A ascensão e queda da indústria conserveira no Algarve

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O Museu de Portimão foi palco, no dia 22 de outubro, da apresentação do livro ‘A Indústria de Conservas de Peixe do Algarve (1865-1945)’.

Da autoria de Joaquim Manuel Vieira Rodrigues e editada pela Arandis, a obra acompanha a evolução, até ao final da II Guerra Mundial, daquela que foi, durante décadas, uma das indústrias mais relevantes do Algarve.

O convidado ‘especial’ desta sessão foi o antigo industrial do setor António Feu, que recordou os tempos de ouro do setor e as razões que ditaram o seu declínio.

No essencial, tal como o autor do livro, considera que na origem do quase total desaparecimento das fábricas de conserva estiveram fenómenos como a diminuição de capturas de sardinhas e atum na costa algarvia, a forte concorrência que, a partir de certa altura, se começou a fazer sentir, a nível internacional, e o aumento de salários provocado pelo advento do turismo.

Atualmente, um dos produtos portugueses cuja qualidade é reconhecida, a nível nacional e internacional, é o azeite. Mas, curiosamente, segundo é revelado no livro, pelo menos nas primeiras décadas, a realidade era muito diferente. Os empresários da indústria conserveira entendiam que o azeite local não tinha qualidade suficiente e importavam-no, essencialmente de Itália e Espanha.

A par de Vila Real de Santo António, Olhão e, durante algum tempo, Lagos, o concelho de Portimão foi um dos polos principais desta indústria.

Um dos primeiros e mais importantes industriais do setor foi Júdice Fialho, que criou muitas fábricas, não só em Portimão, como no concelho vizinho de Lagoa, em Lagos, Olhão, no Funchal, em Peniche e Sines.

Empresário de visão, procurou ser auto-suficiente, juntando, no seu universo empresarial, embarcações de pesca, um estaleiro naval onde construía as embarcações, uma frota de transporte, um espaço onde se fabricava e ilustravam as latas e até propriedades agrícolas, onde ia buscar alguns outros produtos de que necessitava.

UM PRODUTO DE EXPORTAÇÃO

Para o arranque e desenvolvimento inicial desta indústria muito contribuíram empresários italianos e espanhóis, mas, aos poucos, também os portugueses começaram a entrar no negócio. O pouco capital necessário para se construir uma pequena fábrica levou a que algumas tenham tido como proprietários agricultores, comerciantes e até operários conserveiros, sobretudo, soldadores.

Esta era uma indústria que não exigia grande especialização, as condições de segurança deixavam muito a desejar e as jornadas de trabalho eram muitas extensas, tendo as operárias – que constituíam a esmagadora maioria da força de trabalho das fábricas – que laborar enquanto houvesse matéria-prima, em condições difíceis e com baixos salários. Quando não havia peixe, acabava-se o emprego e o salário até que os barcos voltassem a terra com novo carregamento de sardinha ou atum.

Segundo o autor, quase toda a produção de conserva era destinada à exportação, ficando, assim, a indústria muito vulnerável às oscilações e evoluções internacionais.

Ao forte crescimento da procura registado a partir do deflagrar da I Guerra Mundial, seguiu-se um período de crise (décadas 1920/30). A II Guerra Mundial voltou a fazer aumentar fortemente o interesse pelas conservas e, em face disso e da diminuição das capturas, os preços e as receitas dispararam.

Este livro resulta da tese de mestrado de Joaquim Manuel Vieira Rodrigues e é um contributo relevante para o conhecimento de uma indústria que muito diz aos algarvios.

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