A história da empresa portuguesa que declarou guerra à Google e venceu

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O empreendedor Álvaro Pinto, um dos sócios da Aptoide, uma das maiores plataformas mundiais de descarregamento de aplicações para telemóveis, foi o convidado da mais recente palestra do Rotary Clube da Praia da Rocha.

Trata-se de uma startup que “nasceu num projeto de verão, em 2011” e que a partir daí nunca mais parou de crescer.

Nesta altura conta com 75 funcionários de 12 nacionalidades, distribuídos pelos seus escritórios instalados em Portugal, China e Singapura e tem mais de 420 milhões de utilizadores. 

Para chegar a este patamar teve de convencer importantes investidores internacionais a aplicarem cerca de 25 milhões de euros no seu lançamento e desenvolvimento.

O percurso da Aptoide não tem passado despercebido a grandes empresas do setor, em especial à Google, a líder neste setor, que, aparentemente, começou a temer que esse crescimento acabasse por ameaçar o seu império, na vertente da distribuição de aplicações.

Em face disso, garante Álvaro Amorim Pinto, valendo-se da sua tecnologia e da posição dominante que detém, a conhecida empresa tecnológica tentou dificultar a vida à Aptoide. 

A guerra com a Google

O empreendedor explica que, no caso do descarregamento de aplicações, o sistema está desenhado para que “seja mais difícil fazê-lo a partir da nossa plataforma do que da deles”. 

Outro dos problemas com que a Aptoide, em determinada altura, se deparou foi o de, “com o argumento de que a nossa aplicação podia ser perigosa para os utilizadores, de repente muitas pessoas terem sido surpreendidas com o desaparecimento da nossa aplicação dos seus smartphones”.

Estas práticas fizeram com que a Aptoide avançasse, em 2018, para tribunal e para a Comissão Europeia, acusando a empresa norte-americana de abuso de posição dominante e de práticas anti-concorrenciais, processos que venceu e que valeram uma multa pesada à Google.

A empresa portuguesa também se dedica ao desenvolvimento de software, tendo para o efeito, referiu o empresário, “constituído uma parceria com a Faurecia, um dos maiores fornecedores da indústria automóvel do mundo, que fornece a Volkswagen, a Peugeot, a Chrysler, a Opel, a Citroen e a FIAT”.

Outra área que experimentou foi a das moedas virtuais (criptomoedas), tendo criado a sua própria, a Appcoins, que chegou a valer 800 milhões de dólares, tendo, posteriormente, a sua cotação vindo para valores inferiores.

Álvaro Pinto desvaloriza esse ‘sobe e desce’, que é habitual no mundo das criptomoedas, diz que a empresa não criou a sua para efeitos de especulação, mas para ser utilizada em transações na plataforma e continua a acreditar que “a tecnologia que está na sua base, a blockchain, veio para ficar”.

Quanto ao futuro da sua empresa, considera que “há um potencial de crescimento muito grande nos próximos anos e é nisso que estamos focados”. No entanto, admite que “ao virar da esquina possa aparecer alguém interessado em comprar a Aptoide” ou que a decisão final dos investidores passe pela sua entrada na bolsa.

Ao serviço da comunidade local

Nascido em 1998, o Rotary Clube da Praia da Rocha encontra-se, nesta altura, numa fase de recuperação progressiva da sua atividade normal, que foi muito afetada pela pandemia. 

O seu atual presidente, João Antunes, diz que um dos projetos que está a ser desenvolvido, em colaboração com outros clubes de rotários da região, “é a angariação de verbas para a compra de um equipamento de que o Hospital do Barlavento precisa”.

Trata-se de uma iniciativa que vem na sequência de diversas outras que, como o mesmo objetivo, foram levadas a cabo no passado, seguindo o ideal de servir a comunidade, que é a base do movimento rotário.

Para além de apoiar a compra de equipamentos médicos, o Rotary Clube da Praia da Rocha também tem angariado verbas para diversas instituições de apoio social, para além de homenagear o Profissional do Ano.

O primeiro clube de rotários, o de Chicago, foi fundado por Paul Harris em 1905, e tinha como objetivo ser um fórum onde profissionais de diferentes setores pudessem trocar ideias e fazer amizades duradouras.

Aos poucos, a ideia foi ultrapassando fronteiras, ganhando notoriedade a nível mundial e hoje os rotários estão representados na ONU, na UNESCO e em diversos outros organismos oficiais. 

A nível mundial, o movimento rotário tem promovido ou participado em programas de grande dimensão, ao nível da educação, alimentação e saúde, destacando-se, no que a este último diz respeito, o da erradicação da poliomielite.

(Pode também ler este artigo na edição impressa do Portimão Jornal ou online, aqui)

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