“O sistema político foi capturado por interesses económicos”

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A forma como a democracia portuguesa funciona tem que levar uma grande volta, defendeu o antigo líder do CDS, Ribeiro e Castro, no decorrer de um jantar-debate promovido pelo Rotary Club da Praia da Rocha.

Actualmente, a generalidade dos cidadãos não se revê nos deputados que estão no Parlamento, que não são propriamente seus representantes, mas sim “representantes dos líderes dos partidos”. Há, em geral, um “grande descrédito pelos partidos políticos”.

Mas o jogo político é fechado e esse descontentamento da população “não tem consequências”, em boa medida porque “quem manda está confortável com o processo.”

Há um enorme “dirigismo” na forma de funcionamento dos partidos e do Parlamento, em que, por regra, quem é chamado a decidir fá-lo não em função do mérito das propostas, mas das instruções que recebe do chefe de fila ou do líder do partido. E quem ousa pensar pela sua cabeça, já sabe que, mais cedo ou mais tarde, “recebe uma guia de marcha” e é afastado.

Outro grande problema que diz verificar-se é ter o sistema político político sido “capturado por interesses económicos.” As decisões são tomadas fora dos órgãos próprios, em almoços, jantares ou em gabinetes, em reuniões, supostamente, informais e depois simplesmente formalizadas, por ordem dos chefes, no interior dos partidos ou na Assembleia da República.

Para, de alguma forma, dar a volta a esta situação, Ribeiro e Castro defende alterações nas sistema eleitoral. Em geral, o que temos é equilibrado, mas há alguns problemas por resolver, como haver muitos votos que acabam por ser perdidos. Um partido pode ter muitos votos, a nível nacional, mas não eleger nenhum deputado ou eleger muitos menos deputados, em termos proporcionais, do que a sua votação mereceria.

Imagine-se que, em cada círculo eleitoral, um partido fica a um voto de eleger um deputado. Acaba por não eleger nenhum, apesar de ter um grande resultado, a nível nacional, Na prática, todos os votos que recebeu são perdidos e não têm representação parlamentar.

Para que isso não aconteça, Ribeiro e Castro defende círculos mais pequenos, em que haja uma relação mais directa entre eleitores e candidatos. Para além disso,advoga a criação de um círculo nacional para onde vão parar os votos que nos outros círculos não serviram para eleger votos. Dessa forma, haverá um maior equilíbrio entre o número de votos expressos e o de deputados eleitos.

Para além disso, acredita que outra das vantagens destas mudanças seria haver maior cuidado da parte dos partidos na escolha dos candidatos, sendo obrigados a colocar nas listas mais gente que tenha peso político próprio e que pense pela sua cabeça e não pela do líder.

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