De pequenino se começa a poupar

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Em Vila do Bispo há crianças que, desde muito cedo, começam a ter noções básicas sobre como funciona o dinheiro e tudo o que tem a ver com as finanças pessoais.

Ficam, por exemplo, a perceber que quando os seus pais vão ao multibanco, o dinheiro só sai da máquina se anteriormente eles tiverem depositado dinheiro no banco.

Também sabem perfeitamente que o dinheiro não cresce nas árvores, pelo que têm de se esforçar para o conseguir. Uma das formas a que, na sua idade, podem jogar mão é através da venda de bolos ou dos produtos que cultivam numa pequena horta.

Depois, convém poupar algum e gastar o restante de forma inteligente, de maneira a que se consiga obter o máximo, gastando o mínimo. Daí que quando se deslocam ao supermercado já vão avisados que os produtos de determinadas marcas (as brancas) são mais baratos que os outros.

Tudo isto e muito mais aprendem no Jardim-de-Infância de Vila do Bispo, no âmbito do projecto de educação financeira “Sonhamos e… lá vamos”, que começa a ser reconhecido não só em Portugal, como até no Brasil, onde a sua principal responsável, Lina Nascimento, foi, recentemente, convidada a ir apresentá-lo.

Ir ao Oceanário dormir perto aos tubarões

LinaNascimento
Momento da apresentação do projecto por Lina Nascimento

Mas se há quem fora de portas elogie o que ali se faz, no concelho nem todos têm conhecimento deste projecto. Foi por isso que, justificou o presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, a autarquia resolveu dá-lo a conhecer na sessão comemorativa do Dia do Município.

Lina Nascimento explicou que na base de tudo esteve o pedido feito aos meninos e meninas do infantário para que indicassem um sonho que quisessem concretizar ao longo do ano lectivo. Acabaram por ser fixados dois: ir ao Oceanário dormir perto dos tubarões e à Kidzania, um parque temático que imita uma cidade construída à escala das crianças.

Para que esses sonhos pudessem ser cumpridos era necessário conseguir dinheiro para financiá-los. Em diálogo com as famílias, “foi decidido que cada um teria direito a uma espécie de salário mensal de 3 euros” para poupar. O dinheiro era colocado num porquinho mealheiro, a que foi dado o nome de Grunhim Poupas. Juntamente com este surgiram dois outros irmãos, o Grunhim Invest e o Grunhim Pradar.

Isto porque, referiu Lina Nascimento, a sua ideia era “trabalhar não só a parte da poupança, mas também a do investimento e da doação”.

Através  do dinheiro que entrava e saía do Grunhim Invest, os meninos ficavam com a ideia do que é o investimento. Uma das actividades desenvolvidas foi a criação de um cabaz para vender, através de rifas. Para isso, tiveram que levar dinheiro e ir ao supermercado comprar os produtos necessários. O dinheiro obtido com a sua venda foi colocado no mealheiro Grunhim Invest e “eles viram que era mais do que o que tinham investido na compra dos produtos” e ficaram, desde logo, com uma noção básica do que é o lucro.

No Grunhim Pradar era colocado dinheiro que depois foi utilizado em diversas iniciativas solidárias, como a compra de materiais para a ala pediátrica do Hospital de Portimão.

Sonhos cumpridos e… ainda sobrou dinheiro

DepositosBancarios
Ida das crianças ao banco para depositar o dinheiro

Quando os mealheiros estavam cheios era necessário irem fazer depósitos no banco e, por essa via, também ficaram a conhecer como é que esta vertente funciona.

Ao longo do ano, o dinheiro foi entrando, fruto da venda de bolos, de rifas e de produtos da horta em duas bancas nos mercados de Vila do Bispo e Sagres.

Por fim, chegou o grande momento, todos foram a Lisboa cumprir os sonhos de dormir junto aos tubarões (do outro lado do vidro, claro) e visitar a Kidzania.

Nessa cidade das crianças, foi possível também aplicarem alguns dos conhecimentos apreendidos. É que tinham aí a possibilidade de participar em actividades pelas quais era suposto ganharem dinheiro – por exemplo, ajudando no hospital – ou noutras em que tinham de gastar dinheiro, como fazer um curso de manequim, uma iniciativa escolhida por algumas meninas.

Com os sonhos cumpridos, de regresso a caso, foi altura de voltar a fazer contas. À partida tinham 1.912,75 euros e, em Lisboa, acabaram por gastar 1.528 euros, o que significa que ficaram com 384,75 euros em caixa, dinheiro que foi aplicado na compra de uma máquina fotográfica para o Jardim-de-Infância.

Para além dessa verba ainda havia a que tinham juntado no Grunhim Invest, que totalizava 479,77 euros, dinheiro que serviu para a compra de um LCD.

Com todo este trabalho, Lina Nascimento está convicta que se conseguiu transmitir a meninos e meninas com idades entre os 3 e os 5 anos a ideia de que através de trabalho, dedicação, valorização do dinheiro e trabalho de equipa, na qual as famílias também estiveram muito envolvidas, “é possível concretizar sonhos”.

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