Granada atirada contra a sede do partido

(Segunda parte de uma reportagem originalmente publicada no Portimão Jornal, que pode ler na edição em papel ou online aqui)

1ª parte: A vida de Rui Sacramento dava um filme

2ª parte: Fuga ‘a salto’ para França para escapar à PIDE

Rui Sacramento regressou a Portimão uns dias depois da Revolução, a 28 de abril de 1974. Da direção nacional do PCP recebeu a missão de reorganizar o partido em praticamente todo o barlavento, com exceção de Lagoa.

Uma das suas prioridades era encontrar um espaço onde os comunistas, agora de forma legal, pudessem reunir-se. A escolha recaiu num imóvel situado na Travessa do Capote, que, ainda hoje, continua a ser a sede local do PCP. A primeira sessão de esclarecimento do partido no concelho, recorda, “decorreu na Mexilhoeira Grande, numa sala que estava a abarrotar”.

Os tempos que se seguiram à mudança de regime foram muito ‘quentes’. Em diversos pontos do país, os comícios de uns partidos eram, por vezes, invadidos por elementos de outras áreas ideológicas, havia frequentes escaramuças, violência e até bombas foram colocadas.

Em Portimão, diz Rui Sacramento, não houve problemas de maior, com exceção de “uma granada que um dia explodiu na parte de fora da nossa sede”. No interior “estavam alguns camaradas, mas, felizmente, nenhum ficou ferido”.

No âmbito das funções que tinha no PCP, participou na organização das comissões administrativas concelhias, que funcionaram até à tomada de posse dos autarcas eleitos nas eleições locais de 1976, tendo integrado a da Câmara de Portimão.

Uma das outras vertentes em que se envolveu foi a sindical, que também passava por uma fase de reorganização, com a substituição de elementos conotados com o antigo regime por “trabalhadores de confiança do movimento operário”.

Por essa altura, surgiu o movimento das comissões de moradores que, “só em Portimão eram cerca de quatro dezenas”. A liberdade recém-adquirida levou a que a população se juntasse para pressionar o poder político a resolver os muitos problemas existentes.

Enquanto membro da Comissão Administrativa da Câmara de Portimão, Rui Sacramento sabia que os serviços municipalizados “tinham 30 mil contos no banco, o que, para a altura, era bastante dinheiro, ao mesmo tempo que havia muita gente que não tinha acesso a energia eléctrica, água canalizada e acessos minimamente dignos”.

A luta continua

Em 1990 voltou a fazer parte do executivo municipal, como vereador, após ser eleito nas eleições ocorridas em dezembro do ano anterior. Nas eleições seguintes (dezembro de 1993) manteria esse lugar. E pelo facto do PS não ter maioria absoluta e querer gerir a autarquia com alguma estabilidade, foram-lhe atribuídas funções a meio tempo, ao longo de seis anos.

Isso implicava que os eleitos do PS preparassem e discutissem consigo os orçamentos, neles incorporando algumas das suas propostas, de forma a garantir que seriam aprovados. Quanto a todos os outros assuntos e votações, não havia grandes acordos, o que levava a que Rui Sacramento “votasse a favor quando entendia que as propostas eram positivas para o concelho e contra quando isso não acontecia”.

Depois de um interregno nas eleições de 2001, voltou a ser candidato pela CDU em 2005, exercendo mais um mandato como vereador.

Olhando para trás, Rui Sacramento faz um balanço muito positivo da ação que ele e o seu partido desenvolveram ao longo de todos estes anos.

Isto porque, garante o antigo autarca, o PCP esteve na primeira linha das lutas e reivindicações pela construção de equipamentos extremamente importantes para a população do concelho e da região, como o Hospital do Barlavento, o Porto do Arade, o Centro de Saúde ou o Museu de Portimão.

Agora, aos 76 anos de idade, já não pensa em voltar às lides autárquicas porque “isso agora compete aos mais novos”. No entanto continua a fazer parte da concelhia local do PCP e a dar o seu contributo na “luta pela defesa dos interesses dos trabalhadores e dos micro e pequenos empresários”.

(Terceira parte de uma reportagem originalmente publicada no Portimão Jornal, que pode ler na edição em papel ou online aqui)

1ª parte: A vida de Rui Sacramento dava um filme

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