Excesso de traços contínuos na EN 125 pode vir a ser corrigido

Alguns dos resultados mais polémicos da intervenção de requalificação da Estrada Nacional (EN) 125 poderão vir a ser corrigidos. Isso mesmo terá sido comunicado à presidente da  Câmara de Portimão, por responsáveis da Estradas de Portugal e da empresa concessionária, no decorrer de uma reunião realizada em Portimão.

Essa foi a resposta que Isilda Gomes revela ter recebido após manifestar “preocupação” sobre a excessiva colocação de traços contínuos em longas extensões da estrada. Em declaração ao «Algarve Marafado» a autarca diz que, da parte dos seus interlocutores, recebeu a garantia de que vão fazer “uma avaliação e acompanhamento da situação e que, se houver alguma coisa a mudar, há a disponibilidade para que isso seja feito.”

No entanto, não é de esperar que haja substanciais alterações, uma vez que lhe foi explicado que toda a intervenção foi feita “no pressuposto de diminuir o máximo possível a sinistralidade”, sendo que as muitas rotundas colocados bem como os traços contínuos pintados têm, supostamente, esse objectivo.

Obviamente, que estes ‘obstáculos’ vão levar a que condutores tenham que circular a uma velocidade média bem inferior ao que era habitual, pois quase não têm possibilidade de fazer ultrapassagens, levando a que gastem muito mais tempo em cada viagem. Em face disso, era importante que houvesse uma via alternativa, que só poderia ser a A22 sem portagens.

No entanto, até agora, não há qualquer indicador de que o Governo se prepare para, a curto ou médio prazo, dar esse passo. Isilda Gomes diz já ter abordado esta questão a nível nacional, até junto do 1º ministro, de quem, como se sabe, é muito próxima, mas admite que não pode garantir se ou quando nos iremos ver livres das portagens.

Por um lado, existem restrições orçamentais e, por outro, há o problema, do ponto de vista do Governo, “que tem de olhar para todo o país”, de ao acabar com as portagens na Via do Infante, estar a abrir uma autêntica Caixa de Pandora. Isto porque, nas outras regiões que têm portagens, as populações e autarcas exigiriam também o seu fim.

Não estando, portanto, pelo menos nesta fase, por estas razões, nos planos do Governo usar verbas do Orçamento de Estado para acabar com as portagens, a solução poderia ser o lançamento de uma taxa turística, cujo produto servisse para esse efeito. Trata-se de uma ideia avançada, há uns meses, pelo presidente da Câmara de Monchique, Rui André.

Tendo em conta que, em 2016, foram cobrados 35,7 milhões de euros em portagens na Via do Infante e que se espera que o Algarve tenha, este ano, 20 ou mais milhões de dormidas, cerca de 1,5 euros por dormida garantiria a recolha da verba necessária para cobrir os custos da isenção de portagens.

Isilda Gomes diz que “ainda não pensei sobre isso”, mas, à partida, não parece muito inclinada a defender que as verbas provenientes de uma eventual taxa turística revertam para substituir o valor das portagens, lembrando que, nas cidades em que essa taxa existe, o dinheiro é aplicado em melhorias no espaço público.

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