Viagem pelo comércio portimonense com Cândido Glória

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Primeira parte de uma ‘viagem’ pela vida de Cândido Glória. Pode ler a 2ª parte aqui. A reportagem também está disponível na edição impressa do Portimão Jornal ou online, aqui.

Nascido há 88 anos na cidade de Portimão, Cândido Glória fez os seus estudos no então Liceu Municipal Infante de Sagres. Gostaria de ter prosseguido a sua aprendizagem escolar, mas, lembra, “como os meus pais não tinham condições para isso, tive que me fazer à vida”.

O seu primeiro emprego foi numa empresa que vendia tabaco ao balcão e por retalhistas e, mais tarde, “através de um amigo, surgiu a hipótese de entrar nas vendas de artigos de alfaiate”. A sua função era a de percorrer o país a vender material, à comissão, a profissionais do setor.

Tratava-se de uma atividade algo desgastante e que não lhe trazia os proveitos financeiros que desejava, pelo que a abandonou e foi trabalhar para Faro, num armazém de mercearias e de torrefação de café.

Sem que, na altura, o soubesse, tinha, finalmente, encontrado a área de atividade à qual dedicaria praticamente toda a sua vida profissional. O passo decisivo seria dado no regresso a Portimão, como caixeiro viajante de um outro armazém do género, situado na Rua João de Deus, que, mais tarde, se transformaria na Abastecedora de Mercearias do Barlavento.

De funcionário a empresário

Aí trabalhou durante vários anos, ganhando a experiência que lhe permitiu tornar-se, em 1962, um dos quatro sócios do estabelecimento quando o respetivo dono resolveu trespassá-lo.

Foi uma ‘jogada’ arriscada, pois não tinha sequer dinheiro para pagar, de imediato, a sua quota, valendo-lhe a confiança em si demonstrada pelos seus parceiros de aventura, que aceitaram que fizesse o pagamento mais tarde.

O grupo não se manteria unido por muito tempo, e Cândido Glória acabou por se ver como responsável por 50% do negócio, tendo como parceira uma empresa de Lagos. Uma nova mudança de sócio contribuiu para o que considera ter sido o período áureo da Abastecedora. A seu lado passou a ter a Real Companhia Velha, uma importante empresa nacional, que lhe deu um grande trunfo: a distribuição dos seus vinhos, que eram muito apreciados, e que tiveram um papel essencial no crescimento da empresa algarvia.

Essa solidez financeira e a necessidade de ter um espaço mais amplo levou à construção, em 1980, de um armazém na zona da Pedra Mourinha, que tinha as características de um moderno ‘cash and carry’.

O desafio das cooperativas

A seguir ao 25 de Abril tinham nascido pelo país fora um sem número de cooperativas e muitos retalhistas do Barlavento, que eram clientes da Abastecedora, acharam que aquela seria uma boa opção para, unidos, conseguirem adquirir produtos a preços mais baixos e, assim, obterem uma maior margem de lucro.

Essa decisão criou naturais dificuldades à empresa dirigida por Cândido Glória, uma vez que, a partir daí, “através dessas cooperativas, muitos dos nossos clientes passaram a fazer as suas compras junto dos nossos fornecedores, eliminando, dessa forma, o intermediário, que éramos nós”.

Foi um dos momentos mais delicados da sua vida empresarial, que poderia mesmo ter deitado a perder todo o trabalho desenvolvido até aí. Depois de pensar nas alternativas que tinha, resolveu entrar no retalho, criando os seus próprios pontos de venda ao consumidor final para escoar os produtos.

Isso levou ao nascimento dos Supermercados Alvorada. Lembra-se que o primeiro, que foi instalado na cidade de Portimão, “tinha uma área de cerca de 200 m2”, o que fazia com que se tratasse, à escala da altura, de, praticamente, uma grande superfície.

Ao longo dos anos seguintes, a rede foi-se estendendo, tendo atingido uma dúzia de supermercados, distribuídos não só por Portimão, como também pela Praia da Rocha, Lagos e Carvoeiro.

Esta expansão fez com que o número de trabalhadores aumentasse substancialmente, tendo, pelas contas do empresário, “chegado a um total de cerca de três centenas”.

Eram, pois, muitas as famílias que o negócio tinha de sustentar, numa altura em que, no horizonte, começavam a desenhar-se as nuvens da invasão das grandes superfícies comerciais que acabaria por alterar de maneira radical a forma como se desenvolvia a atividade comercial no país e no mundo e as dinâmicas das cidades.

Primeira parte de uma ‘viagem’ pela vida de Cândido Glória. Pode ler a 2ª parte aqui. A reportagem também está disponível na edição impressa do Portimão Jornal ou online, aqui.

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