“Continuamos a ter um problema de racismo em Portugal”

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O projecto Aldeia do Sanacai, promovido pela Misericórdia de Albufeira, que consiste no realojamento, acompanhamento e apoio a uma comunidade de etnia cigana está a “correr muitíssimo bem”, referiu a provedor da instituição.

Em entrevista ao programa Pedra de Toque, da Rádio Solar (que pode ser ouvido aqui), conduzida por Jorge Magalhães, Patrícia Soromenho considera, no entanto, que o espaço, o sítio do Escarpão, nas Ferreiras, “não é o ideal, mas o possível”. Recorde-se que a Misericórdia de Albufeira, em determinada altura, pretendeu instalar aquelas famílias num outro terreno, mas, devido à contestação que isso provocou, acabou por optar pelo Escarpão.

A provedora defende este tipo de projectos por considerar ser “inadmissível que no século XXI ainda existam pessoas a viver em barracas, a dejectar na rua e sem água canalizada nem luz”. Nessas circunstâncias, torna-se impossível  fazer qualquer tipo de integração, até porque, lamenta, “continuamos a ter um problema de racismo em Portugal”.

Por exemplo, as crianças e jovens que vão à escola “são discriminados porque cheiram mal, pois não tiveram possibilidade de tomar banho e os pais não sabem ler nem escrever para lhes ajudar com os trabalhos de casa, para além de não terem luz eléctrica em casa”.

As famílias integradas neste projecto foram retiradas das barracas em que viviam e colocadas em casas pré-fabricadas, uma evolução que lhes trouxe outras condições, mas que a provedora espera que seja transitória, porque o ideal é, no futuro, irem para habitações ‘normais’, pagando uma renda, porque “nada deve ser gratuito”, o que é preciso ver é quanto é que têm condições para pagar.

Mas aqui coloca-se o problema de “não existir habitação social em Albufeira”. A cidade vive, essencialmente, para o turismo e devido a essa circunstância, os preços dos poucos imóveis que há para arrendar disparam para valores proibitivos para o cidadão comum. Com a melhoria da situação económica, as empresas e entidades, como a Misericórdia, vão precisar de contratar pessoas que venham de outros pontos do Algarve e do país e esta é uma questão preocupante, refere Patrícia Soromenho, uma vez que não há alojamento a preços que essas pessoas possam pagar.

A responsável máxima da Misericórdia rejeita que a instituição que dirige seja rica, em termos financeiros, ou “dona de metade de Albufeira”, embora tenha algum património que tem de ser canalizado para o apoio social. A Misericórdia de Albufeira é rica, sim, mas “em problemas e necessidades” e conta, nesta altura, com 208 trabalhadores que apoiam “441 utentes integrados em respostas sociais e 376 noutras estruturas de apoio que não as respostas sociais efectivas”.

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