Será esta a mais bela serra do mundo? (com VÍDEO)
O Algarve não é apenas sol e praia. O interior tem muitos segredos e belezas por revelar.
Vamos, então, fazer-nos à estrada e ir ao encontro de umas águas famosas nas quais um rei tentou salvar-se, de uma montanha sagrada, de um espaço paradisíaco com moinho e árvores centenárias, de miradouros sem igual e de um passadiço só para gente corajosa. E muito mais.
Estamos a falar do concelho de Monchique. A primeira paragem faz-se nas Caldas, cujas águas são consideradas milagrosas. Foi nelas que o rei D. João II tentou livrar-se, sem sucesso, dos graves problemas de saúde que o afligiam. Há especialistas que garantem que terá sido envenenado, provavelmente pela própria rainha. Mas este triste episódio em nada afetou a fama do espaço. E basta olhar à volta para perceber porquê.
E é altura de continuar serra acima. Ainda antes de entrar em Monchique, uma boa opção é passar por Marmelete, cujas ruas são feitas de pedras extraídas das montanhas.
Aqui é obrigatório visitar a igreja, que data do início do século XVII, e uma Ermida, construída, segundo reza a tradição, no local onde Santo António terá aparecido para salvar o rebanho e um pastor de serem mortos por lobos esfomeados.
A Casa do Medronho, os vários fontanários existentes nas ruas e, naturalmente, a bela paisagem envolvente merecem também um olhar atento.
E rumamos agora em direção a Monchique, cujo nome foi dado pelos romanos e significa Montanha Sagrada. É a vila mais alta do Algarve, fica a cerca de 450 metros de altitude e é sede de um concelho com pouco mais de 5 mil habitantes.
Aqui sugerimos que comece por subir ao miradouro de São Sebastião, de onde se consegue ter uma imagem global de Monchique.
O Largo dos Chorões e a zona da Igreja Matriz são alguns espaços que convém visitar.
Mas não há nada como caminhar um bom bocado pelas ruas estreitas da vila para apreciar devidamente a sua beleza.
E com um pouco de sorte pode-se avistar um tipo de chaminé especial, que tem a base de largura de toda a cozinha da casa, a chaminé de saia.
Ainda há muito por descobrir neste concelho, tal como um passadiço muito especial e um local com história, de onde temos esta vista magnífica.
Mas, para já, vamos ao encontro de um espaço natural mágico.
Estamos a falar do Barranco dos Pisões, que é o local ideal para descansar, fazer piqueniques e ficar, durante umas horas, em comunhão com a natureza.
Aqui, a água corre sem descanso, contornando todas as pedras que surgem à sua frente. Nalguns locais, criam-se mesmo pequenas cascatas.
Um plátano com mais de 150 anos de existência e um moinho, que serviu para moer cereais durante muito tempo, são dois outros atrativos deste pequeno pedaço de paraíso.
É altura de voltar ao carro e fazer mais uma dezena de quilómetros em direção ao Alferce, uma pequena vila que há relativamente pouco tempo ganhou mais um atrativo.
Trata-se do Passadiço do Barranco do Demo, que tem uma extensão de cerca de um quilómetro e faz parte de um percurso pedonal de seis quilómetros de distância.
Mas o que leva milhares de pessoas a visitá-lo, para além da bela paisagem envolvente, é, essencialmente, uma ponte suspensa de 50 metros, cuja travessia causa alguns tremelicos nos menos corajoso em alturas em que o vento (4’) sopra com mais força.
Se, por esta altura, as pernas ainda ajudarem, continue em direção a um local situado a poucos quilómetros onde outrora existiu um castelo. Agora só restam umas pedras mas a viagem vale a pena sobretudo por causa deste miradouro, a partir do qual se avista a verde paisagem serrana e a barragem de Odelouca.
E como passar pela serra de Monchique sem visitar a Foia é quase o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa, vamos lá subir ao ponto mais alto do Algarve, a 902 metros de altitude.
Aí chegados deparamo-nos com uma escultura de homenagem a um dos grandes ciclistas da atualidade, Remco Evenpoel, que venceu três edições da Volta ao Algarve e recentemente conquistou duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos.
Aqui também se encontram instalados os principais equipamentos de transmissão de telecomunicações que servem a região algarvia.
Mas o que realmente importa é a fantástica paisagem que se avista a partir daqui, quer para Norte, quer para Sul. Em alturas em que o sol brilha e o nevoeiro não atrapalha é possível avistar uma parte muito substancial do Barlavento, até ao mar.
E, pronto, embora esta serra esconda muitos outros motivos de interesse, para já, a nossa viagem fica concluída. Isto, naturalmente, depois de provar algumas boas iguarias gastronómicas da zona rematadas com o inevitável medronho de Monchique.
Assista ao vídeo aqui:









