Turismo quer colaborar na construção de habitação para atrair trabalhadores

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Leia aqui a 2ª parte da reportagem: Hotel Pestana CR7 no Algarve é uma possibilidade  

2022 foi “um ano bom” para o turismo algarvio, depois da queda a pique que o setor teve em 2020 e 2021 por causa da pandemia, diz o administrador para o Algarve do grupo Pestana, Pedro Lopes.

O número de visitantes e o volume de receitas ficaram muito próximos dos de 2019, que foi o melhor ano turístico da região.

No entanto, acrescenta este profissional, “há que ter em conta que as receitas conseguidas nos anos da pandemia foram muito pequenas, não deram sequer para pagar os custos com o pessoal”. Pelas suas contas, tal circunstância leva a que os bons resultados de 2022 ainda não permitam que as empresas recuperem dos prejuízos provocados pela COVID-19.

Se as coisas correram como espera, isso pode acontecer no final de 2023, ano que prevê venha a ser muito positivo para o setor. Contudo, há algumas nuvens e incógnitas no caminho que podem pôr em causa as suas expectativas positivas.

A principal é a crise económica que atravessamos, em especial, a inflação, que faz com que as pessoas acabem por ter menos dinheiro na carteira no final de cada mês. Isso pode impedir que muitos portugueses de outras regiões venham fazer férias no Algarve.

E, como se sabe, o mercado nacional é muito importante para a região, tanto nos bons como nos maus períodos. Foi ele que, por exemplo, evitou que 2020 e 2021 se revelassem anos ainda mais dramáticos para o turismo algarvio.

Muita necessidade de profissionais

Outro dos problemas com que Pedro Lopes e os seus colegas se deparam é a dificuldade ao nível da contratação de pessoal. De acordo com um estudo encomendado no ano passado pela Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), o setor vai precisar de contratar entre mais 4.484 e 7.906 pessoas.

Também a este nível, a pandemia teve consequências negativas, pois muitos profissionais de outras regiões e países que trabalhavam no Algarve acabaram por regressar aos seus locais de origem ou a ingressar noutras áreas e agora, que o setor voltou a ‘carburar’ em pleno, haverá dificuldades acrescidas em convencê-los a regressar.

Para minorar o problema de contratação de mão de obra na região há empresários que vão recrutar ao estrangeiro, mas Pedro Lopes diz que se trata de uma opção complicada, que envolve muita burocracia.

No caso do grupo Pestana, “o que fizemos em 2021 foi convidar pessoal que temos em unidades situadas noutros pontos do país e até em Marrocos, que não tinham muita ocupação, a vir trabalhar no Algarve na época alta”. Muitos aceitaram as condições oferecidas e assim foi possível manter os hotéis algarvios em atividade. Contudo, com o regresso à normalidade em todo o lado, essa deixou de ser uma opção viável.

Grupos podem investir na construção de habitação

Um dos principais problemas com que os hoteleiros se deparam é falta de alojamento que os potenciais funcionários possam pagar. Para, de alguma forma, minorar esta situação, Pedro Lopes diz que as empresas do setor estão disponíveis para colaborar na construção de habitações.

A ideia passaria por as autarquias lhes disponibilizarem alguns lotes de terreno urbanizável, onde possam investir na construção de apartamentos. Como contrapartida, ficariam com o direito de os usarem para alojar os seus funcionários ao longo de um número considerável de anos.

Pedro Lopes já apresentou esta sugestão a alguns autarcas e garante que “os municípios que primeiro a aceitem ficam com grande vantagem competitiva em relação aos outros”.

Os anos da pandemia levaram a alterações substanciais no setor turístico. Muita gente descobriu que, através da internet, pode marcar as suas férias, dispensando o intermediário, ou seja, os grandes operadores turísticos que dominavam o mercado e cujo volume de negócios, por esta razão, caiu substancialmente.

Esta nova realidade coloca desafios novos às empresas turísticas. Pedro Lopes lembra que até há poucos anos “sabíamos com grande antecedência que taxas de ocupação iríamos ter, pois os operadores faziam reservas para todo o ano”.

Com o crescimento exponencial da marcação de alojamento por parte dos consumidores, isso deixou de acontecer, pois passaram a fazer as reservas com muito menor antecedência, em grande parte dos casos até praticamente em cima da hora, o que “nos causa um stress constante”. Pela positiva, “há a possibilidade de irmos ajustando os preços em função da procura”, o que significa maior faturação.

Leia aqui a 2ª parte da reportagem: Hotel Pestana CR7 no Algarve é uma possibilidade  

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