Vamos lá abrir a Via do Infante a todos os condutores e não apenas aos que ganharam o Euromilhões

Logo_Opiniao_JorgeEusebio_PqProvavelmente por, nesta altura, já só terem cabeça para pensar nas Autárquicas, a reacção da generalidade dos autarcas algarvios ao ‘belo’ trabalho deixado pelas obras na Estrada Nacional (EN) 125 tem sido mole, para não dizer inexistente, na sua grande maioria.

Há, pelo menos, dois que dizem ter falado com responsáveis da Estradas de Portugal e da concessionária e parecem ter ficado satisfeitos com a promessa de que, se não der muita chatice e depois de avaliarem exaustivamente as situações, até são moços para fazer umas correcções.

É claro que isto é dar baile, é, por assim dizer, conversa de político, que os autarcas em causa têm obrigação de topar a léguas. Assim que acabarem as obras põem-se a milhas e vai ser uma carga de trabalhos levá-los a corrigir o que quer que seja. E ainda que se consiga, vão ser duas ou três alterações cosméticas para calar os indígenas, mas o essencial está feito e vai assim ficar por muitos e bons anos.

A EN 125 é agora uma espécie de linha férrea sem carris, na qual só passa uma composição – uma viatura, no caso – de cada vez. Vai ser a alegria dos condutores de fim-de-semana e da GNR e PSP à cata de condutores que se atrevam a tocar nos sagrados e sensíveis traços contínuos que se estendem por quilómetros e quilómetros e…. quilómetros.

Esta era a altura certa para pressionar o Governo a abrir novamente a Via do Infante a todos os automobilistas e não apenas aos que ganharam o Euromilhões, levando-o a acabar com as portagens. Para isso era preciso uma mobilização a sério, que devia começar nos autarcas, os quais, no entanto, andam, quase todos, a chutar para canto.

A cassete é a mesma de sempre, que sim, senhor, são a favor do fim das portagens, mas que isso está nas mãos do Governo e pronto, daqui não saímos. Como António Costa já conhece a conversa de cor e sabe que ela não aleija, assobia para o lado e a malta há-de continuar, eternamente, a pagar para ter o supremo luxo de usar a única estrada regional a sério que tem à disposição.

E os autarcas nem sequer parecem querer saber da única proposta ‘fora da caixa’ que foi feita e até por um colega, o presidente da Câmara de Monchique, Rui André. A ideia, relembro, era que, se e enquanto o Governo não assumir os custos, a região avançasse com uma taxa turística, cujas receitas seriam, na totalidade ou em parte, entregues à concessionária, em troca de não se cobrar portagens na Via do Infante.

Enfim, assim vai a vida no Reino dos Algarves. Vou mas é à praia um bocadinho para refrescar as ideias, pois tenho a enorme sorte de, para isso, não precisar da EN 125 nem da Via do Infante.

(Opinião, Jorge Eusébio)

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