Estação Salva-vidas de Alvor vai ser transformada em espaço museológico

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A Câmara de Portimão aprovou ontem, 3 de junho, a abertura de procedimento para a requalificação do edifício de Alvor do Instituto de Socorros a Náufragos e respetivo salva-vidas, com o objetivo de transformar o imóvel num espaço museológico.

Para a realização desta empreitada está previsto um investimento total de 312.800 euros, dos quais 218.960 euros virão da taxa de comparticipação de 70% que compete ao FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, enquanto os restantes 93.840 euros pertencem ao Município de Portimão.

Em comunicado, a autarquia diz que “o objetivo é criar um centro interpretativo que valorize a história e atualidade do património natural e marítimo de Alvor, transformando-o numa ferramenta de qualificação da zona urbana ribeirinha da vila, e de sensibilização e dinamização ambiental e sociocultural desta comunidade piscatória junto dos visitantes”.

Trata-se de um equipamento através do qual também se “pretende combater a sazonalidade e o estereótipo “sol e praia” associado ao turismo praticado na região algarvia, promovendo em simultâneo a interação entre os residentes e os turistas”.

A intervenção arquitetónica prevista recuperará a fachada e o interior da Estação Salva-vidas de Alvor, que será transformada em centro interpretativo da história do Salva-vidas em Alvor, das suas memórias, bem como dos saberes e técnicas da realidade piscatória local e da biodiversidade da sua ria.

Para a concretização desse plano, o espaço será dotado de equipamentos interativos e audiovisuais, com informação aprofundada sobre o enquadramento natural e paisagístico, as realidades piscatórias e seus protagonistas, com testemunhos na primeira pessoa.

O salva-vidas “Alvor” foi restaurado em 2017 pela empresa Portinave, a pedido do Município de Portimão, que para o efeito investiu 13.382,40 euros.

A embarcação, acrfescenta-se, “é parte fundamental deste projeto, no sentido de criar um ponto de atração que possa constituir um foco de dinamização, igualmente na chamada época baixa, através de diversas iniciativas, de modo a integrar as visitas ao edifício nos circuitos turísticos já existentes e relacionados com património e natureza”. 

Outra ideia passa pela colocação do espaço à disposição da sociedade civil local e regional (escolas, associações culturais e turísticas, grupos de profissionais marítimos, etc.), fomentando sessões de sensibilização e formação para a realidade piscatória e ambiental, através do contacto direto com a comunidade de pescadores, além de iniciativas como tertúlias e demonstrações de saberes ao vivo.

Depois de aprovada pela Câmara de Portimão, a proposta de cabimentação e abertura de procedimento por concurso público para execução da empreitada de requalificação da Estação Salva-vidas de Alvor vai ser remetida à Assembleia Municipal, para conhecimento da despesa plurianual.

O Salva-vidas “Alvor”

De acordo com os dados de registo do salva-vidas “Alvor”, este barco a remos tipo dinamarquês, com uma tripulação de cerca de doze homens, terá sido construído entre 1932 e 1933, no Instituto de Socorros a Náufragos de Pedrouços. 

Iniciou atividade na barra de Alvor, junto à ria, ainda em 1933 e durante 50 anos deu apoio, não apenas a esta estação salva-vidas, como a várias outras, designadamente as de Ferragudo, Paço d’Arcos e Porto Brandão. Abatido em 1983, manteve-se desde então na casa-abrigo, localizada na zona ribeirinha de Alvor. 

Hoje em dia ainda participa na vida da comunidade local, que lhe atribui um valor simbólico sobre o que é a vida na pesca e os riscos que acarreta, sendo habitual presença na Procissão da Nossa Senhora da Boa Viagem, que se realiza anualmente em agosto, navegando pela ria de Alvor em cortejo com embarcações de pescadores.

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