O 1º Congresso das Terras do Infante

A Associação Intermunicipal Terras do Infante depois de largo apagão aciona o interruptor e dá à luz o  Iº. Congresso. Merece, por isso, saudações e felicitações.

O mar foi tema principal. Falaram os especialistas, é bom ouvir os especialistas, mas melhor é saber levar à prática o que eles dizem. Do que foi dito não faltam oportunidades, grandes desafios e ameaças assustadoras, tudo a precisar de medidas sérias para salvaguarda dos oceanos. Os estudos técnicos e científicos evidenciam aspetos preocupantes. Convidam à mudança de atitudes, comportamentos diferentes e consequentes, quer no mar quer em terra.

A mudança do clima, sendo tema de discussão nos fóruns mundiais, procurando consensos políticos na definição  de medidas diversas e ações concretas em defesa dos ecossistemas sustentáveis, não dispensa, todos o sabemos, o apoio das comunidades locais na aplicação de decisões adicionais rigorosas, equilibradas e justas.

Assim sendo, a defesa do meio ambiente, em geral, não se limitará a iniciativas pontuais, discursos de ocasião e palavras bonitas, mas, sobretudo, a decisões legislativas e atos administrativas e físicos coerentes. Pensar Global, Agir Local.

A preservação dos valores  naturais exige respeito pelas árvores e florestas, adequado ordenamento do território, energias e indústrias limpas, aquíferos, linhas de água e sapais reabilitados, melhor urbanismo, infraestruturas de saneamento básico eficazes, reciclagem dos resíduos sólidos, maior rigor no controle das atividades poluentes, uso racional da água, melhor educação ambiental e sanitária, cuidado com as explorações agrícolas intensivas ou hortofrutícolas, sejam abacateiras (das maiores da Europa) ou outras variedades.

Se formos capazes disto estaremos com gestos pequenos a prestar contributos grandes e decisivos para melhorar o planeta, a saúde e o bem estar social dos seus  habitantes.

Do congresso destaca-se a forte presença de autarcas e outros cidadãos, jovens e seniores, na audiência que além da curiosidade e interesse da iniciativa, serão, certamente, o garante do futuro da associação.

Porém, ficará a perceção que significativa percentagem dos presentes desconhece os propósitos originais da associação Terras do Infante, motivo pelo qual, para melhor compreensão, parece apropriado relembrar um pouco da sua história, uma vez que a “A história não pode ser vista só como passado deixado para trás, mas sim como uma forma de nos entendermos no presente. Ela  ajuda–nos a eliminar ilusões, visões imaginárias e explosivos comportamentos de ignorância”. Lemos algures!

Com esse fim se informa de que a Associação Intermunicipal Terras do Infante, como o próprio nome indica, circunscreve-se aos municípios de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo. Existe desde finais da década de 90 (noventa). Passaram, já, 20 anos.

Fundada pelos autarcas de então, necessária e útil como órgão político congregador de vontades, utopias, sonhos e ambições, de desenvolvimento conjunto de ações concretas  e projetos intermunicipais. Na verdade, foi concebida a pensar na terra, mais voltada para o sequeiro. Mas, lá por isso, não deixaremos de estar agradados por se estender ao mar.

No  seu núcleo central gira a vontade política de harmonizar e articular a gestão intermunicipal, de projetos estruturantes comuns, aos três municípios, nas vertentes  económica, histórico / cultural e desportivo /ambiental, sem beliscar autonomia, atribuições ou competências municipais. Antes reforçá-las, retirando sinergias do uso racional dos meios, recursos e potencialidades. Reter e atrair talentos, novos investimentos, crescer e inovar são elementos do seu código genético. O  seu ADN releva as pessoas e o seu bem estar social, ultrapassa as barreiras partidárias, cultiva preocupações com o futuro sustentável e a coesão territorial, deste triângulo histórica, geográfica e paisagisticamente inigualável.

O aproveitamento dos apoios financeiros europeus, aplicados em  projetos de dimensão intermunicipal, são parte da ambição. O plano de intervenção florestal (PMIF) elaborado, o primeiro da região, revela-se exemplar. Daí ser natural que as populações suscitem fundadas interrogações pela ausência de outros projetos, noutros sectores, atento a experiência boa deste. É, portanto, necessário agitar este mar de conformismo causa de inegáveis prejuízos para todos e manter acesa a luz.

Caros Autarcas das Terras do Infante, sugerimos, por fim, que o próximo ENCONTRO  tenha como tema principal o território, suas atividades, ouvindo a sabedoria convencional local: Políticos, investidores, comerciantes, quadros técnicos, associações setoriais diversas; Que pensamento, ideias e inquietações para melhorar o presente na construção continuada de futuro radioso, próspero, justo, económica e socialmente sustentável.

(Opinião, José Valentim Rosado)

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