Covid-19: Polémica das vacinas chega a Portimão

A Câmara de Portimão informou, esta segunda-feira, que a sua presidente foi vacinada contra a Covid-19.

A autarquia justifica esta circunstância pelo facto de Isilda Gomes dedicar uma parte do seu tempo a uma missão de voluntariado no hospital de campanha instalado no Portimão Arena, no âmbito do projeto Visitas Virtuais.

Num texto colocado na sua página de Facebook, a Câmara refere que todos os que exerciam funções naquele espaço foram vacinados, “o mesmo tendo sido solicitado a Isilda Gomes na qualidade de voluntária do projeto Visitas Virtuais, tendo sido esta condição necessária para que pudesse exercer esta função”.

Este é um sistema que coloca em comunicação, através de videochamadas, os doentes instalados neste hospital de campanha e os seus familiares. Enfermeiros deslocam-se junto de cada paciente com um tablet. Como estão devidamente equipados com um fato especial e luvas, não é muito prático procederem à ligação, o que é feito por voluntários, entre os quais Isilda Gomes, que estão instalados numa sala anexa.

Quem não ficou satisfeito com esta explicação foi o PSD/Algarve que, em comunicado, qualifica como “processo fraudulento” a vacinação da presidente da Câmara de Portimão. Trata-se de uma “matéria grave”, ainda mais por em causa estar “alguém com altas responsabilidades políticas na região”.

Esta situação, acrescenta-se, tem lugar “num período em que os idosos e os profissionais de saúde da região estão ainda muito longe de estarem todos vacinados”. Em face de tudo isto, esta estrutura regional apela a que “a presidente da Câmara de Portimão tenha a dignidade de assumir as consequências dos seus atos” e que o Governo abra, com caráter de urgência, um inquérito para apuramento de todas as responsabilidades.

Igualmente reação política teve a notícia de que alguns elementos dos órgãos sociais do Centro de Apoio a Idosos de Portimão que não se encontram em contacto direto com os utentes terão sido vacinados.

O Bloco de Esquerda de Portimão veio exigir que, com urgência, “a Inspeção-Geral das Atividades  de Saúde proceda à abertura de um inquérito à situação em causa e que sejam apuradas todas as responsabilidades”. Em comunicado, este partido acrescenta que, “pelos dados que vieram a público, tudo leva a crer que  estamos perante uma situação similar às que tiveram lugar noutras localidades do país, pelo  que os responsáveis do Centro que tomaram tais decisões devem começar por pedir a  demissão dos cargos políticos e sociais que ocupam”.  

Também sobre este assunto já se pronunciou o CDS de Portimão, que considera que “as referidas notícias – que até à data não foram objeto de um desmentido formal e firme por parte da mesma instituição ou do Presidente da sua Direção – configuram um exemplo muito grave e inaceitável de utilização abusiva de recursos públicos e escassos, em clara violação de critérios rigorosos de vacinação, que deram prioridade a grupos de risco, onde notoriamente não estão incluídos membros de órgãos sociais de instituições particulares de solidariedade social”.

O CDS acrescenta, em comunicado, que é ainda mais grave que “este comportamento abusivo e despeitador de toda uma comunidade venha de alguém que tem responsabilidades políticas nessa mesma comunidade”, uma vez que o presidente da instituição, Figueiredo Santos, é, também, líder da bancada do PS na Assembleia Municipal de Portimão.

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