Marchas Populares sem tradição dão colorido ao calendário eleitoral

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Estamos em mês de Santos Populares. O país sai à rua para se divertir e para festejar os santos que, segundo a tradição, preenchem o seu imaginário e dão alento às suas preces mais devotas. É por isso que, um pouco por todo o lado, alguns rituais sobem de tom e os festejos, com um cariz eminentemente popular, ganham grande expressão.

E, se assim acontece um pouco por todo o lado, é nas duas maiores cidades de Portugal que os festejos destes santos milagreiros adquirem maior expressão e chamam a si praticamente toda a população. A estes acontecimentos ninguém fica indiferente. É o que acontece em Lisboa pelo Santo António.

Mas se a capital celebra com um entusiasmo fora do comum e com grande entusiasmo o santo que, dentro de portas, um dia vira nascer, o Porto, uns dias depois, nada lhe fica a dever. É o que acontece pelo São João. A cidade, na sua maioria, sai à rua e transforma todo o espaço público num palco de celebração e de confraternização só possível numa cidade como aquela. E mesmo sem as marchas, ao estilo de Lisboa, a cidade é capaz de se reinventar e de, com todos os residentes e visitantes, fazer uma festa difícil de igualar.

O que se passa pelas duas ‘capitais’ do país, é extensivo a muitas outras cidades de menor dimensão onde os festejos e as celebrações fazem sair para a rua e em festa as suas populações. E, cada uma à sua dimensão, dão a estas celebrações dos santos populares uma empolgância que fazem do mês de Junho um dos meses mais festivos do ano.

Mas se a tradição atrai a população, de norte a sul de Portugal, e dá grande expressão a estes festejos, há terras que não os costumam celebrar e a eles se costumam associar pelo que vêem em outras localidades ou por alguns festejos que se costumam organizar em associações ou em bairros periféricos.

É o que costuma acontecer por terras de Lagos. Junto a algumas colectividades, alguns mastros são postos de pé, algumas sardinhas são postas a assar e alguma música começa a atrair quem se quer divertir. Sem grande expressão, era assim que os Santos Populares costumavam, no mês de Junho, passar por terras de Lagos.

Mas, este ano, esta terra das Descobertas decidiu não ficar a ver os Santos Populares passar ou confinados a algum bairro qualquer. Num dos espaços mais nobres da cidade, a Praça do Infante, alguma iluminação, a cheirar a santos populares, decidiu invadir o recinto para receber as Marchas Populares que, na noite de 13 de Junho, aí estiveram a desfilar. E foram algumas das várias localidades do concelho de Lagos.

Mas também pela Praça do Infante passaram as da Mexilhoeira Grande ou as das paróquias da Raposeira, Vila do Bispo ou Sagres. Foi uma noite diferente que juntou na Praça do Infante uma ampla moldura de gente para ver desfilar as marchas populares que, em ano eleitoral, se decidiram organizar num dos espaços mais emblemáticos da cidade de Lagos. E, para isso, tudo ajudou. Até a noite convidativa que ali levou alguns milhares de pessoas.

Para além do registo sempre agradável dos festejos dos Santos Populares, e ainda mais numa noite agradável como a do 13 de Junho, fica a nota de se tentar celebrar os santos populares em ano de eleições dando-se, deste modo, motivo a todas as congeminações.

Também aquela iluminação, demasiado popularucha, num espaço emblemático e com toda a sua projecção histórica, cria alguns constrangimentos que se poderão ultrapassar se, no futuro, houver mais preocupação com a dignidade do lugar. Quanto à preparação dos diversos desfiles, se as colectividades tiverem tempo de preparação e outra ousadia, poderão dão outra qualidade a estes desfiles caso se venham a continuar e não sejam apenas para preencher de uma forma ocasional uma parte apenas do calendário eleitoral que se avizinha.

(G.O.)

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