Loulé recorda a médica e investigadora Laura Ayres

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Se fosse viva, Laura Ayres, a médica e investigadora que foi o rosto da luta contra a problemática da SIDA em Portugal, faria 100 anos esta quarta-feira, 1 de junho.

Para assinalar a vida e obra desta louletana, a Câmara Municipal de Loulé, em parceria com diversas entidades, dá início, neste dia, a um programa comemorativo que se irá estender ao longo de um ano.

A sessão solene de abertura das celebrações do centenário do nascimento de Laura Ayres acontece na Sala da Assembleia Municipal de Loulé, a partir das 17h00, com o lançamento do Selo comemorativo desta efeméride, apresentado pelos Correios de Portugal. 

Após a sessão de boas-vindas pelo presidente da Assembleia Municipal de Loulé, Carlos Silva Gomes, é a vez do médico Rui Lourenço, comissário das celebrações deste centenário, fazer a abertura dos trabalhos. Segue-se a assinatura de um memorando de entendimento entre as entidades envolvidas nesta iniciativa: a Câmara Municipal de Loulé, o Instituto Nacional da Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa (ENSP-Nova), a Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas da Universidade do Algarve, a Direção Regional de Cultura do Algarve e o Agrupamento de Escolas Drª Laura Ayres (Quarteira).

O antigo Ministro da Saúde, António Correia de Campos, é o orador principal, convidado a fazer uma intervenção inaugural, ainda antes da apresentação do documentário “Laura Ayres – Estórias de uma Vida”.

A mesa-redonda “Testemunhos de Vida” contará com cinco figuras que irão debater a obra e a figura de Laura Ayres: o embaixador Jorge Ayres Roza de Oliveira, filho da homenageada, Francisco George, antigo diretor-geral de saúde, Francisca Avillez, investigadora sobre o vírus da SIDA, Ana Jorge, antiga Ministra da Saúde, e Jorge Torgal, infeciologista e especialista em Saúde Pública.

A sessão encerra com uma alocução do presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, sobre esta ilustre louletana, distinguida a título póstumo, no ano de 1993, com a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro. 

Também neste dia, pelas 15h00, será inaugurada a exposição Laura Ayres 1922-2022”, patente ao público na Escola Secundária Drª Laura Ayres, em Quarteira, estabelecimento de ensino que abraçou este nome incontornável da saúde em Portugal como sua patrona.

Durante o próximo ano as várias entidades realizarão várias atividades no âmbito das celebrações, destacando-se a criação na Faculdade de Medicina e Ciência Biomédicas da Universidade do Algarve da criação de uma lecture anual dedicada à Saúde Pública, a ser realizada no início de cada ano letivo e começando este setembro com o Prof. Doutor Henrique de Barros, Presidente do Conselho Nacional de Saúde.

Laura Guilhermina Martins Ayres nasceu em Loulé, na freguesia de São Sebastião, a 1 de junho de 1922. Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1946, iniciando uma longa e prestigiada carreira, como virologista, epidemiologista e professora de Saúde Pública, ensinando em múltiplas Escolas de Enfermagem, no Instituto de Ciências Biomédicas de Lisboa, atual Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, e na Escola Nacional de Saúde Pública.

Notabilizou-se também na área da investigação, destacando-se os seus trabalhos na poliomielite, na gripe e na rubéola, designadamente, na rubéola congénita, criando, organizando e desenvolvendo um laboratório de Virologia no Instituto Superior de Higiene, atual Instituto Nacional de Saúde. 

Foi ainda a fundadora e diretora do Centro Nacional da Gripe, do Registo Nacional de Malformações Congénitas e do Centro de Vigilância Epidemiológica nas doenças transmissíveis.

Com o eclodir dos primeiros casos de Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA), nos primeiros anos da década de 1980, a Professora Laura Ayres cedo se apercebeu da importância da investigação em torno desta doença, tendo trabalhado, desde 1983, para a criação de um laboratório no INSA que permitisse a deteção e a confirmação dos casos ocorridos, liderando naturalmente o Grupo de Trabalho e, mais tarde, a Comissão de Luta contra a SIDA, por nomeação do Ministério da Saúde.

A sua dedicação e trabalho, reconhecidos pública e institucionalmente, valeram-lhe a atribuição, pelo Estado Português, das Insígnias de Oficial e Grã-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, em 1990 e em 1992, respetivamente.


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