e à compra de líquido para desinfeção das mãos… Foi necessário fazer uma série de investimentos, a que se juntou a medida de dilatar por mais dois meses o prazo de pagamento das faturas da água e tudo isso teve um impacto nas contas da autarquia que resultou nesse resultado líquido negativo em 2020.

Contudo, em 2021 invertemos claramente esses números e quando os resultados forem apresentados – creio que em início de abril – vão ser uma surpresa.

Resultados positivos de volta

AM – A Câmara vai voltar a ter resultados positivos?

LE – Vai voltar a ter resultados positivos e ao nível daquilo a que estávamos habituados no período pré-pandemia.

AM – No total, quanto é que a autarquia teve de gastar a mais para fazer face à situação provocada pela pandemia?

LE – Em termos de despesa, rondou os 4 milhões de euros. Se a isso juntarmos a receita que deixámos de arrecadar, chegamos a um impacto negativo de 5 milhões de euros.

AM – Algumas das medidas de apoio que foram tomadas ao longo dos últimos dois anos vão manter-se nos próximos tempos?

LE – Neste momento não está previsto que se mantenham as medidas que foram mais emblemáticas, como a isenção das licenças de ocupação de espaço público ou das rendas dos nossos espaços ou os apoios suplementares que foram dados às instituições devido ao confinamento.

Isso não significa que à luz de novos acontecimentos que, eventualmente, aconteçam, como o agravamento da pandemia ou aquilo que decorra de situação muito problemática que vivemos atualmente, que é a guerra na Ucrânia, não voltemos a implementar essas ou outras medidas.

No mundo globalizado de hoje, o que acontece em qualquer parte do globo acaba por também nos afetar e esta situação já está a ter consequências negativas na nossa economia, o que resulta do aumento galopante do preço dos combustíveis, da energia e das matérias-primas, pelo que vamos continuar atentos e, caso se justifique, tomaremos as medidas que se imponham, sempre com a ideia de não deixar nenhum lagoense para trás.

Unidade de Saúde Familiar para Estômbar, Parchal e Ferragudo

AM – Ao nível das empresas do concelho, que impacto julga ter tido a pandemia?

LE – Foi muito grande num concelho que vive essencialmente do turismo – 90% ou mais da nossa atividade económica está direta ou indiretamente relacionada com esse setor. Uma das consequências da pandemia foi a necessidade das pessoas ficarem confinadas em casa, o que teve um impacto brutal na economia como a nossa.

Felizmente, houve uma resposta à altura da parte do Governo, as medidas tomadas de apoio às empresas e às famílias foram determinantes para que as mesmas tivessem sobrevivido para estarem agora disponíveis para se iniciar a retoma. Não sei o que vai acontecer ao longo deste ano, fruto da situação de guerra que se vive, mas, em condições normais, estaríamos a perspetivar um ano extraordinário ao nível do turismo.

AM – A pandemia também veio sobrecarregar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que, de uma forma geral, respondeu positivamente, mas veio colocar a nu algumas das suas debilidades, em especial nos cuidados primários. No concelho de Lagoa há muitas queixas de faltas de médicos e de grandes atrasos na marcação de consultas. O que é que a Câmara tem feito para tentar pressionar a Administração Regional de Saúde (ARS) a tomar medidas para resolver ou, pelo menos, minorar estes problemas?

LE – Temos tido vários contactos com a ARS, em articulação com os presidentes das juntas de freguesia. Com a criação da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Lagoa foram resolvidos alguns dos principais problemas que, ao nível dos cuidados de saúde primários, existiam numa parte do concelho, nomeadamente, nas freguesias de Porches e de Lagoa e Carvoeiro.

Na altura foi-nos garantido que o passo seguinte seria a criação da USF Estômbar/Parchal/Ferragudo. Infelizmente isso ainda não aconteceu, em parte porque não há profissionais de saúde suficientes para assegurar esse serviço, mas o futuro tem que passar por aí e é por isso que nos batemos e pressionamos a ARS.

As respostas que até agora têm sido dadas são pontuais, através do recurso a empresas prestadoras de serviços de profissionais de saúde. Isso mitiga algumas situações durante uma ou duas semanas, mas depois os problemas persistem.

Consideramos que no final do primeiro quartel do século XXI não é aceitável que os cidadãos não tenham acesso aos cuidados de saúde primários. Já disse isso ao presidente da ARS, à diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Barlavento e o passo seguinte será, eventualmente, dizê-lo à atual ministra da Saúde ou a quem venha a ocupar essa pasta no futuro Governo.

Câmara vai fazer obras na Extensão de Saúde do Parchal

AM – Portanto, nesta altura ainda não sabe quando é que essa unidade de saúde será criada?

LE – Ainda não recebemos essa informação por parte da ARS. Da nossa parte, estamos disponíveis para melhorar as condições logísticas, ao nível das instalações, pois esse é outro dos problemas que temos.

No ano passado fizemos um levantamento exaustivo das condições das extensões de saúde, sendo as da propriedade da autarquia as que apresentam menos problemas. As outras vão também ficar à nossa responsabilidade quando for concretizada a delegação de competências nesta área, o que acontecerá a partir do próximo dia 1 de abril. Não vamos ter a possibilidade de intervir, de imediato, nessas extensões mas até ao final do ano começaremos a levar a cabo as obras necessárias.

É bom lembrar que o Centro de Saúde de Lagoa nunca teve uma pintura desde que foi inaugurado, também aí vamos ter que fazer muito investimento e não vamos receber do Governo verbas para proceder às pinturas e obras de reparação, na dimensão que este e os outros equipamentos de saúde precisam.

AM – Para além do Centro de Saúde de Lagoa, quais são as instalações que se encontram em piores condições?

LE – É a Extensão de Saúde do Parchal, para a qual temos já um projeto. Vamos aumentar a área, com a construção de um segundo piso, porque provavelmente, e essa será a nossa proposta, a Unidade de Saúde que vai ser criada na parte ocidental do concelho irá funcionar nesse espaço, uma vez que é central relativamente a Ferragudo e Estômbar, cujas extensões de saúde vão também, naturalmente, manter-se em funcionamento.

AM – Na prática, quais são as vantagens que as unidades de saúde trazem para as populações?

LE – Uma das grandes vantagens é ser constituída uma equipa que faz o acompanhamento e garante a prestação dos cuidados de saúde primárias à população. Desta forma, os cidadãos não ficam tão dependentes, como agora estão, da disponibilidade de um único médico para os atender.

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Na 2ª parte da entrevista fala-se de obras e do Centro de Congressos do Arade, que a Câmara se prepara para comprar

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