“Os pobres não se reconhecem nesta democracia”

A saída de Portugal do Euro é uma opção “dificílima mas vejo nenhuma melhor.” A frase foi proferida Francisco Louçã, no decorrer de um jantar-debate promovido, esta Terça-feira, pelo Rotary Club da Praia da Rocha.

A saída do Euro levaria, desde logo, a uma desvalorização da nossa moeda, o que faria com que as exportações se tornassem bem mais competitivas. Para o turismo algarvio, por exemplo, essa solução seria “um maná dos céus”, uma vez que ficaria bem mais barato aos estrangeiros virem passar férias ao nosso país. O problema é que, em contrapartida, as importações ficariam mais caras.

Mas se o país optar pela saída tem que fazer uma reestruturação da dívida, o que Francisco Louçã considera ser difícil, mas perfeitamente possível e legal. E lembra que isto não seria nada de inovador, uma vez que, nas últimas décadas, muitos outros países já fizeram o mesmo.

O que Portugal não pode, na sua opinião, é aceitar as regras que as instituições europeias e o mercado lhe impõem. Na prática, elas obrigam a que o Estado português tenha que dar lucro – através de uma grande carga de impostos sobre os portugueses – para “pagar uma dívida que vai sempre aumentando”, por via das taxas de juro exageradas que nos exigem.

O objectivo desta política é que “daqui a 28 anos possamos ter um orçamento com uma dívida controlada.” Aceitar tal situação seria ter de “chegar a casa e dizer à minha filha, que tem 20 e poucos anos, que só quando ela chegar aos 50 anos é que isto vai aliviar”, algo que se recusa a fazer.

Francisco Louçã diz que, nesta altura, o Estado português já tem um superávit primário, ou seja, um ‘lucro’ de 5 mil milhões de euros anuais. O problema é que tem de pagar 8 mil milhões de juros de dívida, o que faz com que fique com um ‘prejuízo’ de 3 mil milhões.

E o mais grave é que entende não haver razões objectivas para que o mercado exija taxas de juro tão altas ao país. No 3º trimestre do ano “parece que a nossa economia foi a que mais cresceu na União Europeia, batemos todos os outros países… e os juros da dívida pública dispararam”, o que o leva a dizer que “a bota não bate com a perdigota.” Atribui isso a questões externas que nos ultrapassam, mas que nos afectam por fazermos parte da União Europeia e do Euro.

Francisco Louçã aproveitou a oportunidade para criticar a forma, que entende pouco democrática, como a Europa é governada. Por exemplo, os governos nacionais, antes de entregarem os orçamentos nas assembleias respectivas, que são órgãos eleitos, têm de os submeter à Comissão Europeia, cujos membros não foram democraticamente eleitos pelos cidadãos.

Isso leva-o a concluir que “o poder está num lado e a democracia está outro”, uma situação que tem criado problemas graves em vários países, e mais poderão vir a caminho, uma vez que “os pobres não se reconhecem na democracia que estão a viver”.

(Reportagem: Ricardo Coelho)

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