Um mar de lutas sob a forma de livro

(A reportagem também pode ser lida no Portimão Jornal, aqui)

O Páteo do Palácio Abreu, em Alvor, foi o espaço escolhido para a apresentação do livro ‘Mar de Lutas’, de João da Silva Lopes.

A obra conta, na primeira pessoa, a vida de um homem desde sempre ligado ao mar e às pescas, primeiro na terra em que nasceu, Sesimbra, e mais tarde, enquanto dirigente sindical e associativo, um pouco por todo o país, tendo acabado por se fixar no Algarve.

No decorrer da sessão, promovida pelo autor e pela Associação Cultural e Recreativa 1º de Dezembro, João da Silva Lopes recordou alguns dos momentos e lutas de um percurso que, desde muito cedo, passou das salas de aula, onde apenas concluiu a 4ª classe, para o mundo do trabalho.

Lembrou que, como era habitual nesses tempos, “dois ou três dias depois de deixar a escola já estava a trabalhar numa mercearia”.

Mais tarde seria ajudante de estucador, mas “o chamamento do mar era muito forte” pelo que, para grande desgosto da mãe, que “tinha outras pretensões para mim, queria-me seguro e confortável, num trabalho sem grandes riscos”, acabou por se tornar pescador.

O seu empenho e capacidade para aceitar responsabilidades levaram a que, muito rapidamente, o armador para o qual trabalhava o retirasse dos barcos e o colocasse, aos 18 anos, como mestre de terra, uma função que, normalmente, era entregue a homens bem mais experientes e velhos.

A sua tarefa era tratar de tudo o que era necessário para que os barcos pudessem continuar na faina e os pescadores tivessem o que precisavam para o seu trabalho.

Trabalho em prol da comunidade

Mais tarde entrou no mundo do sindicalismo, do mutualismo, da política – ligado ao Partido Comunista – e do associativismo, vertentes que muito o orgulham, pois “enquanto cá andamos devemos tentar fazer algo em prol da comunidade”.

Mas, associado ao orgulho surge-lhe a mágoa de essa intensa atividade o ter afastado muito de casa e de, por tal motivo, não ter acompanhado o crescimento dos filhos, ‘delegando’ essa tarefa na esposa que acabou por falecer com apenas 48 anos, vitimada pelo cancro, o que foi o mais rude golpe que o destino lhe deu.

Passou por uma fase de grande desânimo, mas, aos poucos, e com o apoio dos filhos lá conseguiu voltar às suas lutas, mas agora “mais calmas do que as de antigamente”.

Nas suas deslocações pelo país acabou por vir ao Algarve com maior frequência e durante alguns anos foi presidente da então Associação dos Pescadores Profissionais de Alvor que, em 2005, “tinha apenas 22 sócios”.

O trabalho desenvolvido pela sua equipa e pelos dirigentes seguintes levaram a que a associação crescesse, se abrisse também à vertente da pesca não profissional e “hoje tem centenas de associados e condições que não vejo em qualquer outra do género no Algarve”.

A vida da pesca é muito dura e perigosa e, ao longo de décadas, João da Silva Lopes procurou dar o seu contributo para que seja uma atividade mais valorizada para os seus principais protagonistas.

Algumas conquistas foram conseguidas, a evolução tecnológica permite que as embarcações tenham, atualmente, melhores condições e segurança, mas lamenta que, em termos económicos, os pescadores continuem a não receber o justo fruto do seu trabalho.

E isto verifica-se tanto quando estão no ativo, mas, sobretudo, quando se retiram, pois “a maioria tem reformas miseráveis, de 400 ou 500 e tal euros, que não dão para viver com dignidade, quanto muito para sobreviver e mal”.

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