Cultura

Cristóvão Silva, o portimonense que aos seis anos já ouvia música clássica

Partilhe a notícia
pub
pub

(Reportagem também disponível na edição impressa do Portimão Jornal ou online, aqui)

Cristóvão Silva nunca teve dúvidas sobre o que queria ser quando crescesse. Desde muito novo acreditou que o seu futuro passaria pela música.

E, embora goste de géneros como o rock e o pop, a sua grande paixão é a música clássica, que “comecei a ouvir aos seis anos de idade”, confessa o agora maestro.

O primeiro disco que teve foi a 2ª Sinfonia de Beethoven.

Foi-lhe oferecido pela mãe, que quando o comprou na loja deparou-se com a admiração do funcionário, que “achou estranho que uma criança daquela idade gostasse de música clássica”.

Aos 13 anos, os pais tiveram a possibilidade de comprar um piano e foi uma alegria, começou a tocar e “nunca mais parei”.

Quando teve de escolher o rumo a seguir, ao contrário de muitos outros colegas de escola, já sabia exatamente o que queria e foi estudar para o Conservatório Regional do Algarve Maria Campina.

As dúvidas dos pais

Hoje, para além de maestro, Cristóvão Silva é, também, professor de música na Escola da Bemposta e, com frequência, escuta as dúvidas dos pais sobre as saídas profissionais para os seus filhos.

Na altura, as mesmas interrogações devem ter tido os seus progenitores que, ainda assim, “nunca me impuseram nada e sempre apoiaram a minha decisão, o que lhes interessava é que eu fosse feliz”.

Com a ajuda de “uma bolsa de estudos que me foi atribuída por algumas entidades patronais aqui de Portimão” foi estudar para a capital. Mas, uma coisa era gostar de música, outra era saber se tinha talento para fazer dela profissão.

Para tirar isso a limpo, e de forma a decidir se deveria fazer tentar entrar na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), os seus padrinhos levaram-no a uma conceituada professora lisboeta, que depois do ouvir o jovem tocar durante uma hora, deu-lhes o veredito: “eu não poderia ser outra coisa senão músico”.

Com a ajuda dela e de um outro professor, preparou-se, então, para as rigorosas provas eliminatórias de acesso à ESML. Conseguiu ultrapassar esses obstáculos, entrou no curso de Composição, no qual teve como professores, entre outros, Carlos Marecos e António Pinho Vargas, e concluiu-o com a nota máxima de 20 valores, tornando-se o primeiro daquele curso a receber tal distinção.

Com o ‘canudo’ na mão, ainda teve propostas para ficar em Lisboa, mas acabou por voltar para o Algarve por “ter a sensação que iria ter melhor nível de vida aqui do que ficando lá”. É certo que sabia que, do ponto de vista profissional, “ia perder imensas oportunidades, mas, por outro lado, aqui havia a possibilidade de vir dar aulas, o que era também uma paixão muito grande que tinha”.

Barlavento Ensemble tem 19 músicos

Começou a lecionar em Lagos e, antes de se fixar definitivamente em Portimão, passou por diversas outras escolas, entre as quais a do Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, que tinha frequentado como aluno.

Durante vários anos, também foi compositor residente na Orquestra do Algarve, que tocou algumas das suas muitas composições, e é, desde 2010, professor dos Cursos Profissionais de Instrumentista de Cordas e Teclas e do Ensino Integrado de Música da Escola da Bemposta.

A essas funções junta, desde há cerca de três anos, o de maestro do Barlavento Ensemble, um agrupamento de música clássica composto por professores, alunos e alguns outros instrumentistas, no total de 19 elementos.

O projeto surgiu em conversas com outros professores, pois “sentíamos um pouco a necessidade de fazer música”. Na altura, “também já tínhamos alguns alunos a terminar o secundário que tocavam bastante bem e pensei em formar um ensemble e montar umas peças para ver o que isto dá”.

Foi assim que nasceu o Barlavento Ensemble que tem como objetivo essencial permitir que jovens talentosos “comecem a ter uma prática orquestral, que é difícil de conseguir”.

Usar ou não usar a batuta

E, pelos vistos, a experiência deu mais frutos do que esperavam. Alguns outros alunos ficaram entusiasmados e também quiseram entrar, tal como dois ou três instrumentistas que nada têm a ver com a escola, “isto foi crescendo e quando demos por nós estávamos a fazer coisas muito bonitas”.

Daí até começarem a fazer concertos públicos foi um ‘pulinho’, têm atuado na sala onde ensaiam, o auditório da Sociedade Recreativa Figueirense, e em diversos outros espaços. Ainda recentemente houve oportunidade de os ver em concertos na Igreja do Colégio e na Igreja da Mexilhoeira Grande.

E até podiam dar mais espetáculos, pois as solicitações chegam com frequência, até de outros concelhos, mas não é uma logística fácil juntar tanta gente, inclusivamente jovens que, nesta altura, já estudam em universidades fora do Algarve e que terão dificuldade em deslocar-se à região com muita frequência para atuarem.

Normalmente, o objeto mais associado aos maestros é a batuta, mas quem assiste aos concertos do Barlavento Ensemble verifica que Cristóvão Silva não a usa. Com um sorriso explica que, para além de a utilização da batuta já ser “uma prática em desuso”, a sua decisão teve a ver com uma questão de ordem prática, pois “como somos muitos, o palco onde ensaiamos é relativamente pequeno e eu sou muito expansivo, tinha receio de aleijar alguém”.

Registe-se para receber as notícias do Algarve Marafado no seu e-mail

……………….
VÍDEO EM DESTAQUE

Nova atração algarvia… só para gente corajosa

LEIA TAMBÉM:

Mariza, Calema, Bárbara Tinoco e D.A.M.A atuam no Algarve

Carminho atua em Tavira

Foto do dia: A vila que é uma montanha sagrada

(Visited 145 times, 1 visits today)
pub
pub
ViladoBispo_Banner_Fev
pub
pub

EVENTOS NO ALGARVE