Cristóvão Norte defende programa de apoio específico para a região algarvia

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O deputado Cristóvão Norte considera ser urgente o lançamento de um programa de apoio específico para o Algarve, uma vez que o enorme peso que o turismo aqui tem “coloca a região numa posição de maior fragilidade”.

Numa intervenção proferida na primeira sessão do ciclo de videoconferências “Conversas à Quinta-feira”, promovido pelo PSD de Olhão, considerou serem insuficientes os apoios anunciados pelo governo e defendeu a necessidade de “corrigir a situação dos gerentes das micro e pequenas empresas”, que têm de estar ao abrigo do regime de lay-off. Também exigiu que o Estado assuma integralmente os pagamentos para que não haja “uma cascata de falências” e considerou “lamentável” o incumprimento do Estado, quanto ao atraso nos pagamentos relativos ao lay-off. 

Cristóvão Norte aproveitou a oportunidade para anunciar que os deputados algarvios estão a trabalhar em conjunto na elaboração de um documento de “alternativa política no Algarve”, passível de enquadrar as melhores ideias e ser subscrito por todas as forças políticas. Um manual de boas práticas para uma região livre de Covid-19, campanhas de reforço da posição turística (nacionais em 2020 e internacionais em 2021) e um reforço das linhas aéreas da TAP com a região, foram alguns dos caminhos que apontou para a retoma económica algarvia. 

Outro dos intervenientes foi Álvaro Viegas, presidente da Mesa da Assembleia Geral da ACRAL e ex-presidente da Direção, que partilhou da opinião do deputado, sublinhando que “a atividade económica parou e não podemos esquecer que as micro e pequenas empresas são 98% das empresas a nível nacional e são elas que criam a maioria dos postos de trabalho”.

“Ao não dar a possibilidade de um apoio financeiro aos gerentes, o governo esqueceu que o pequeno empresário vive da receita do dia-a-dia”, defendeu o advogado, recordando que “com a crise de 2008/2009, houve muita gente que ficou desempregada e que criou o seu próprio emprego, gerando riqueza”, referiu.

Para Álvaro Viegas, “o esforço desses empreendedores não foi agora compensado” e revela que o poder central desconhece a realidade nacional. “Isto é claramente de quem está sentado no Terreiro do Paço mas não conhece o país”, acusou o dirigente da ACRAL.

Em relação ao comércio em Olhão, o orador criticou a ausência de medidas de estímulo à economia local, por parte da autarquia, e defendeu a necessidade de “um programa autárquico amigo do investidor”. Segundo Álvaro Viegas, neste momento, a Câmara de Olhão deveria optar por fazer “menos festas” e “canalizar esse dinheiro para criar um fundo de apoio à actividade económica no concelho”. O representante da ACRAL reflectiu ainda sobre a necessidade de adaptação do comércio local à realidade dos dias de hoje: “O comércio não pode continuar a ter um horário que se pratica há 50 anos; O empresário não pode ficar à espera, atrás do balcão, que o cliente lhe entre pela porta; É uma boa oportunidade para o empresário pensar que a cada loja física deve corresponder uma loja virtual”. 

Do lado dos empresários, o orador foi o proprietário de um restaurante e alojamento local em Olhão que começou por manifestar o seu maior receio: “Esta falta de liquidez é assustadora”. Com os negócios encerrados desde 16 de março, e suportando todos os custos, disse não saber “até que ponto poderá aguentar” se não houver ajudas adicionais.

O empresário sugeriu como “extremamente importante” uma eventual redução do IVA na restauração, tal como a “permissão para ampliar as esplanadas”, uma medida que considera poder “salvar alguns negócios”. Otimista, apesar de tudo, o proprietário antevê um reinício à atividade “lento, confuso e dispendioso”, defendendo que o mais importante será “retomar a confiança dos clientes, assegurando todas as condições de segurança”. “Será que vamos ter de vender Portugal em saldos?”, foi a questão lançada em jeito de conclusão, face a um futuro tão incerto para quem vive do turismo. 

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