Polémica em torno das listas para a direção dos Bombeiros Voluntários de Lagos

Por norma, em Lagos e um pouco pelo país adiante, as instituições são campo fértil para a classe política se começar a digladiar e a apoderar da vida da sociedade civil.

Basta ver como as coletividades e demais instituições acabam por funcionar e por se transformar numa espécie de montra onde se vão expor os que pretendem alcançar alguma visibilidade política.

E acabam também por ser uma espécie de repositório dos que já se desgastaram mas, a todo o custo, se pretendem manter agarrados a alguma forma de poder.

Para se avaliar e melhor compreender esta situação, é só fazer um pequeno esforço e percorrer as instituições da vida associativa lacobrigense. E logo por aí se poderá constatar a avalanche de políticos que lá vão parar e por lá se pretendem eternizar.

Ainda não faz muito tempo e até nem é muito surpreendente que numa das instituições, onde também houve eleições, o seu presidente, que ali se eterniza à sua frente, aparecesse com um punhado de votos na mão como sendo de elementos da instituição.

E como pouco mais votantes chegou a haver, a eleição ficou assegurada por aquela mão abençoada. Um expediente que pode alastrar e contaminar a limpidez de uma democracia que não pode ser abalada nem beliscada nos seus fundamentos.

O caso dos Bombeiros

Nos últimos dias, também começou a correr que, nos Bombeiros Voluntários de Lagos, algo de estranho estava a acontecer. Como as eleições se estavam a aproximar, tornava-se necessário abrir o processo eleitoral para esta importante instituição da nossa sociedade civil.

Com o processo aberto, era de se prever que a vida de antes continuasse e que não houvesse qualquer novidade em todo o processo desta coletividade. Mas não foi o que aconteceu. 

Uma nova lista cheia de ousadia decidiu avançar e trazer sangue novo a esta eleição e, quem sabe, à vida da instituição. Estar-se-ia a quebrar a monotonia de uma lista única que por aí se vem eternizando e dominando a vida dos Bombeiros Voluntários de Lagos.

Sempre que assim acontece, é sinal de sangue novo, de vitalidade e de que há mais alguém que dispõe do seu tempo, da sua entrega, da sua disponibilidade e até da sua doação em favor de uma causa comum.

E quando este parecia ser um ato salutar, eis que de repente a polémica começa a estalar. No entender de todos os que apoiam a lista que, com ousadia, quis quebrar a monotonia do unanimismo, a continuidade estaria ferida de ilegalidade.

Na verdade, a lista da continuidade, que tem à sua frente o atual Presidente Paulo Morgado, terá dado entrada fora do prazo estipulado pelo regulamento eleitoral. E dizem os opositores, liderados por Nídia Maria Avelino, que o regulamento tem de se cumprir e que, como consequência, os atuais corpos sociais não poderão disputar a eleição já agendada no tempo e com calendário para 17 de Dezembro.

Mas em oposição a esta interpretação, está o atual Presidente da Assembleia Geral. Serão os estatutos da instituição a presidir e a regular a futura eleição. Em seu entender, ter-se-á apenas de contabilizar os dias úteis para se aceitar ou rejeitar qualquer candidatura.

Partidos a posicionarem-se

A lista objeto de polémica e contestação e que preside à atual gestão, deu entrada a 11 de Novembro. O prazo limite seria o dia 13. Em face das normas estatutárias, tudo está em conformidade com os estatutos da colectividade. Nada há a opor ou a questionar. Mas, em seu dizer, para se evitar quaisquer dúvidas ou interpretações, foram consultados advogados que corroboram esta posição e ambas as listas estão em conformidade para disputarem a futura eleição.

Pensamento contrário têm os membros e apoiantes da lista que se apresenta como novidade. Invocam o regimento eleitoral para ferirem a lista contrária com o selo da ilegalidade. Com efeito, ao contrário do que diz o Presidente da Assembleia Geral, em causa não estão os estatutos mas, antes, o regulamento eleitoral. Este, sim, deverá orientar e regular os plebiscitos destinados a eleger quem vai presidir aos destinos da Associação dos Bombeiros Voluntários de Lagos.

E com a polémica instalada, as forças políticas começam a posicionar-se e facilmente se chega à conclusão de que, directa ou indiretamente, estão a dominar esta eleição.

Nídia Avelino começa a ser ancorada pelo PSD. Assim o estão a demonstrar as redes sociais e todos os que, diretamente a ousam apoiar e corroborar as suas teses. E ainda mais quando pretende fazer uma pequena revolução com o apoio da instituição. A da remoção do atual Comandante, Paulo Jorge dos Reis, e a da colocação, em sua substituição, do Comandante Adjunto, Márcio Regino.

A lista da continuidade é, como desde sempre se conhece, ancorada no PS. Basta ter como Presidente Paulo Morgado que se tem eternizado, pelo PS, à frente da Assembleia Municipal de Lagos. E Paulo Jorge dos Reis é, presentemente, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lagos. 

Captura das instituições

Esta concentração das instituições em personalidades ligadas ao poder ou a forças partidárias para poderem sobreviver é uma forma de menoridade e de desprezo das potencialidades de uma comunidade.

Poder-se-á dizer que, se assim não for, acaba por ninguém aparecer ou por se não ter capacidade de persuasão ou de captação das verbas de sobrevivência. Mas esta é uma forma de afastar quem, fora da política e dos meandros da vida partidária, tem muito para nos dar.

Com a captura da sociedade por quem deveria abrir novas formas de participação e contribuir para uma democracia mais avançada, a sociedade fica mais desmotivada e alheada de tudo o que se passa em seu redor.

E a polémica das listas dos Bombeiros de Lagos é mais uma demonstração, por parte da nossa classe política, da captura das instituições, do fomento de uma preocupante apatia e do sufoco da nossa democracia.

 

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