Política

João Teixeira Simplício quer incentivos para hotéis manterem trabalhadores no inverno (entrevista, parte 2, com vídeo)

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Segunda parte da entrevista a João Teixeira Simplício, candidato da Alternativa Democrática Nacional (ADN) à presidência da Câmara de Portimão, onde se fala de vias de comunicação, estacionamento, construção e turismo.

Leia a 1ª parte aqui

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AM: Ao nível da circulação automóvel e do estacionamento, que ideias tem para minorar os problemas existentes?

JTS: O problema do tráfego automóvel nas cidades é global, não é só Portimão que o tem. Há pequenas coisas que podem ser feitas no concelho, umas estão a ser feitas, outras já deviam ter pensadas há mais tempo.

Fez-se uma abertura no Largo do Dique e quando a vi pensei que, finalmente, íamos ter uma hipótese de desanuviar o trânsito no coração da cidade e depois apercebi-me que aquilo só tinha um sentido.

AM: O que acha que devia ter sido feito aí?

JTS: Acho que devia ter sido pensada de forma a ter um sentido para entrar e outro para sair de Portimão. Aquelas duas vias que estão mais à beira do rio, a Guanaré e a outra paralela, acho que cada uma devia ter um sentido. Aí, se calhar, talvez a complicação tenha a ver com a necessidade de retirar alguns estacionamentos.

Isso é óbvio que é muito complicado, mas, mais cedo ou mais tarde, Portimão vai precisar de uma entrada e uma saída e, provavelmente, de implementar uma solução de alargamento da ponte velha.

Nova travessia sobre o rio é muito necessária

AM: É mais favorável ao alargamento dessa ponte ou à construção de uma nova travessia sobre o rio, entre os concelhos de Portimão e Lagoa?

JTS: É uma questão de análise da eficiência porque a construção de uma nova ligação entre esses dois concelhos é muito necessária. Nunca seremos contra um investimento que possa vir servir estas duas margens do rio. Mas também entendemos que há outras soluções que podem ser acessórias ou intermédias até haver uma definitiva.

Não nos podemos esquecer que, à medida que o tempo passa, aquilo que hoje é uma solução efetiva, a ideia de uma nova ligação, se calhar se ela for concretizada daqui a 15 ou 20 anos já é insuficiente. Então, todas as soluções que puderem ser adotadas para desanuviar o trânsito e a fluidez do trânsito entre as duas margens do rio são ótimas.

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AM: Como é que pensa que vai ficar a circulação de trânsito depois da entrada em funcionamento do viaduto que está a ser construído por cima da linha férrea? Acha que vai melhorar?

JTS: Estou convencido que sim. Aliás, esse viaduto já devia ter sido executado há mais tempo. Estou convencido que ele é necessário. É uma solução para a cidade, estou convencido que a circulação vai melhorar, se bem que o acesso a partir do largo das feiras que vai dar à bomba de combustível da Repsol tenha, depois, de ser trabalhado porque senão vamos ter aí um estrangulamento de trânsito.

Também tenho ideia de ler sobre o projeto de ligação da avenida Paul Harris, que vem da rotunda das Cardosas até Fordportil. Não foi feita porquê?

O grande problema dos serviços públicos é a dificuldade em fazer com que os projetos se concretizem. Se calhar porque se prendem em questões políticas. Não é dessa forma que nós queremos estar na política, queremos sim apresentar soluções, propostas e ouvir as dos outros que, se entendermos que são válidas, terão todo o nosso apoio para o bem da cidade e dos munícipes.

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Negociação com donos de terreno provado para fazer estacionamento

AM: No que ao estacionamento diz respeito, o que acha que pode ser feito no centro de Portimão? Muitos automóveis ficam estacionados em terrenos privados e um dia os seus donos podem dizer que não os querem ali. A partir daí o que se pode fazer para ser possível continuar a estacionar naquela zona da cidade?

JTS: Nós trabalhamos sempre com o princípio da não obrigação e da não proibição.

O que pretendo dizer com isto? Temos um terreno enorme privado entre a câmara e o estádio do Portimonense, que é utilizado como estacionamento. Só por via da negociação, da apresentação de condições, de benefícios, de contrapartidas para aqueles proprietários é que que se poderá, eventualmente, apresentar ali um projeto de solução para estacionamento de dois ou três pisos de estacionamento e depois fazer uma concessão, entregar aos proprietários, fazer uma parceria.

AM: A Praia da Rocha já é uma espécie de ‘selva’ de betão e está prevista a construção de mais torres e grandes empreendimentos turísticos. Se hoje em dia já existem muitos problemas a vários níveis e, sobretudo, na circulação e estacionamento no verão, como é que no futuro vai ser?

JTS: Fazendo uma viagem no futuro em Portimão faço uma colagem de viagens no passado em algumas cidades nos Estados Unidos, em que vemos determinadas ruas com dois ou três pisos e, inclusivamente, vemos o metro a passar à altura de um 2º ou 3º andar. Mas o que vai acontecer a Portimão? Vai perder as suas características, a sua beleza natural.

Relativamente ao projeto a construir na Mata da Rocha, uma das bandeiras da nossa campanha é sentar com o proprietário desses terrenos, recorrer a fundos nacionais e até internacionais para converter aquela mata e a zona de João d’Arens em autênticos pulmões da cidade de Portimão, ficando, portanto, como zonas verdes, sem construção e disponíveis, gratuitamente, para serem utilizadas pelos cidadãos.

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AM: Acha que noutras zonas da Praia da Rocha devem ser construídos mais prédios, quando já há tantos?

JTS: Eu sou da opinião que Portimão tem demasiada construção. Nos últimos 30 anos passou a ter uma visão imobiliária forte, talvez por esse setor ter um poder de influência muito grande no executivo que, às vezes, não se percebe porque é que as coisas acontecem da maneira que estão a acontecer.

No nosso programa iremos passar à lupa as questões da habitação, da segurança, as condições de trabalho… aliás, é uma das nossas preocupações que cerca de 40 ou 50% dos trabalhadores estejam em atividade apenas cerca de 6 a 8 meses por ano. Não podemos ter pessoas nessas condições.

Soluções para que os hotéis mantenham trabalhadores o ano todo

AM: Isso tem muito a ver com a sazonalidade do turismo. Que ideias tem para evitar que o concelho fique tão dependente desse setor?

JTS: Os nossos projetos apontam para a dinamização da época baixa para promover também o trabalho a 12 meses. Precisamos e queremos ter todos os trabalhadores a trabalhar 12 meses por ano, o que não acontece agora porque muitas unidades hoteleiras fecham na época baixa.

Alguém já chamou os proprietários, a administração, os gerentes dessas unidades para sentar à mesa e perguntar: “porque é que os senhores fecham?” Fecham porque, simplesmente, não justifica ficarem abertos, ninguém quer ter um negócio aberto para perder dinheiro.

A nossa proposta passa por um contrato continuado de trabalho, termos um período em que as empresas precisam do trabalhador e termos um período, digamos, de 4 meses, em que não precisam, porque é a época baixa.

Nesses 4 meses queremos criar um projeto com estas empresas para que elas mantenham os trabalhadores, mas para isso temos que criar um incentivo, benefícios fiscais, crédito bonificado, há inúmeros soluções…

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AM: Mas isso terá de ser feito a partir do Governo.

JTS: Mas é no poder local que as coisas podem começar. E nós queremos usar o poder local para, dentro daquilo que são as suas competências e atribuições, poder promover o apoio a estas empresas para que elas em vez de fecharem portas que tornam a cidade quase como um lugar deserto as mantenham abertas.

AM: Fora da área do turismo, que outras áreas de atividade pode Portimão captar para não viver exclusivamente do turismo?

JTS: Nós só podemos trazer para o Algarve a chamada indústria verde que, eventualmente, possa criar postos de trabalho e condições para que as pessoas possam estar aqui e a trabalhar o ano inteiro, principalmente empresas de tecnologias de informação.

São empresas que não precisam de muito espaço, que não produzem poluição mas qualquer trabalhador precisa de ter um lugar para morar para vir para cá e nós temos de criar as condições para que haja habitação. Temos que criar condições para que as empresas possam alojar núcleos de produção no Algarve.

Também temos  projetos e ideias em carteira que têm a ver não só com tecnologia mas com inovação que são transmunicipais, que têm a ver com a área da educação e indústria.

Autarquia não se deve meter na segurança

AM: Para além de tudo isto que já falámos, que outras ideias e projetos tem no seu programa?

JTS: A segurança também é uma das bandeiras da nossa campanha. Queremos deixar com as autoridades a decisão e a estratégia de atuação, entendemos que o poder municipal não tem que ter qualquer tipo de ligação ou intervenção com aquilo que são as funções de segurança da GNR e PSP, que devem ter plena autonomia em tudo o que devem fazer para garantir e promover a segurança dos cidadãos.

AM: Mas não é também tarefa da autarquia ser, de alguma forma, o representante dos cidadãos junto dessas forças de segurança e exigir, por exemplo, mais efetivos e melhores condições para que possam exercer a sua atividade?

JTS: Voltamos às condições de elementos das forças de segurança que sejam deslocados para o Algarve não virem receber mais dinheiro por isso, mas terem de gastar mais dinheiro para morar no Algarve. Esse é, sem dúvida, o problema principal que temos que atacar, enfrentar ou tentar mitigar.

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Não sou paraquedista

AM: Sendo a primeira vez que concorre a presidente de Câmara, imagino que muita gente não o conheço. Como é que se apresentaria?

JTS: É a primeira vez que me apresento como candidato, mas já tenho um envolvimento político, em segunda linha, há uns cinco ou seis anos a esta parte. Vim morar para Portimão com 12 anos de idade e fiz a minha escola toda em Portimão, na escola Poeta António Aleixo …

AM: Está a tentar dizer que não é paraquedista…

JTS: Exatamente… só saí de Portimão para ir estudar para Lisboa e formar-me em gestão hoteleira. Depois, comecei a trabalhar na hotelaria, como diretor de serviços, na Praia da Rocha, mas, entretanto, também concorri, entrei e trabalhei durante 13 anos na banca.

Ou seja, tenho intervenção na vida hoteleira, área em que trabalhei ao longo de cerca de 8 anos, trabalhei 13 anos na banca, mesmo ao lado da Câmara Municipal. Também sou conselheiro do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas Manuel Teixeira Gomes, co-fundador de um Ministério Batista, que fez 12 anos de existência e também faço parte dos órgãos da associação de karaté IJKA.

Assista aqui ao vídeo:

EVENTOS NO ALGARVE